Google doará R$ 5 milhões para Instituto RME treinar mais de 100 mil brasileiras

Foco das iniciativas apoiadas pelo Google são mulheres negras e cidadãs em situação de vulnerabilidade social

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11:15 am - 01 de março de 2023
mulheres desenvolvedoras, desenvolvedor, programador, código, programação, salários, carreira Imagem: Shutterstock

O Google anunciou nesta terça-feira (28), que o Google.org, instituição filantrópica do Google, doará R$ 5 milhões para o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME). O recurso se soma a outros R$ 10 milhões doados ao IRME no ano passado, durante o Google for Brasil, para viabilizar uma nova edição do Ela Pode, com foco no treinamento de mais de 100 mil brasileiras.

O objetivo da doação é apoiar o enfrentamento da desigualdade de gênero no mercado de trabalho e proporcionar independência financeira. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro semestre de 2022, 54% das mulheres com 15 anos ou mais integravam a força de trabalho no Brasil em 2019; entre os homens, o percentual chegou a quase 74%.

Durante o Ela Pode, as participantes são treinadas nas áreas de liderança e comunicação, negociação e vendas, finanças pessoais e empresariais, marca pessoal, networking, gerenciamento de tempo, autoconhecimento, inovação e digitalização. Além disso, mais de 800 participantes terão acesso a um financiamento de cerca de R$ 2 mil para investimento no próprio negócio.

Mais de 250 mil mulheres já foram treinadas pelo Ela Pode, na parceria entre Google e IRME. Segundo pesquisa realizada pelo IRME, em 2021, após a formação no programa, 85% das mulheres capacitadas disseram se sentir mais confiantes para exercer atividade econômica, 50% abriram um negócio, 75% apresentaram aumento de renda. Em 2023, o Ela Pode irá apoiar mais 100 mil mulheres, entre empreendedoras e aquelas que buscam recolocação profissional, promovendo novas oportunidades de crescimento e contribuindo para a redução das disparidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

“Queremos apoiar mulheres que lutam todos os dias para construir seus próprios sonhos, seja ao investir em sua carreira ou em sua empresa”, diz Maia Mau, diretora de marketing do Google Brasil. “São mulheres que já têm a força para mudar a sua realidade e só precisam de mais conhecimento e oportunidade para aumentar o seu impacto positivo no mundo.”

A prioridade é atender mulheres com pequenos negócios em regiões carentes. O programa pretende chegar a pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social e também ampliar a atenção às regiões Norte e Nordeste. A proposta da iniciativa ainda exige que 50% do público participante seja formado por mulheres negras.

“Geração de renda para mulheres é essencial para combater situações de violência. Programas, como o Ela Pode, são fundamentais para capacitar, conectar e apoiar financeiramente mulheres. Realizar este evento em Brasília é a demonstração de que a colaboração entre governos e sociedade civil mudam o jogo para elas”, diz Ana Fontes, fundadora do IRME.

Certificados Profissionais do Google

O Google também disponibilizará 12 mil bolsas para os Certificados Profissionais do Google, para que mulheres tenham outras oportunidades de desenvolvimento profissional e reorientação da própria carreira, melhorando o currículo e adquirindo as habilidades mais exigidas pelas principais vagas em aberto no mercado.

As bolsas serão distribuídas por 24 Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que foram mapeadas pelo IRME — cada uma receberá 500 bolsas. Atualmente, estão disponíveis, em português, as Certificações em Suporte de TI, Análise de Dados, Gerenciamento de Projetos e UX Design, por meio da plataforma Coursera.

Os cursos foram construídos para atender objetivamente à urgência de quem procura por emprego em áreas de alta demanda no mercado de tecnologia. As atividades são 100% on-line, com cronograma flexível e duração a depender da disponibilidade da aluna, e os certificados têm entre 140 e 200 horas de duração.

Desigualdade de gênero no Brasil

Segundo pesquisa salarial realizada pela Catho, em fevereiro de 2021, mesmo ocupando os mesmos cargos e com as mesmas funções, as mulheres chegam a ganhar até 34% menos que eles. Já em funções gerência elas chegam a ganhar 24% menos que os homens, por exemplo.

Ainda de acordo com uma pesquisa divulgada em novembro do ano passado pelo Google, as mulheres negras são o grupo mais desfavorecido financeiramente no Brasil hoje: 34% das afro-empreendedoras entrevistadas faturam até R$ 12 mil por ano, enquanto são a minoria (14%) entre os empresários que faturam acima de R$ 81 mil — 29% dos homens brancos têm faturamento acima dessa faixa.

A pesquisa ainda mapeou a relação dos empreendedores com o aprendizado: as mulheres tendem a se apoiar mais em cursos e vídeos on-line para buscar informações do que os homens: 40% das mulheres brancas e 41% das mulheres negras aprenderam as habilidades que usam no negócio por meio de vídeos gratuitos na internet.

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