Como o Bradesco aposta em “influenciadores de inovação” para estimular novas ideias

Em conversa com o IT Forum, Fernando Freitas, head de Inovação do Bradesco, detalhou estratégias de inovação usadas pelo banco

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9:00 am - 19 de outubro de 2023
Fernando Freitas, head de Inovação do Bradesco (Imagem: Divulgação)

“Inovação é papel de todos”. Esse é o mantra que guia as operações do Bradesco, um dos principais bancos privados do país, quando o assunto é a busca por novas ideias, produtos e negócios. Para marcar o Dia Nacional da Inovação, comemorado nesta quinta-feira (19), o IT Forum conversou com Fernando Freitas, head de Inovação do Bradesco, sobre as estratégias da instituição para estimular a inovação entre seus times.

“A gente parte da inovação como se fosse o nosso farol de Alexandria”, descreveu o executivo. Inovar, no entanto, não é uma tarefa fácil. De acordo com Freitas, a empresa encara a questão sob diferentes dimensões: desde uma visão estratégica para os negócios da companhia, até a preparação dos times para pensar em inovação.

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É na preparação dos times, aliás, que está uma das iniciativas mais importantes nessa área: os “influenciadores da inovação”. Criado no contexto do Inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, o programa dos influenciadores tem como objetivo treinar os funcionários da área de negócio para enfrentar três desafios que ações inovadoras enfrentam dentro de qualquer companhia.

O primeiro, segundo Freitas, é o conhecimento do negócio, dos problemas dos clientes e das fricções. “Isso as áreas de negócio dominam”, pontuou. Depois vem uma proficiência no que está vindo de novo em termos de tecnologia e novos modelos de negócio. “Aqui temos um desafio”, disse o executivo. “Como as áreas de negócio, que estão tão envolvidas em entregar o ano fiscal, conseguem ficar atentas a tantos ruídos que estão aparecendo no mercado”, questionou.

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Em terceiro lugar, vem o principal desafio: como levar uma inovação até o cliente. “Nosso entendimento é que isso precisa ter um lado de inspiração, mas muita transpiração. Você precisa ferramentas e métodos definidos para fazer isso acontecer”, disse.

Desde seu lançamento, em março de 2020, o programa de “influenciadores de inovação” já impactou mais de 450 funcionários do Bradesco. Os participantes recebem mais de 100 horas de capacitação em conteúdos que incluem tecnologias emergentes – como inteligência artificial, ativos digitais, computação quântica, 5G e realidade aumentada. Paralelamente, os times de P&D da instituição dão aulas recorrentes aos profissionais para que eles estejam próximos do debate que está ocorrendo em outras áreas do banco.

Uma vez ‘incubados’, os influenciadores são integrados às áreas de negócio para ajudá-las em seus portfólios competitivos. “A gente treina os profissionais no que são as tecnologias e que tipo de impacto elas podem ter no banco”, afirmou Freitas. “Cada profissional, entendendo da tecnologia, consegue desdobrar para sua área e discutir internamente junto às suas estruturas”.

Colocando inovação em prática

Os influenciadores de inovação do Bradesco são apenas uma parte do processo de ideação do banco. De acordo com Freitas, um dos primeiros mecanismos para colocar qualquer plano em prática é utilizar estruturas de sandbox, que permitem testes fora do ambiente de produção. “Isso acelera nosso entendimento”, explicou.

As ideias que vão para frente são colocadas em produção, mas ainda em ambiente controlado – restritas a um conjunto finito de clientes. “Quando a gente faz isso, a gente se cerca de proteções como testes de ataque, contornando a solução para entender se tem vulnerabilidade ou não. Após três ou quatro meses de teste, os projetos são escalados em produção.

O executivo destaca também a importância da tolerância ao erro no processo de inovação. Em média, de cada dez experimentos realizados pelo banco, sete não evoluem, explicou Freitas.

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Para garantir mais tranquilidade ao processo, a instituição reserva um fundo de inovação que pode ser utilizado por qualquer área de negócio para testar pilotos de projetos inovadores sem comprometer seus próprios orçamentos. “Uma vez que deu certo, a área usa o próprio orçamento para escalar”, pontuou.

Mas não é só recursos que fazem os projetos acontecerem. Segundo Freitas, as iniciativas de inovação do banco também são “disciplinadas”, e utilizam frameworks estabelecidos para determinar qual o problema que o projeto quer resolver, quais são as hipóteses e como o sucesso do experimento vai ser mensurado.

“Nós temos a cada 30 dias um encontro com todas as áreas de negócios para repassar todos os experimentos que foram financiados e vão escalar e quais foram financiados e não vão escalar. Cada área de negócio coloca compartilha qual a visão dela. Esses resultados são colocados no grupo para gerar um aprendizado contínuo e também a disciplina com o uso dos recursos”, finalizou o executivo do Bradesco.

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Rafael Romer

Rafael Romer é repórter do IT Forum. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Tem mais de 12 anos de experiência na cobertura dos segmentos de TI, tecnologia e games, com passagens pelo Olhar Digital, Canaltech, Omelete Company, Trip Editora e IG.

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