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Healthtechs crescem na pandemia, mas ainda buscam por mercado saudável

Por Tiago Alcantara

Vivemos em um mundo diferente. Dá para dizer, sem muito medo de errar, que a pandemia acelerou uma tendência que ainda era vista com certa desconfiança pelo público. Se, antes, aquele seu primo fazia sessões de terapia de forma remota e era olhado com certa descrença, o confinamento fez com que uma série de pacientes procurassem atendimento virtual.

Um exemplo é a startup Zenklub, que lançou uma iniciativa com voucher de R$ 1 para sessões de atendimento de 30 minutos. Deu certo, a empresa registrou uma alta de 400% no número de empresas parceiras que disponibilizaram o serviço para seus funcionários ou mesmo clientes como um benefício. Outro exemplo recente é a startup Sami, que captou R$ 86 milhões e espera se tornar uma espécie de “Nubank dos planos de saúde”.

A saúde das healthtechs

Seguir o dinheiro parece um boa forma de entender a razão para o caráter estratégico dessas novas companhias. O campo já chama atenção como um setor para onde os investimentos são direcionados. Entre 2014, as startups voltadas para saúde receberam investimentos na casa de US$ 400 milhões. Boa parte desse montante se deve aos aportes recebidos pela Dr. Consulta, startup que sozinha levantou US$ 180 milhões.

De acordo com dados da Distrito HealthTech Report, nos três primeiros trimestres deste ano, aconteceram 38 rodadas de investimento. Somando um total de US$ 68,7 milhões. É inegável que o papel das healthtechs foi ressaltado desde o início da pandemia. Essa exposição é extremamente benéfica, de acordo com o CEO e cofundador da empresa de inovação aberta Distrito, Gustavo Araujo.

“Sabemos que um dos princípios do empreendedorismo é a validação de um produto ou serviço antes de escalar sua solução, o período de pandemia influenciou positivamente neste sentido visto que muitas healthtechs puderam oferecer suas soluções a um público carente das soluções tradicionais no mercado”, aponta Araujo.

Boom de startups de saúde

Um dos mercados mais influenciados neste sentido é o da telemedicina. A necessidade de realizar as consultas durante os momentos de isolamento mais intenso serviram como essa prova de que as startups podem ter um papel fundamental.

O CEO do Distrito também aponta o crescimento em outros mercados: acesso a informação, desenvolvimento de testes para atendimento em domicílio, soluções de digitalização de processos hospitalares e clínicos, dentre os exemplos de segmentos em crescimento.

“Acreditamos que o crescimento no número de startups é uma consequência do que vemos sendo construído nos últimos anos, investidores nacionais e estrangeiros interessados em investir em soluções do setor, reguladores passaram a entender a necessidade de acelerar o processo de implementação de novas tecnologias no mercado, grandes empresas interessadas cada vez mais em desenvolver soluções em conjuntos com tais empresas, esses são alguns dos fatores que mostram o potencial do mercado nos próximos anos”, afirma o CEO do Distrito.

Nesse sentido, o principal reflexo da pandemia nas healthtechs não deve ser apenas no surgimento dessas novas iniciativas, mas na relevância que esse tipo de companhia passa a ter para profissionais, governo e população. Araujo aposta em três mercados com potencial para o futuro: ferramentas de acesso à informação, relacionamento com o paciente e AI & BigData.

Regulação ainda é desafio

Um dos principais desafios para as healthtecs segue sendo a regulação. Afinal, juntar a preocupação com a saúde e a necessidade de novas soluções e tecnologias sempre será um desafio para o setor. Os benefícios trazidos durante a pandemia podem ajudar a fazer com pacientes e empresas passem a dar uma atenção mais básica aos serviços disponíveis.

Um caso que pode ajudar nesse sentido é já citada telemedicina. “O momento de pandemia elevou muito a discussão acerca do uso de telemedicina e trouxe à tona uma deficiência no mercado que somente tais soluções podem atender no momento”, explica Araujo.

Aproveitar essa fama para criar pontes com o setor público também é um objetivo em vista de boa parte das companhias mapeadas pelo Distrito. No ano passado, a ONG Contas Abertas fez um levantamento ao lado do Conselho Federal de Medicina e revelou que o setor público gastou R$ 292 bilhões no setor de saúde. O valor ainda é baixo se comparado com outros países que também oferece um sistema único de saúde, como Canadá, Espanha, França e Reino Unido.

O cenário também revela uma oportunidade para as healthtechs brasileiras de servirem como um remédio para a desnutrição de tecnologia do segmento no país.