Educação é grande foco do Google em evento em São Paulo

Google anunciou série de recursos e capacitações para o Brasil, inclusive com uso de IA para reduzir lacunas de aprendizado

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12:27 pm - 27 de junho de 2023
Fabio Coelho durante o Google For Brasil. Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Forum

Uma ferramenta que usa inteligência artificial para ajudar professores em sala de aula a terem uma visão do desenvolvimento individual de cada aluno. O nome do recurso, chamado pelo Google de Série de Exercícios, e embarcado dentro da suíte educacional da empresa em suas versões pagas – o Google Sala de Aula – foi anunciado nessa terça-feira (27), junto com uma série de outros recursos para o setor de educação.

O anúncio foi feito durante o Google for Brasil, evento realizado pela companhia em São Paulo, capital, nessa terça (27). A disponibilidade do recurso de IA, já localizado em português, é o terceiro semestre de 2023, embora o lançamento já tenha ocorrido nos EUA.

A promessa do Google é oferecer aos educadores uma ferramenta digital de tutoria com alternativas para aperfeiçoar o ensino com tarefas interativas e suporte personalizado, reduzindo lacunas de aprendizado em sala de aula.

“A gente julga que um dos maiores benefícios da IA vai ser no campo da educação. Esse desafio de ajudar a recuperar uma aprendizagem prejudicada pelos efeitos da pandemia”, disse Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil. “E uma das formas de acelerar a jornada e melhorá-la e por meio da identificação de necessidades de cada aluno.”

Segundo Rodrigo Pimentel, head do Google For Education na América Latina, em coletiva de imprensa anterior ao evento, na realidade brasileira essa disparidade foi “ainda pior”, uma vez que “já existe uma disparidade muito grande entre ensino público e privado. A gente no Google percebeu um impacto muito negativo no nivelamento”

A promessa da ferramenta é automatizar processos de avaliação ao disponibilizar exercícios e tarefas direto na plataforma de educação. A dashboard do professor já indica os resultados alcançados e possíveis deficiências de aprendizado de cada aluno, identificando que conceitos precisam ser revisados coletiva ou individualmente.

Os alunos, promete o Google, recebem feedback imediato, além de dicas e recursos incorporados para quando tiverem dificuldades.

“O principal objetivo é usar a tecnologia de IA para oferecer apoio. Se por um lado é escalável, ao mesmo tempo é individualizado. E a gente acredita que a jornada de aprendizado é um negócio muito individual”, pondera Alessandro Leal, head do Google for Education para a América do Sul.

Segundo o Google, a IA fornece um “modelo de aprendizagem adaptativa”, em que os professores criam perguntas ou atividades, e a ferramenta recomenda uma habilidade de aprendizagem que pode ser explorada.

A empresa diz que a suíte de educação está adaptada para diversos dispositivos, o que facilitaria acesso ao recurso principalmente no ensino público, em que o acesso à tecnologia ainda é limitado e muitas vezes restrito à dispositivos Android de entrada.

“É um desafio de infraestrutura que certamente estados e Governo Federal precisam se deter. Do nosso lado [a responsabilidade] é criar formas de deixar nossa tecnologia multiplataforma, que é o caso do Série de Exercícios”, diz Pimentel. “A gente sabe que celulares Android são o principal disponível para todas as pessoas no Brasil.”

Segundo o executivo, durante a pandemia foram vários os casos que a empresa acompanhou de alunos assistindo aula, usando a versão gratuita da suíte do Google, nos celulares dos pais. “Não é a resposta que a gente gostaria de dar”, diz o executivo, que reconhece as dificuldades. No entanto, adianta, os novos recursos interessam prefeituras do País com que a empresa já conversou.

“Quebrando esse paradigma de que para usar a tecnologia tem que se estar conectado 24/7. Não é necessário. Nosso principal objetivo é usar o mínimo de banda possível”, pondera Leal, sobre as capacidades offline da plataforma. “Depois volta para fazer com que tudo se conecte e mostre a evolução do professor e do aluno.”

Formação em nuvem e parcerias

O Google for Brasil também serviu para fazer balanços e anunciar novidades em formação. Segundo a empresa, o Google Cloud – divisão de nuvem da companhia – formou, nos últimos 18 meses, mais de 25 mil pessoas no Brasil através de programas disponíveis para estudantes universitários e de escolas técnicas.

O esforço faz parte do plano de investir US$ 1,2 bilhão para a América Latina anunciado em 2022. Desde 2020, diz a empresa, foram feitas parcerias com 250 universidades e escolas técnicas. Parte delas já oferece, por meio do Computing Foundations, conteúdos sobre inteligência artificial.

A empresa também revelou novidade relacionada às iniciativas de capacitação: Google Cloud e o Senai- -SP vão oferecer mais um curso em parceira, dessa vez o de engenheiro de nuvem (Associate Cloud Engineer). Desde agosto de 2022, as duas organizações já capacitaram mais de 15 mil alunos, com meta de formas mais 20 mil até o fim de 2023 e 90 mil até 2025.

Segundo o Google, o Senai de São Paulo vai incluir o curso em quatro de suas unidades. O Senai do Rio de Janeiro também deve oferecer o curso no segundo semestre, com expectativa de formar 300 alunos.

Marketing digital e e-commerce

O Google também anunciou o lançamento de um curso de capacitação camado de Marketing Digital & E-commerce. Ele faz parte do programa de certificados profissionais da empresa, acessíveis para empresas sem conhecimento prévio específico.

Segundo o Google, a ideia é enfrentar o desemprego no País e incluir mais pessoas no setor de tecnologia, que tem alta demanda por profissionais. O curso é desenvolvido por especialistas do próprio Google com aulas pensadas para fornecer habilidades práticas empregabilidade imediata.

O foco são principalmente estudantes e graduados que procuram novas oportunidades de trabalho. São, segundo o Google, mais de 190 horas de conteúdos práticos e teóricos de capacitação. O treinamento estará disponível até o fim dessa semana na plataforma Coursera.

“Não tem um tempo delimitado [para concluir os cursos], mas a gente recomenda que sejam seis meses. Tem gente que demora mais e gente que fez mais rapidamente”, explica Maia Mau, diretora de marketing do Google Brasil. “O custo é de R$ 80 por mês, que é o da plataforma. Apesar de ser competitivo, não é possível para todo mundo e a gente precisa fazer mais aqui no Brasil.”

Segundo a executiva do Google, foram doadas 150 mil bolsas de estudos dos cursos profissionalizantes da empresa em parceria com instituições como Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e o Bettha.com. Até 2026, a meta é distribuir 500 mil bolsas no Brasil.

O curso de marketing digital promete vídeos, avaliações e atividades práticas. Ensina a usar ferramentas e plataformas populares como Canva, Constant Contact, Google Ads, Google Analytics, Hootsuite, HubSpot, Mailchimp, Shopify e Twitter, entre outros, para trabalhos básicos.

O programa de certificados faz parte do Cresça com o Google, que já oferecia outros quatro cursos de tecnologia: suporte de TI, análise de dados, gestão de projetos e experiência do usuário (UX). Todos disponíveis na Coursera.

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Marcelo Gimenes Vieira

Editor do IT Forum. Jornalista com 12 anos de experiência nos setores de TI, telecomunicações e saúde, sempre com um viés de negócios e inovação.

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