Cisco reforça Webex com ‘torre’ no Brasil e lança Connect

Estrutura local vai apoiar prestação de serviços de comunicação na América Latina e permitir oferta maior do portfólio Webex no País

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12:44 pm - 05 de abril de 2023
Ricardo Mucci, presidente da Cisco no Brasil, no paco do Cisco Connect. Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Mídia

Um reforço substancial na oferta brasileira do Cisco Webex, incluindo o lançamento de uma “torre” local, com uma estrutura em data center dedicada a oferecer serviços de comunicação unificada para o Brasil e outros países da América Latina. Segundo Ricardo Mucci, presidente da Cisco no Brasil, atualmente o portfólio de colaboração da empresa representa entre 10 e 12% das receitas da operação no Brasil.

O investimento foi anunciado pela Cisco nessa quarta-feira (5) durante o Cisco Connect, principal evento da empresa no País.

É o primeiro Connect presencial pós-pandemia, e a expectativa da marca americana era reunir cerca de três mil pessoas durante dois dias – tendo sido o primeiro deles, a terça (4), exclusiva para parceiros de canal e chamada de Partner Connect. Atualmente a empresa tem cerca de 1.700 parceiros no País, além de 400 funcionários.

A torre brasileira para o Webex, segundo Mucci, é a mais nova das 16 que a empresa detém em todo o mundo. Ela deve não só aprimorar a qualidade dos serviços oferecidos, mas também permitir a disponibilidade local de todo o portfólio de Webex por aqui, incluindo a plataforma low-code chamada de Webex Connect.

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“O Brasil até então estava ‘pendurado’ em uma torre nos EUA, porque era o caminho mais curto que tínhamos”, explicou Mucci à imprensa depois do keynote. “Por conta do crescimento do volume [de uso do Webex] na pandemia, passamos a ter um volume maior no Brasil e na América Latina. E o Brasil é estratégico em termos de conectividade, é um hub mais fácil de saída de cabos para Europa e EUA.”

O executivo não quantificou o investimento feito na estrutura, apenas disse que se trata de uma expansão em um data center já estabelecido no País e pertencente a um parceiro. O objetivo, segundo Mucci, é dar “mais agilidade e melhor qualidade em voz e vídeo”, além de expandir a oferta do portfólio Webex no Brasil.

“Quando falo de toda plataforma é, sim, toda. Já temos calling, toda parte de contact center, mensageria, voz de forma ampla. A América Latina passa a se conectar pelo Hub do Brasil, melhorando a experiência também nos países vizinhos”, explicou.

A presença da torre local também deve evitar reclamações de clientes sobre a indisponibilidade do Webex, o que aconteceu algumas vezes, segundo Mucci, por problema de conectividade entre a torre americana e os clientes na América Latina e Brasil.

Webex Connect

O Webex Connect é fruto principalmente da aquisição da britânica IMImobile pela Cisco, concluída em fevereiro de 2021. Segundo Mucci, a empresa tem potencial de transformar a forma como as empresas se comunicam através da nuvem. A aquisição (feita por US$ 730 milhões) tinha como principal objetivo declarado à época “melhor a experiência” dos usuários com integrações amplas com as principais ferramentas de comunicação e CRM.

Por isso o Webex Connect aposta em simplificação: a ferramenta é low-code, ou seja, exige pouca programação para funcionar. Aposta em “drag and drop” para integrar com facilidade o Webex com as ferramentas mais usadas pelas empresas, incluindo os CRMs mais vendidos do mercado, e pelas pessoas, com o WhatsApp, SMS, iMessenger e até o ChatGPT.

“Estamos trazendo para o Brasil também toda parte de captura, entendimento e transcrição de voz em português. [A ferramenta tem] 93% de assertividade. É o Webex Connect falando português”, disse Mucci.”

Cliente, segurança, saúde

O Cisco Connect não se limitou ao anúncio de produtos. No palco, Mucci também lembrou o lançamento de um hub em parceria com o Distrito e focado em segurança da informação, o CyberTech Brasil, que sustenta o Programa de Inovação Aberta CyberTech. O executivo ressaltou uma das palavras de ordem do evento – cibersegurança – e como o tema tem pautado as estratégias da Cisco globalmente.

“[O objetivo] é aglutinar iniciativa privada, governo e academia olhando todo arcabouço de inovação com startups e transformando a experiência de colaboração em cibersegurança no Brasil”, disse. “Segurança passa a ser chave em todo tipo de relação que temos. A hiperconectividade abre portas para problemas que antes não imaginávamos.”

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O investimento no hub faz parte de uma iniciativa maior, lançado um ano antes e chamada Movimento CyberTech Brasil, do qual “mais de mil pessoas já são membros”, disse Mucci.

A empresa também anunciou novos produtos de 5G surgidos de uma parceria com o Inatel – incluindo uma antena portátil e reconfigurável exposta no evento com objetivo de ampliar a cobertura 5G no País, chamado ‘5G in a box’. Também falou de um projeto de telemedicina com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), que aplica soluções de internet das coisas da Cisco em salas de cirurgia; e do uso dessas soluções para gerir cuidados oferecidos à pacientes crônicos.

“Nossa ideia é transformar a experiencia e levar a gestão e o cuidado com o paciente para fora do hospital, através de dispositivos que estão monitorando o paciente e fazendo o tratamento mesmo depois da saída do hospital”, contou Mucci.

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Laércio Albuquerque. Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Mídia

A segunda palavra de ordem da Cisco durante o Connect depois de cibersegurança foi experiência do cliente. Para a empresa, como resumiu Laércio Albuquerque, vice-presidente da Cisco para a América Latina, isso passa pela entrega sem entraves das aplicações aos clientes.

“É o mundo das aplicações. A principal preocupação das empresas é entregar uma aplicação rapidamente para o cliente, que tem a paciência de 1,8 segundos”, disse Albuquerque, sem citar exatamente a fonte do dado, mas ilustrando o imediatismo atual do consumidor. “A experiência do cliente passa a valer mais do que o branding.”

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Marcelo Gimenes Vieira

Editor do IT Forum. Jornalista com 12 anos de experiência nos setores de TI, telecomunicações e saúde, sempre com um viés de negócios e inovação.

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