Quando eu conversei com Michelle Costa, superintendente de gestão e planejamento da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em um dos corredores do SAP Sapphire realizado em São Paulo nessa sexta (9), ela parecia genuinamente feliz. Isso porque a fabricante alemã de software corporativo, que apoia a entidade de proteção da floresta pelo menos desde 2015, anunciou durante essa semana o que representa uma nova fase em termos de transformação digital para a entidade.
Dentro de suas iniciativas de responsabilidade social, a SAP está doando um pacote de inteligência de dados para a Fundação. A suíte roda na Business Technology Platform (BTP) da empresa, e inclui soluções como o Data Warehouse Cloud (de armazenamento de dados), o Analytics Cloud e o Sustainability Control Tower.
Michelle Costa. Foto: Reprodução/LinkedIn
Essa última solução, aliás, será usada pela primeira vez na América Latina pela FAS – entre ONGs, é a primeira do mundo. O que o produto promete, segundo a SAP, é a possibilidade de usar dados para definir metas ESG, monitorando o progresso de iniciativas e obtendo insights de sustentabilidade confiáveis.
“Entender aquilo que funciona ou não funciona para promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia é um desafio muito grande. Disso depende a efetividade dos investimentos que fazemos, colocar o recurso certo na coisa certa”, explica Michelle. Para ela, o uso das soluções doadas trará “maior alcance dos objetivos, tanto institucionais, que é perpetuar a Amazônia viva com todos e para todos, quanto dos nossos programas e projetos, que estão dentro dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável [ODS].”
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Segundo a superintendente, a tecnologia não só provê capacidade para lidar com dados e analisar resultados, mas também confere maior transparência para aqueles que doam recursos para a entidade, além de parceiros e sociedade. E ela sonha: “traz esperança de que é possível ter um mundo melhor e promover desenvolvimento sustentável. Que a sustentabilidade não é só uma palavra”.
Michelle não se furta de comentar os desafios técnicos impostos. Afinal, é uma equipe pequena para atuar em toda Amazônia (135 pessoas no total, com apenas cinco responsáveis pela área de tecnologia, inclusive infraestrutura). Por isso a parceria com a SAP também inclui consultoria, treinamentos e mentorias para os gestores da ONG.
“Eu diria que se não tivéssemos o apoio que temos da SAP ao longo desses anos, principalmente o aporte desse ano, teríamos seríssimas dificuldades com a perspectiva de crescimento que temos”, pondera a superintendente. “Para 2023 nossa meta é duplicar a estrutura da FAS com os novos projetos já assegurados. Para a gente arrumar a casa é a coisa mais importante a fazer agora.”
Arrumar a casa significa consolidar 15 anos de dados históricos e informações replicadas para diferentes áreas.
Fundada em 2008 e com sede em Manaus (AM), a FAS é uma organização civil sem fins lucrativos que apoia projetos de desenvolvimento sustentável e que contribuam para a conservação da Amazônia. Atua em diversos países da América Latina que são “tocados” pela floresta, a maior do mundo, e impacta 25,8 mil famílias em 119 territórios, incluindo 918 aldeias indígenas.
Segundo a SAP, os dashboards e relatórios gerados pelas ferramentas doadas tornarão possível mapear com profundidade os recursos aplicados pela fundação, todos relacionados aos ODS da ONU. A ideia é consolidar informações coletadas em campo pela entidade durante toda sua existência, oferecendo visão histórica aos gestores e parceiros sobre a situação de cada programa apoiado.
“Não é só gerar relatórios. Eles [da FAS] precisam de ajuda para estruturar a base de dados, e fazer com que os projetos que conduzem façam sentido, com informações validadas e constantemente analisadas pelos times”, explica Junior Freitas, vice-presidente de BTP da SAP Brasil. “Estamos trabalhando na estrutura dos dados e conectando com Analytics Cloud para [que a FAS possa] olhar essas informações e tomar decisões inteligentes.”
A ONG usava até aqui o software SAP Lumira, doado em 2015, para monitorar dados de comunidades atendidas na região. O suporte desde então envolve doações de software, organização de voluntariado, consultoria, inclusão digital e mentoria a pequenos empreendedores de negócios sustentáveis via incubadora da FAS.
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