Estamos escalando na direção do growth investing. E agora?

Reflexões sobre caminhos, desafios e prioridades a serem enfrentados

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10:00 am - 28 de julho de 2022

Em cena as empresas que evoluíram, se destacaram dentre centenas, sobrepujaram o enduro do “vale da morte” e passaram pelas fases de Validação, do Product-Market Fit com os seus modelos de negócios, financeiros e logísticos encaixados, repetíveis e escaláveis. Vide Caderno de Governança Corporativa para Startups & Scale-ups – IBGC.  Mais ainda, são diferenciadas pela competência, gestão, empatia entre os sócios, controle de custos, segmentos em que atuam em expansão, produtos/serviços com potencial de mercado para aumento de vendas por anos, inovadoras em desenvolvimentos, com margem de lucro e principalmente: geração de valor para os stakeholders, vantagem competitiva que contribui para seu crescimento acelerado e alto potencial de valorização de seus papéis futuros. Estas se posicionam no radar dos investidores adeptos ao Growth Investing.

Paradoxalmente, ao se expor ao “Next Level of the Growth Journey” afloram reflexões, se desbravará uma nova, desconhecida e desafiadora arena, da qual demandará muito mais Governança, necessidade exponencial de Capital para investimentos, constante demanda por Gente, alavancagem da agenda ESG (do inglês Enviromental, Social and Governance).  Porém, uma empresa menos linear, mais frágil e cada vez mais complexa.

Como recomendação prioritária aos empreendedores que estão (quase) aptos e desejam atrair o Growth Investing, geralmente com seus tempos escassos, que se preparem, e muito bem, para apresentar e lidar com o estilo do venture capital. Scale-ups com perfil aos adeptos, antes de se abrirem, ou serem acessadas por esse tipo de investimento, necessitam incorporar o mindset da “construção prévia”, preferencialmente com a ajuda de profissionais externos, principalmente experts no Business, no Plano Estratégico, Mitigação de Riscos e no Deal. Concomitante e necessária atenção deve ser dada ao arcabouço jurídico nos Termos Contratuais, Nível de Diluição etc.. Este assessoramento não somente faz emergir ameaças ocultas à tona, mas principalmente suporta maior assertividade no negócio e uma enorme vantagem no deal. Reflitam que para uma organização tornar-se apta ao Growth Investing se demanda planejamento, entrega de relatórios financeiros sob normativas contábeis, compliance, inevitável due diligence e um forte viés de relacionamento externo. Secundariamente durante esta fase de busca e atração de adeptos, os sócios-gestores atuais, mais do que nunca, devem focar na continuidade e crescimento orgânico do negócio, no ostensivo monitoramento dos KPIs (do inglês Key Performance Indicators), no amadurecimento das Métricas de Governança (a ferramenta Métrica de Governança para Startups do IBGC pode ser acessada pelo link) e até mirar ou viabilizar eventuais aquisições (inorgânico).

Os gestores de Venture Capital (seletivamente exigentes nas empresas investidas) visam “n” vezes potencial de retorno, com saídas (desinvestimentos) entre cinco e sete anos. Os investimentos de venture capital (series A, B, ..x) são realizados por gestores muito experientes, que fazem a gestão de recursos de terceiros (investidores) e são governados por regras e termos claros para retorno de capital aos seus investidores e participação nas empresas investidas (ex. Scale-ups).

Como trade-off para as Scale-ups se enquadrarem dentro do espectro de adeptos do Growth Investing, como caminho exige-se que mostrem a nova estratégia conjuntamente com um plano robusto de crescimento, alocação clara dos futuros investimentos, balanços projetados e fluxo de caixa convencedor. Não menos importante será elaborar um pitch-deck vendável e em road-show “conversar” com gestoras de venture capital para que elas vislumbrem a Scale-up dentro de todo o universo disponível e de seu pipeline, não somente pelo projeto atual da Scale-up, mas pelo seu diferencial futuro, optando em sequência pela escolha, negociação e finalmente a deliberação do funding, geralmente em tranches, desafio este que vivenciamos com timing não menor de quatro meses até mais de um ano.

Opcionalmente, Scale-ups podem encontram outros caminhos de aporte para crescimento, dependendo do seu estágio e do seu modelo de negócio.

Apesar dos exigentes requirements e metas agressivas dos Fundos que visam Growth Investing, vis-à-vis a fatores conjunturais atuais (inflação alta, pressão sobre as cadeias de custos e logísticas, volatilidade dos mercados), resultando em altas taxas de juros, indubitavelmente as Scale-ups que sucedem ao Growth Investing terão um caminho muito acelerado na alavancagem do crescimento e valor, independendo se os atuais sócios remanesçam majoritários no CapTable.

Após o Growth Investing, estas estrelas capitalizadas para investir e crescer se tornam fortes alvos potenciais de aquisição por empresas maiores, oferecendo a oportunidade aos empreendedores e investidores de obterem um retorno muito significativo sobre o empreendimento e/ou até se prepararem para uma oferta pública inicial (IPO) e um novo looping diferenciado de crescimento.

* Mauro Cardoso –  Sócio da MC Consultoria atuando por mais de 30 anos em Multinacionais como executivo C´Level, como Conselheiro Administrativo /Consultivo de Empresas, Empreendedor e Membro da Comissão de Startups & Scale-ups do IBGC.

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