Open Banking e Pix: 3 passos para não ‘flopar’ na terceira fase

Com iniciador de pagamento, não será mais necessário entrar no aplicativo do banco para realizar transação via Pix

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10:34 am - 13 de novembro de 2021
Foto: Shutterstock

Atualmente, o Pix está disponível “apenas” para as instituições financeiras e de pagamento, que estão dentro da modalidade de conta transacional. Ou seja, para usar o pix hoje, você precisa necessariamente acessar o aplicativo do seu banco ou da instituição que possui uma conta bancária. Mas o Banco Central está liderando a convergência do Pix com o Open Banking (dentro do escopo da terceira fase do projeto), e aí, a possibilidade de transações será para além do ambiente financeiro.

E para que essa expansão aconteça, entrará em jogo os iniciadores de pagamentos que, na prática, são empresas reguladas e liberadas pelo BC para realizarem transferências e pagamentos para os clientes. Assim, não será mais necessário abrir o app do banco para fazer um Pix.

Quer um exemplo? Na terceira fase, o usuário poderá efetuar o pagamento de uma corrida de Uber por meio de API aberta pelo próprio aplicativo, transferindo o dinheiro da conta do passageiro para o Uber, que fará o repasse para o motorista.

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Em linhas gerais, os iniciadores de pagamentos ficarão responsáveis pela realização das transferências em nome do cliente, com o devido consentimento deste. O usuário continuará sendo correntista do banco, mas não precisará mais usar o app para fazer as transações. Uma experiência que vai transformar a vida das pessoas e o motivo é muito simples: redução da fricção. Mas o que isso significa?

De sete para três passos

Hoje, ao optar pelo Pix como forma de pagamento em um e-commerce, o consumidor precisa sair do aplicativo (ou site) da loja, abrir o app do banco, colar o QR code e finalizar o processo de pagamento. Tudo isso em sete etapas. Não é pouco se levarmos em consideração que a fricção, ou seja, atritos ou interferências que inibem uma experiência digital dos usuários, custa mais caro para as empresas do que as fraudes. Na pesquisa realizada pela consultoria Pymsts, 79% dos gestores de plataformas digitais disseram que pontos de atritos têm maior impacto que cibercrimes (62%) em seus negócios.

Por isso, a figura do iniciador de pagamento ganha um papel fundamental no open banking, pois a iniciativa do Banco Central é reduzir a fricção dos processos de pagamento de sete para apenas três etapas. O objetivo é gerar maior retenção de clientes para varejistas, ao diminuir as chances do usuário abandonar sua compra on-line. Para se ter uma ideia, a taxa global de abandono de carrinhos nas lojas on-line é de mais de 70%, segundo dados de um estudo realizado pela Barrilance, atualizado anualmente desde 2016.

Maior adesão ao open banking

A tendência é que a integração com o Pix e as empresas que estiverem liberadas para atuar como iniciadores de pagamentos impulsionem a adesão dos consumidores brasileiros ao open banking. Isso porque a possibilidade de realizar transações bancárias com poucos toques no celular eleva o nível da experiência dos usuários e, por consequência, coloca as companhias em alinhamento com o que há de mais inovador no mundo.

Ter uma solução intuitiva, que ofereça agilidade e rapidez, não será mais um diferencial daqui para a frente. Será obrigatório e vai definir se a empresa terá sucesso ou vai “flopar” na terceira fase do open banking.

* Fábio Rosato é diretor de soluções da Sensedia

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