FICO espera manter crescimento de dois dígitos na América Latina

Brasil é país mais importante da região e o que mais demanda soluções inovadoras

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1:05 pm - 18 de abril de 2024
José Augusto Gabizo, vice-presidente e diretor da FICO na América Latina

O grande diferencial da América Latina, para a FICO, é a inovação. E é essa característica que impulsiona um crescimento de dois dígitos nos últimos anos na região. Em entrevista, José Augusto Gabizo, vice-presidente e diretor da empresa na América Latina, durante o FICO World 2024, diz que 2024 já é um ótimo ano e comemora ter tido um 2023 excelente.

“As ações da companhia estão na alta máxima, e isso mostra como os analistas e o mercado estão vendo a nossa plataforma. Estamos em praticamente US$ 1.300 por ação, e isso é reflexo direto do que estamos lançando no evento”, revela ele.

Don Peterson, vice-presidente e gerente geral de vendas globais e sucesso do cliente da FICO, dá mais detalhes da importância da região. Ele explica que a empresa trabalha com quatro regiões, e que a América Latina, em termos de tamanho, está nos mesmos patamares que a Europa.

“A América do Norte é a nossa maior região e é a nossa região de origem. Estamos lá há mais tempo. Mas a Europa e a América Latina são grandes. Elas estão crescendo e têm algumas coisas em comum, mas existem desafios e oportunidades diferentes. A nossa menor região, o que é surpreendente, é a Ásia-Pacífico, mas isso é porque há alguns países grandes, como a China onde não estamos propositalmente”, reconhece Peterson.

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Portanto, diz ele, a América Latina é uma grande peça do quebra-cabeça. Além disso, é um celeiro de inovação para a empresa, que usa os países como inspiração para algumas de suas inovações. “No Brasil, em particular, os bancos são muito inovadores e muito agressivos em termos de disposição para adotar novas tecnologias e fazer coisas inovadoras”, assegura o VP.

Gabizo aproveita a oportunidade para frisar que a FICO está praticamente em todas as instituições financeiras privadas na América Latina, desde clientes que usam a plataforma para oferecer produtos até aqueles focados na prevenção de fraude. Por isso, o crescimento é impulsionado não somente pelos novos clientes, mas pela expansão de serviços em clientes já existentes.

Para Peterson, apesar de quanto maior a base de clientes, mais difícil obter a mesma taxa de crescimento fora da base, a FICO tem cerca de um quarto do número de total de contas globais que gostariam de ter na plataforma.

“Portanto, vemos muito espaço para crescimento para capturar vários outros clientes e, uma vez que os conseguirmos, há muitos casos de uso. Alguns deles têm um ou dois casos de uso, alguns têm mais do que isso. Eles têm um roteiro de todas as coisas que querem fazer e priorizam [seus projetos]. E nós os ajudamos a implementar e conseguimos parceiros para nos ajudar. Assim, podemos fazer mais ao mesmo tempo. Então eu vejo muito crescimento nessas duas dimensões: conseguir mais clientes, mas também aumentar os clientes que temos”, elabora Peterson.

Dentro deste contexto, o Brasil representa a maior parte da fatia latino-americano, com mais de metade da receita da região. Peterson, inclusive, afirma que são os clientes brasileiros os que mais demandam inovação da FICO no mundo. “Nós amamos os clientes brasileiros. Eles nos impulsionam e fazem muitos projetos incríveis.”

O VP da América Latina concorda ao dizer que o sistema financeiro brasileiro é muito bem estruturado e que o regulador ajuda a conduzir a inovação. “O Open Banking começou no Reino Unido, mas vemos que o caso de uso de Open Banking de maior sucesso no mundo é o do Brasil, é aquele que funciona e está realmente integrado”, exemplifica Gabizo.

Os desafios dos clientes brasileiros da FICO

Entre as principais dificuldades das instituições do Brasil, diz Gabizo, está a fraude. Esse é um tema latente, principalmente por causa do Pix. Desde que o sistema de pagamento instantâneo foi lançado, com a adoção mais rápida do mundo, foi criado um ambiente convidativo para os fraudadores.

“Os bancos estão trabalhando em projetos sobre como eles conseguem tomar uma melhor decisão de prevenção online em tempo real. Eles estão tentando, cada vez mais, ter um nível de análise mais rápido para tomar uma decisão mais rápida”, complementa ele.

Além disso, como consequência da pandemia, cresceram os casos de recuperação e inadimplência. Por isso, os bancos estavam tendo dificuldade de recuperar parte dessas dívidas, já que todos estão cobrando os mesmos clientes. Eles precisam ter uma inteligência melhor para saber como vai cobrar, seja procurando pelo canal mais adequado ou com uma oferta de produto de renegociação mais aderente.

Tema central do FICO World do ano passado, a hiperpersonalização ainda é um desafio. Gabizo enfatiza que muitos pensam em ofertas de produtos personalizadas, mas é preciso pensar no todo. No momento de cobrança, por exemplo, é necessária uma comunicação hiperpersonalizada para que o cliente faça o pagamento de forma efetiva.

“Mas está evoluindo. [Hiperpersonalização] é um dos temas mais fortes, não só na América Latina, mas no mundo. Mas são projetos que demandam muita informação do lado do banco. Fica difícil ter decisão individual se ele não tiver uma estrutura de dados pronta para isso”, pontua o executivo.

Com o conceito de data lake, isso começou a mudar. “Alguns bancos estão conseguindo juntar os dados em um lugar único para que possa ser consumido por todas as áreas. E consumido da mesma forma, com a mesma informação”, finaliza Gabizo.

*a jornalista viajou a convite da empresa

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Laura Martins

Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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