2 anos da Meta: o metaverso morreu?

Hype da tecnologia passou, mas Mark Zuckerberg não parece disposto a desistir do metaverso

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6:00 pm - 27 de outubro de 2023
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No dia 28 de outubro de 2021, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, anunciou que a empresa passaria a se chamar Meta. Na época, o executivo disse que a mudança aconteceria em um momento em que a marca original já não era capaz de abranger tudo o que a companhia faria.

Foi o início do estouro do termo “metaverso”. De acordo com o Google Trends, em uma escala de 0 a cem, a palavra chegou a alcançar 78 em buscar ainda em outubro de 2021. Entre janeiro e o início de fevereiro, chegou a ter o nível máximo de buscas no mundo. No Brasil, não foi muito diferente, apesar da métrica ser mais baixa: seu pico foi de 36.

Nesse momento, parecia que todas as companhias precisavam correr para alcançar o hype da tecnologia – que apesar de não ter sido criada por Zuckerberg, teve os holofotes nela naquele momento. Em janeiro de 2022, empresas como a Nike, a Ralph Lauren, e o Itaú já apostavam no metaverso – grande parte delas em jogos como o Roblox.

As pesquisas também confirmavam o quão benéfica a tecnologia seria. Em abril de 2022, o estudo Technology Vision 2022 revelou que 78% dos executivos brasileiros acreditavam que o metaverso teria um impacto positivo em suas organizações e 91% deles viam oportunidades de crescimento por causa da presença no metaverso.

Eu, inclusive, fiz uma entrevista sobre as implicações jurídicas da tecnologia no metaverso de uma das empresas entrevistadas. O que só corroborava com a máxima de que a maior parte das companhias, independentemente de sua vertical, estavam tentando correr “atrás do prejuízo”.

E gigantes, como a Disney, chegaram a criar uma área de metaverso. A empresa de entretenimento, na época, contratou Mark Bozon, ex-executivo da Apple Arcade, para liderar a visão criativa do “Next Generation Storytelling”, como o setor era chamado. Erm março desse ano, a companhia encerrou a área e demitiu em torno de 50 funcionários – incluindo Bozon.

Essa é apenas uma das pistas de que o metaverso não está, e talvez não volte a estar, em seu melhor momento. Alguns críticos à tecnologia já pensavam assim. É o caso de Guilherme Felitti, cofundador da Novello, que, em entrevista ao IT Forum em julho de 2022, disse que o “metaverso é natimorto”.

O metaverso morreu?

Apesar de toda a aposta, o Reality Labs, da Meta, continua a apresentar quedas. No terceiro trimestre de 2023, a empresa revelou isseperda de US$ 3,74 bilhões. E essa não é a única perda: no trimestre anterior, foram US$ 3,74 bilhões novamente e, no primeiro trimestre, US$ 3,99 bilhões.

Os executivos brasileiros também não parecem tão animados. De acordo com a pesquisa Antes da TI, a Estratégia, realizada pela IT Mídia, 85% dos respondentes disseram não ter nenhum projeto no metaverso e não têm previsões de investimentos; e apenas 10% têm a previsão de investimentos iniciais nos próximos 12 meses.

Além disso, entre os que responderam que a tecnologia teria investimentos nos próximos meses, apenas 1% disse que o metaverso seria a prioridade. As buscas no Google também caíram vertiginosamente, tanto mundialmente quanto no Brasil, como você pode ver nos gráficos abaixo. O curioso é comparar com a Inteligência Artificial, que teve seu boom após a popularização da IA generativa:

O metaverso morreu?

O metaverso morreu?

Por outro lado, algumas pesquisas ainda demonstram certo otimismo sobre a tecnologia (ainda que com ressalvas). O levantamento Think internal first, da KPMG, revelou que 60% dos respondentes dizem que o metaverso terá um grande impacto sobre os consumidores e as empresas. Mesmo assim, não parece que as organizações estão se preparando adequadamente para esse futuro.

“Essa lacuna entre percepção e planejamento se evidencia na constatação de que apenas um terço dos executivos considera suas empresas adequadamente preparadas para encampar experiências metaversas e processos operacionais relacionados”, diz a pesquisa.

A reflexão da instituição é de que há uma noção de que o metaverso será cada vez mais importante, só que essa percepção não se traduziu, pelo menos até o momento, em uma tomada concreta de ação.

Mark Zuckerberg persiste ao metaverso

Mesmo com todos os percalços, o CEO da Meta parece não estar disposto a desistir do metaverso. Em um evento realizado há um mês, ele afirmou que a empresa está trabalhando em um mundo moderno, onde o “físico” e o “digital” andarão juntos.

Essa é uma visão diferente daquela de dois anos atrás, quando ele acreditava que todos ficariam em casa com os óculos e acabariam “vivendo no metaverso”.

“Em breve, acho que chegaremos a um ponto em que você estará fisicamente com alguns de seus amigos, e outros estarão lá digitalmente como avatares ou hologramas, e eles se sentirão tão presentes quanto todos os outros. Ou você entra em uma reunião e se senta à mesa. Haverá pessoas que estarão lá fisicamente e pessoas que estarão lá digitalmente como hologramas, mas também sentados ao redor da mesa com vocês estarão um bando de caras de IA que estão incorporados como hologramas e estão ajudando você a realizar coisas diferentes também”, disse ele na ocasião.

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Laura Martins

Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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