Ione Coco, a mulher que rompeu barreiras na TI

Coragem de mudar pauta carreira da executiva, hoje presidente do grupo MCIO, que incentiva e capacita mulheres para se tornarem líderes em TI

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8:55 am - 14 de agosto de 2023
Ione Coco Ione de Almeida Coco. Foto: Divulgação.

Ione Coco é uma profissional visionária que construiu uma carreira notável na área de tecnologia, superando obstáculos e enfrentando desafios ao longo do caminho. Com formação em física e mestrado em projeto de reator nuclear, Ione decidiu seguir um novo rumo em sua carreira, impulsionada pela busca por oportunidades e empregabilidade.

Seu primeiro passo nessa jornada foi a transição para a área da programação. Encontrando um anúncio no jornal O Estado de São Paulo para uma vaga de programação Fortran, Ione teve a coragem de arriscar e abraçar essa nova área, mesmo enfrentando o desafio de ter sido demitida de um instituto de pesquisas logo após seu retorno da licença maternidade. Entretanto, sua determinação e habilidades logo foram reconhecidas, e ela recebeu uma oportunidade de emprego que lançou sua carreira como programadora.

Tive coragem de mudar. Sou física de formação e tenho mestrado em projeto de reator nuclear e meu mestrado foi todo baseada em algoritmos. Naquele momento, entendi que queria seguir outro caminho. O campo era pequeno na época, com três institutos nucleares no Brasil. Era boa programada e quase como uma boa lógica fui procurar emprego em programação”, lembra ela.

Ela recorda que na entrevista de emprego, a empresa perguntou por que ela queria ser programadora se tinha uma ótima formação. “Respondi que precisava trabalhar. Tive um padrinho muito ético e ele foi aumentando meu salário e apresentando novas responsabilidades”, conta Ione, que recentemente encontrou o padrinho no LinkedIn e decidiu enviar uma mensagem de agradecimento. “As pessoas cruzam com você e não imaginam as oportunidades que te deram. Temos de ser gratas a essas pessoas.”

Ione Coco e sua longa estrada em TI

Ao longo dos anos, Ione Coco adquiriu vasta experiência em projetos tecnológicos de destaque, trabalhando na Jaakko Poyry, que fazia projetos para empresas de papel e celulose, e posteriormente na CPFL por 19 anos. Sua habilidade em lidar com clientes internos e visão ampla a levaram a assumir papéis importantes e estratégicos, como gerente da área técnica e, em seguida, como CIO. Durante sua carreira, ela também participou ativamente do processo de privatização da CPL e desempenhou papel crucial na negociação com empresas estrangeiras, devido à sua proficiência no idioma inglês.

“Costumo dizer que fui CIO sem ser, gerenciando todo o departamento de tecnologia por quatro anos antes de ganharam o título. Então, me convidaram para assumir o RH, e fiquei por quatro anos vendo a TI do lado de fora, lidando com cargos salários, e depois voltei como CIO. Trabalhei no processo de privatização e tomei a decisão de sair no dia da concretização do negócio, porque eu queria mostrar para as pessoas que, novamente, era preciso ter coragem de mudar”, enfatiza ela.

Na época da privatização, no RH, Ione recebia em sua sala muitas pessoas nervosas e que choravam diante das mudanças. “Fui ficando estressada e nervosa com tudo, comumente chamado hoje de burn out”, conta. Apesar de seu sucesso no setor corporativo, Ione decidiu dar um passo corajoso e iniciar um novo capítulo em sua vida profissional. Em busca de um tempo sabático e da liberdade de explorar seus interesses, ela deixou a CPLF.

No entanto, o destino tinha outros planos para ela. “Fui, então para a bolsa de valores”, conta, lembrando que naquele momento já sonhava em trabalhar em uma empresa de consultoria como o Gartner. Os supersticiosos dizem que se você mentalizar, consegue chegar lá, e a lei da atração parece ter funcionado com Ione. “Fui para o Gartner e lá fiquei 17 anos”, conta.

Por mais mulheres na TI

Durante sua carreira, Ione Coco também se tornou uma defensora incansável das mulheres no campo da tecnologia. Ela foi uma das fundadoras do MCIO (Mulheres CIO), grupo voltado para o desenvolvimento e apoio de mulheres em cargos de liderança em tecnologia. Por meio do MCIO, Ione e outras 290 colegas CIOs promovem eventos e mentorias, abordando temas relevantes para as mulheres na área, como soft skills, desenvolvimento de carreira e equilíbrio entre vidas pessoal e profissional.

A iniciativa do MCIO cresceu ao longo dos anos, e em 2021, tornou-se uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de apoiar executivas de TI e preparar a próxima geração de mulheres para se tornarem CIOs. Por meio de mentoria individual e em grupo, o MCIO oferece suporte e orientação valiosos, abrindo portas para novas oportunidades de carreira. Já foram, até o momento, mais de 200 mulheres apoiadas pelo MCIO.

Em 2024, Ione deixará a liderança do MCIO para dar lugar a outra presidente. À medida que se prepara para encerrar seu ciclo atual, ela deixa um legado significativo na área de tecnologia e no apoio às mulheres em cargos de liderança. Sua mensagem final é clara: “não tenha medo de mudar, invista em aprendizado contínuo e seja gentil e consciente ao contratar e demitir”.

Com coragem e determinação, Ione segue abrindo portas e inspirando talentos a trilharem caminhos de sucesso na tecnologia. Ela desafiou estereótipos e se destacou em um setor predominantemente masculino. Sua coragem, resiliência e paixão pela tecnologia são um exemplo, especialmente para as mulheres que desejam seguir uma carreira na área. Ao compartilhar sua experiência e conhecimento, Ione continua a impactar positivamente a vida de muitas profissionais e a promover a igualdade de gênero na indústria da tecnologia.

*Esta é uma das reportagens da série Especial Dia da Informática 2023, celebrado em 15 de agosto. Confira aqui o especial completo.

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Déborah Oliveira

Editora-chefe e diretora de Conteúdo do IT Forum, Déborah Oliveira é jornalista com mais de 17 anos de experiência na área de TI. Tem passagens pelas redações da Computerworld, CIO e IDG Now!. Bacharel em Jornalismo, com graduação executiva em Marketing, e MBA em Marketing. Em 2018, foi vencedora do prêmio de melhor Jornalista de TI no Brasil, do Cecom. Em 2019 e 2020, foi destaque do mesmo prêmio na categoria Telecom. É uma das autoras do livro “Da Informática à Tecnologia da Informação – Jornalistas Contam Suas Histórias”, pela editora Reality Books, lançado em 2020.

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