Minsait quer projetos de cibersegurança, ‘phigital’ e alto valor no Brasil

Brasil é um dos três principais mercados na Minsait no mundo e é parte importante do plano de crescimento da empresa

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12:05 pm - 22 de abril de 2024
Luis Abril, CEO da Minsait (Imagem: Divulgação)

“O Brasil é a Liga dos Campeões dos serviços de TI nas Américas”. É com essa metáfora esportiva que Luís Abril, CEO da Minsait, empresa de soluções de TI e transformação digital que faz parte do grupo espanhol Indra, define os desafios de operar no mercado nacional de tecnologia. “Não é fácil fazer dinheiro no Brasil”, contou o executivo espanhol em entrevista ao IT Forum durante uma visita ao país. “Os clientes são muito exigentes e sabem do que estão falando. Você tem que trazer o melhor que você tem.”

A Minsait, no entanto, não dá sinais de que vai fugir do desafio. Pelo contrário: o Brasil é hoje um dos três principais mercados da organização no mundo, atrás apenas da Espanha e da Itália, e é considerado fundamental para a estratégia de crescimento desenhada pela Indra. Acrescente à lista o México, a Colômbia e Portugal, e os seis países formam cerca de 70% dos negócios da organização atualmente.

Em março deste ano, a Indra anunciou seu plano “Leading the Future”, que detalhou uma série de passos que a companhia dará ao longo do próximo biênio para alcançar receitas de € 6 bilhões até 2026. Em 2023, a organização fechou o ano fiscal com receitas de € 4,3 bilhões, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

A visão da Indra para a expansão global da companhia vê os segmentos de Defesa, Espaço e Tráfego Aéreo como estratégicos para o crescimento. A Minsait é o segundo pilar desse plano, focado em tecnologia. A companhia tem hoje mais de mil clientes ao redor do mundo e opera em mais de 50 geografias oferecendo consultoria e projetos que envolvem TI, Tecnologia Operacional (TO), Cibersegurança, Mobilidade e Conectividade de IA.

A ambição da Indra é que a Minsait ganhe escala globalmente para competir com outros gigantes do setor. Parte dessa ambição virá do crescimento orgânico esperado em algumas áreas estratégicas. A organização, no entanto, não descarta movimentos de M&A para a Minsait. A companhia não deixará de fazer parte da Indra – um spin-off, por exemplo, não é uma alternativa desejada –, mas alguns “desinvestimentos” em áreas menos estratégicas e a busca por novos parceiros que aportem mais capital na Minsait são possibilidades, explica o CEO.

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No Brasil, a companhia está presente desde 1996 através da Indra, e conta com mais de 7 mil colaboradores distribuídos entre seus escritórios e quatro Centros de Produção. O país tem um papel importante em um dos pilares que sustentarão a estratégia de crescimento da Minsait, que é o aumento na comercialização de serviços de “alto valor” aos clientes da companhia.

“Nós temos um histórico em que serviços são muito fortes dentro da Minsait. Temos um misto de receitas que vinham de manutenção de aplicações, infraestrutura, BPO. Mas nossas ofertas de alto valor agregado não tinham uma participação tão grande”, explicou o CEO. “Nos próximos anos, queremos expandir nossas ofertas relacionadas a temas como cibersegurança e ‘phigital’. Não apenas em Tecnologia da Informação (TI), mas também em Tecnologia Operacional (TO)”, explicou o CEO.

Um dos exemplos que Abril traz é de um projeto recente que a companhia fez na Espanha, junto a um cliente do setor elétrico, que tem rendido conversas com clientes além do país europeu. O cliente em questão operava uma série de torres eólicas e sofria com o problema constante de aves sendo atingidas pelas pás do gerador.

Utilizando uma série de sensores e câmeras, a Minsait implementou uma solução de IA capaz de identificar aves que estão se aproximando das usinas, suspendendo a operação para evitar colisões ou ameaças às espécies protegidas. “Do ponto de vista de inovação, de evolução da relevância da marca e de adição de valor aos clientes, esse é o tipo de projeto que queremos alavancar”, disse.

Cibersegurança é outra área de interesse na qual a companhia vê oportunidades no mercado brasileiro. Assim como com os projetos de alto valor agregado, a Minsait deve buscar ações além do escopo da cibersegurança “tradicional”, envolvendo proteção de dados. De acordo com Abril, projetos de proteção de infraestrutura crítica, com os quais a empresa já atua em mercados como o espanhol, têm oportunidades que devem ser exploradas.

“Nós temos desenvolvido soluções para proteção de infraestrutura crítica no mundo da tecnologia operacional, e vamos oferecê-la no Brasil”, disse.

Além da busca por novas oportunidades de negócio, o ganho de eficiência operacional também é uma meta de crescimento para a Minsait. Para isso, a companhia tem investido na digitalização interna, inclusive através da adoção de ferramentas de IA. É isso que, segundo Abril, ajudará a companhia a lidar com a “alta exigência” de clientes, como no mercado brasileiro.

A companhia, por exemplo, já está utilizando o GitHub Copilot, da Microsoft, para auxiliar seus desenvolvedores na entrega de projetos e serviços. Segundo Abril, 2 mil licenças já estão em uso e outras 6 mil devem ser adotadas “em breve” pela Minsait. “Nesse setor, se você não se reinventar todo ano e aumentar as eficiências constantemente, você acaba não se tornando competitivo”, disse o CEO. “A inteligência artificial é muito relevante internamente para reinventar a forma como produzimos software e para automatizar nossos serviços de BPO, por exemplo.”

A empresa busca ainda ganhos de efetividade comercial. “Queremos ser muito sistemáticos na forma como abordamos clientes”, resumiu o executivo. Isso inclui o compartilhamento interno de melhores práticas nas mais diversas geografias em que a Minsait atua, mas também a adoção de novos processos de negócio. “Estamos otimistas com o que podemos fazer aqui”, finalizou o CEO da companhia.

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Rafael Romer

Rafael Romer é repórter do IT Forum. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Tem mais de 12 anos de experiência na cobertura dos segmentos de TI, tecnologia e games, com passagens pelo Olhar Digital, Canaltech, Omelete Company, Trip Editora e IG.

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