Cidades inteligentes: como formá-las?

Pela enormidade das atividades desenvolvidas nesse ecossistema de atendimento, é importante não perder de vista o que deve ser o resultado final

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9:29 am - 05 de abril de 2024

Curitiba sediou no final de março a edição brasileira do Smart City Expo. Considerado o maior evento do tipo em toda América Latina, o congresso abordou discussões e soluções relacionadas ao emprego da tecnologia e políticas públicas para a formação de cidades mais seguras, eficientes e humanas.

A digitalização causada pela Covid-19 e o aumento significativo de soluções de inteligência artificial acelerou muito o processo de digitalização de alguns serviços públicos. Porém, é necessário que esse avanço aconteça com critério, de forma estruturada. De preferência, com padrões de tecnologia e incentivo legal e regulatório semelhantes entre as nações.

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Em junho de 2023, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu um grupo de trabalho focado na criação de diretrizes para o desenvolvimento de cidades inteligentes voltadas às pessoas.

Previsto para ser publicado em 2025, o documento está sendo desenvolvido por especialistas de diferentes partes do mundo – inclusive brasileiros – para apresentar sugestões de planos de ação que contribuam para o desenvolvimento de locais mais prósperos e sustentáveis.

Neste ínterim, diferentes países já trabalham no desenvolvimento de regulações e uso de tecnologias para conectar órgãos e acelerar a prestação de serviços. E quais recursos e políticas estão sendo empregados atualmente? Abaixo, algumas das ferramentas e direcionamentos comentados no Smart City Expo e que estão mais presentes nos planejamentos de governos e prefeituras.

Tecnologias de apoio

Omnicanalidade

A omnicanalidade prega uma experiência integrada entre empresa e cliente em todos os canais de atendimento. Já integrado no varejo, esse conceito otimiza o atendimento ao público e melhora o relacionamento que as marcas desejam estabelecer com as pessoas.

A omnicanalidade é transportada para o setor público quando prefeituras e governos criam canais unificados de atendimento ao cidadão. Com um portal único de atendimento, é possível acompanhar diferentes solicitações no mesmo sistema, diminuindo a barreira tecnológica e  facilitando o uso da solução.

Soluções Geoespaciais

O georreferenciamento é o processo que identifica com precisão a localização de objetos, áreas ou pontos geográficos de um mapa, com base em suas coordenadas geográficas. Geralmente, essa técnica é empregada com o uso de satélites e usada no meio rural.

Para as regiões urbanas, o uso do georreferenciamento pode ser combinado com outras bases de dados e aplicado para tarefas que vão do acompanhamento de obras públicas à precificação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), impactando na utilização de diversos serviços e auxiliando em todos planejamento, sustentação e controles das políticas que envolvam a utilização de dados geoespaciais .

Gestão Automatizada de Serviços Públicos

O grande desafio das cidades é desenvolver a capacidade de analisar dados das pessoas e das empresas de forma a oferecer serviços públicos de forma eficiente e democrática.

A utilização de tecnologias de recebimento e processamento de informações auxiliam de forma ordenada a jornada para atendimento de qualquer serviço ao cidadão, permitindo controlar todas as verticais de serviços em departamentos sociais, financeiros, educacionais, sanitário e desenvolvimento.

Papel de Governos e Prefeituras

Capacitação

Priorizar uma cultura de inovação é fundamental para que a digitalização de serviços ocorra de forma eficiente e segura. Um dos passos para garantir que o trabalho seja adaptado com sucesso para o meio on-line é a capacitação dos gestores públicos.

A cultura de governança pública precisa estar alinhada com os processos e ferramentas adotados pelo mercado. E esse alinhamento só pode acontecer por meio de ações como cursos profissionalizantes, participação de bootcamps, projetos internos etc.

Acessibilidade digital

As cidades inteligentes só poderão ser realidade quando o uso de seus serviços for possível por todos os cidadãos – independentemente de fatores como idade, classe social e fluência digital. Democratizar esse acesso é um grande desafio. Por isso, prefeituras e governos precisam criar políticas públicas que facilitem o acesso digital dos serviços a todos os públicos.

Esse acesso pode surgir por meio da oferta de Wi-Fi público, acesso a equipamentos, totem de autoatendimento, cursos de imersão on-line ou uso de inteligência artificial para a criação de assistentes virtuais de forma inteligente. O objetivo principal é tornar a tarefa o mais simples e acessível possível a qualquer cidadão.

Segurança e privacidade

Com a concentração de todos os serviços em um ambiente on-line, reforçar a segurança da informação e da privacidade de dados torna-se ainda mais essencial. Tanto para se proteger contra possíveis ameaças externas como internas.

Em vista desse desafio, os órgãos públicos precisam trabalhar em conjunto com plataformas desenvolvidas para realização de uma gestão de documentos e processos que priorize padrões nacionais e internacionais de proteção de dados.

O desenvolvimento de cidades inteligentes é uma tarefa complexa e que envolve uma série de desafios. Pela enormidade das atividades desenvolvidas nesse ecossistema de atendimento, é importante não perder de vista o que deve ser o resultado final: um local mais próspero e com maior bem-estar para as pessoas, facilitando o desenvolvimento das empresas, gerando valor, crescimento e um futuro promissor a todos.

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Fabiano Carvalho

CEO da Ikhon.

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