SEK, empresa de cibersegurança da Pátria, nasce com meta de quintuplicar em 5 anos

CEO da empresa, o ex-Salesforce Maurício Prado, apresentou companhia nessa quinta (30). Meta é ultrapassar US$ 500 mi em faturamento até 2028

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6:31 pm - 30 de março de 2023
mauricio prado, sek Maurício Prado, CEO da SEK. Foto: Divulgação

Desde que a Pátria Investimentos criou uma estrutura para investir somente em cibersegurança – antes chamada de CBS CyberSecurity Holding -, em outubro de 2021, a empresa tem feito anúncios grandes e planos ambiciosos. De partida anunciou a compra da chilena Neosecure e da brasileira Proteus. Em agosto do passado, anunciou a vinda de Maurício Prado, ex-Salesforce e Pegasystems, para ser CEO da divisão.

Nessa quinta (30), a empresa reuniu a imprensa para anunciar um novo passo na estratégia. A unificação das duas companhias adquiridas e o lançamento de uma nova marca, a SEK (sigla para Security Ecosystem Knowledge), que nasce com o nada modesto objetivo de quintuplicar o faturamento nos próximos cinco anos.

“Hoje faturamos US$ 100 milhões aproximadamente, e o objetivo é ser uma empresa de pelo menos US$ 500 milhões em cinco anos”, disse Prado, em entrevista coletiva realizada em São Paulo na manhã dessa quinta (30). “Temos o compromisso de quintuplicar nossa operação em cinco anos. É um compromisso com a sociedade, pois se não o fizemos a sociedade estará vulnerável.”

O faturamento atual é basicamente fruto da junção entre as operações das duas empresas adquiridas, o que consumiu até agora cerca de US$ 100 milhões (incluindo o valor das aquisições), com mais US$ 150 milhões reservados para o plano de crescimento.

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São números que denotam uma companhia que já nasce grande. São 750 funcionários, “a maior parte técnica, eu diria que 80% da organização”, diz Prado. São 650 clientes espalhados nos cinco países em que a empresa tem presença física – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru –, com presença em outros tantos graças aos clientes globais.

Prado diz que a empresa já é uma “grande geradora de caixa”, e que esse fluxo já seria suficiente para investir e crescer. Mas há ainda um montante expressivo reservado pelo Pátria para investir nos próximos cinco anos, principalmente em pessoas e em criar um “ambiente de sonhos” para profissionais de TI.

Também há quatro centros de ciberdefesa e resposta a incidentes nesses países (um deles no Brasil), além de dois centros de pesquisa e inovação.

“No mundo de cibersegurança, quanto mais clientes você tem melhor entende o mundo [das ameaças]. Esse aprendizado coletivo nos torna quase únicos na região”, salienta Prado, mencionando parcerias já estabelecidas com 40 grandes fabricantes globais do setor, incluindo Palo Alto, Crowdstrike, Nozomi e F5, entre outros.

O valor que a SEK tem para investir também prevê custos com crescimento inorgânico, ou seja, aquisições, que fazem “parte da natureza da forma de investimento do Pátria”. Segundo Gustavo Moraes, diretor de Private Equity da Pátria que assume a função de head de M&A da SEK, o critério de aquisições será o de “complementariedade das soluções ao portfólio, ou presença em geografias em que não estamos”

“Devemos também em breve anunciar um investimento para fomentar inovação em startups. Queremos ser fomentadores”, disse Prado, mencionando os centros de P&D.

Oferta e demanda

“Nosso modelo de negócios é atender a necessidade do cliente, e isso exige montar esse lego [de soluções]”, explicou o CEO, evitando usar a palavra “integrador” ou “consultoria”. “Somos mais que um integrador nos moldes tradicionais”, diz, preferindo a definição de “provedor de soluções e serviços de cibersegurança”.

A empresa promete um portfólio de soluções com mais de 60% das tecnologias de segurança da informação disponíveis no mercado, incluindo serviços gerenciados, profissionais e consultoria.

Para liderar a área de produtos da SEK, o ex-CISO da Eurofarma, Fernando Galdino, assume o cargo de diretor de portfólio e estratégia. Na coletiva, o executivo fez questão de ressaltar o papel das certificações acumuladas pelo time da empresa – cerca de 500 divididas entre várias e 150 apenas em especialidades de cibersegurança.

A empresa, contou, já protege 500 mil ativos críticos de negócios no mundo e preveniu em 2022 cerca de 156 milhões de ataques. “Um dos grandes diferenciais da SEK é incorporar o olhar e o conhecimento sobre o hacker em nossa oferta de defesa”, disse. “Construímos uma jornada de geração de valor sempre olhando camadas de segurança e dimensões em que os clientes atuam.”

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Segundo ele, as avaliações sempre devem considerar o grau de maturidade das empresas, e os aconselhamentos passam inclusive por saber identificar quando “menos é mais”. “Para alguns setores o básico bem feito está ótimo, para outros sabemos que não é o suficiente”, disse. “Queremos ser um parceiro para orquestrar a estratégia de cibersegurança.”

Segundo Prado, em 2023 a estratégia da SEK deve privilegiar o crescimento sobretudo no mercado brasileiro, com meta de dobrar a operação. Serão US$ 15 milhões investidos em ampliação de portfólio e posicionamento de mercado, além de captação e capacitação de profissionais – esse último item, admite o CEO, é bastante crítico em um País com carência de mão de obra.

Por isso a empresa deve anunciar, nos próximos meses, iniciativas de capacitação e formação de mão de obra em cibersegurança, com foco especial em pessoas em situação de vulnerabilidade. A empresa planeja contratar mais de 150 profissionais no Brasil e na América Latina até o fim de 2023.

“Para uma empresa ser competente nesse mercado, temos que ter um investimento muito grande em pessoas”, disse Prado.

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Marcelo Gimenes Vieira

Editor do IT Forum. Jornalista com 12 anos de experiência nos setores de TI, telecomunicações e saúde, sempre com um viés de negócios e inovação.

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