EXCLUSIVO: Avanade aposta suas fichas em Inteligência Artificial responsável

Em entrevista ao IT Forum, CEO e Chief AI Officer da empresa falam sobre escola para colaboradores, novos cargos e laboratório de pesquisa

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8:40 am - 02 de abril de 2024
Pamela Maynard, CEO da Avanade e Florin Rotar, Chief AI Officer da Avanade Pamela Maynard, CEO da Avanade e Florin Rotar, Chief AI Officer da Avanade

Está claro para a Avanade que a Inteligência Artificial não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas uma mudança sem volta que englobará se não todas, quase todas as inovações daqui para frente. Com isso em mente, Florin Rotar, Chief AI Officer da Avanade, explica que a empresa decidiu criar a School of IA para dar chance para que todos os colaboradores da empresa para aprimorar seus conhecimentos sobre IA. O porquê, diz ele, é pela importância de pensar que a tecnologia não é apenas algo para aumentar a produtividade ou cortar custos, mas algo que engloba toda a visão da companhia.

“Em nossa visão, isso é algo que capacita todos os funcionários para se tornarem uma versão melhor de si mesmos, alcançando alturas que eles talvez não imaginassem que seriam capazes de fazer. Depois de fazer isso, você obtém muitos benefícios em torno da produtividade. Estamos fazendo isso porque realmente acreditamos que as pessoas precisam confiar na tecnologia, confiar na IA, elas precisam confiar que a inovação está acontecendo com elas. E então você pega pessoas. Quando você confia, você obtém adoção em escala e quando você tem adoção em escala, você obtém valor com isso”, resume o executivo.

A School of IA possui, por exemplo, métodos sobre IA responsável, no qual são ensinados os princípios, as práticas e as ferramentas usadas pela Avanade para garantir que a IA esteja alinhada com as culturas, princípios e valores da companhia. Também há treinamento em resposta a prompts, habilidade que Rotar acredita ser tão importante hoje quando já foi saber escrever um e-mail.

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Depois, há a formação em torno dos fundamentos da resposta da IA generativa, não de uma perspectiva tecnológica, mas conceptualmente sobre as suas limitações. E o seu potencial para que as pessoas comecem a pensar que esta é uma tecnologia que pode ajudá-las, mas não as substituir.

Pamela Maynard, CEO da Avanade, complementa ao dizer que o treinamento evoluirá continuamente. “Porque a tecnologia está se movendo muito rápido. Estamos olhando para algo que aprimora o treinamento para trazer outros aspectos da IA à medida que a tecnologia da IA evolui. Então, por exemplo, haverá um módulo sobre modelos de linguagem pequena versus modelos de linguagem grande.”

Avanade investe em laboratórios de pesquisa

A Avanade também está trabalhando com a OpenAI há três anos e, há um ano, abriu um laboratório na Malásia apenas para estudar Inteligência Artificial Generativa. Esse centro de IA busca mover a empresa com rapidez, ajudando a chegar a um nível certo de IA responsável.

“Acreditamos que isso é totalmente inegociável. Todos precisam saber que precisamos seguir a IA responsável. Será um grande problema se não o fizermos, mas também será um enorme diferencial competitivo se o fizermos corretamente. Então, algumas coisas são centralizadas, mas também temos muito orgulho das iniciativas nas geografias, porque os países evoluem em velocidades diferentes, por exemplo, na Europa, com a regulamentação. No Brasil, temos alguns dos melhores e mais ambiciosos exemplos de clientes”, revela Rotar.

A centralização dos esforços de pesquisa, diz Pamela, também ajuda a aproveitar as experiências com os clientes em diferentes setores para aprender e implementar em todas as áreas.

“Há oportunidades em vários setores. Portanto, algo que funciona muito bem, por exemplo, em serviços financeiros também pode ser aplicável como uma lição em telecomunicações, na perspectiva de atendimento ao cliente, por exemplo. E para que você saiba, ter essa equipe centralizada nos ajuda a sermos capazes de acompanhar nossos clientes rapidamente nessa jornada também”, complementa a CEO.

O futuro, apesar de ser difícil de prever, é visto com otimismo pelo Chief AI Officer. Para ele, nos próximos meses e anos, poderemos ver a IA sendo usada para resolver alguns dos maiores problemas da humanidade e da sociedade em torno da educação, cuidados de saúde, igualdade financeira e estabilidade financeira.

Além disso, segundo o especialista, haverá a democratização do poder. Coisas que estavam disponíveis apenas para um punhado de empresas, as maiores e mais ricas, estão agora disponíveis para milhões de organizações e bilhões de pessoas. “Acho que isso vai acelerar todo um ciclo de inovação, de criatividade e de capacitação de indivíduos.”

Aproveito a oportunidade para provocar se realmente faz sentido criar um cargo de liderança apenas para Inteligência Artificial, ou se isso poderia ser apenas parte de um hype. Rotar passa a resposta para Pamela, que com muita segurança afirma que, ao escolher o executivo como Chief AI Officer, coloca a Avanade como uma disruptora da própria tecnologia.

“A minha escolha pela Avanade é que quero que sejamos os disruptores e que mostremos como podemos ser disruptivos através da tecnologia. E para mim, portanto, queria nomear alguém estrangeiro como nosso diretor de IA para ser o ponto da nossa estratégia em torno de ambas as agendas”, declara Pamela.

Rotar concorda ao dizer que o tópico de Inteligência Artificial tem uma dimensão tecnológica muito forte, mas também de negócios, operações, jurídico, entre outras áreas. “Eu costumava ser o CTO antes, mas agora, passo a maior parte do meu tempo em tópicos relacionados a pessoas, organização e valores. Mas, ainda faço a parte da tecnologia também. Portanto, acho que a diferença em relação às tecnologias anteriores é que não creio que tenha havido algo que realmente exigisse que literalmente todas as partes da empresa trabalhassem juntas para mudar a maneira como ela pensa e a maneira como opera.”

Por fim, pergunto à Pamela como ela se sente sendo uma mulher negra encabeçando todas essas mudanças em uma empresa global. Ela afirma ser um desafio, mas que se sente muito inspirada por essa jornada.

“Eu carrego essa responsabilidade com um senso de orgulho. E é por isso que trabalhei arduamente no meu papel como CEO da Avanade para criar uma plataforma e uma oportunidade para outros crescerem de uma forma que nunca sonharam que poderiam crescer, exatamente onde podem prosperar. Eles podem aproveitar oportunidades que jamais imaginaram que lhes seriam apresentadas, exatamente da mesma forma que a Avanade criou essas oportunidades para mim. E é preciso fazer isso de uma forma que seja inclusiva, correta e inspire outras pessoas que são diferentes para ingressar na nossa empresa”, finaliza Pamela.

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Laura Martins

Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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