Mudança cultural: primeiro passo para a transição ao modelo ágil

Agilidade exige equipes focadas em gerar valor e um líder dedicado, preparado para remover obstáculos e ajudar o time a alcançar o sucesso

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3:45 pm - 30 de setembro de 2020

Boa parte dos modelos organizacionais mais conhecidos tem algo em comum: uma estrutura vertical, com silos bem definidos e uma linha de comando piramidal, na qual as decisões são tomadas de cima para baixo. Felizmente, uma nova era surgiu para mudar esse cenário, ajudando a transformar muitos negócios, a partir da implementação de novas práticas. Entre os conceitos, novidades como o valor do negócio, o manifesto ágil, as reuniões de revisão, times de desenvolvimento, quadro de equipes e uma série de outros pontos essenciais para que as companhias mergulhassem de cabeça em um novo mundo.

Apesar dos departamentos de TI terem sido os primeiros impactados por esses novos conceitos e metodologias, foi necessário estender essas dinâmicas para os demais setores das organizações. Uma tentativa de diminuir possíveis gargalos na transição dos modelos de gestão e estruturas organizacionais legadas para o que o mercado conhece hoje como organização ágil. Sem o envolvimento de todo o time, de ponta a ponta, algumas necessidades empresariais podem deixar de ser atendidas, o que gera um enorme impacto nos negócios quando se lida com clientes cada vez mais dinâmicos e exigentes, que demandam produtos completos em uma velocidade mais rápida do que nunca.

Para endereçar esse paradigma, as organizações precisam ser completamente ágeis, com cada célula do processo funcionando como uma startup, com missão e autonomia. A agilidade também exige equipes focadas em gerar valor e um líder dedicado, preparado para remover obstáculos e ajudar o time a alcançar o sucesso.

Modelo operacional de última geração

A agilidade empresarial é um modelo simples. Criado pelo Business Agility Institute, é composto por 12 domínios de interação em quatro dimensões – Relacionamento, Liderança, Indivíduos e Operações – focadas no consumidor. Considerado “um modelo operacional para a próxima geração de organizações”, o conceito permite melhorar a velocidade para lançar produtos no mercado e, consequentemente, o sucesso na empreitada. Isso é possível porque a metodologia ajuda a criar maneiras melhores de trabalhar, aumentando a colaboração e a satisfação dos funcionários por meio de uma liderança adaptativa e de um mindset ágil. Uma equação que vai resultar na satisfação dos clientes.

O consumidor, aliás, é o coração da agilidade empresarial, sendo o centro de todas as decisões e ações. Em torno dele flutuam outras células que complementam as dimensões essenciais do conceito ágil e que precisam trabalhar em sinergia. Na dimensão do Relacionamento, por exemplo, é preciso um contato aberto entre os líderes da organização, sempre pensando no cliente e no sucesso no longo prazo, com foco em grandes apostas e não apenas em vitórias imediatas.

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Para alcançar esta meta, é preciso contar com uma equipe empoderada, formada por indivíduos motivados, alinhados à missão e à cultura da empresa. Também é fundamental ter o suporte de parcerias forjadas sob a flexibilidade e guiadas pelo valor dos clientes.

A dimensão da Liderança, composta pela Gestão de Pessoas, exige que líderes recrutem e contratem profissionais que apresentem um forte potencial, além de mentalidade focada para o trabalho em equipe. São perfis voltados a esforços criativos colaborativos, capazes de atingir metas compartilhadas que abrangem funções, equipes e divisões dentro da organização. A agilidade estratégica é uma condição para a liderança, que deve ser capaz de estabelecer e comunicar claramente uma decisão, além de empoderar os times para identificar oportunidades de execução potencialmente inovadoras.

Mentalidade de crescimento e agilidade empresarial

A dimensão de Indivíduos está orientada para a mentalidade de crescimento: pessoas abertas ao aprendizado e desenvolvimento pessoal contínuo. A equipe deve ser formada por profissionais confortáveis em operar e tomar decisões em um ambiente dinâmico e ambíguo sem receio de falhar. A excelência na produção é necessária para melhorar continuamente, conferir maior valor e permitir que sejam aproveitadas as melhores oportunidades para os clientes.

Fechando o ciclo das dimensões da organização ágil, Operações traduz a agilidade estrutural, que exige a capacidade de organização para criar coalizões ou mudar estruturas conforme necessário. Essa dimensão demanda agilidade de processos, exigindo que as operações se adaptem e evoluam continuamente para criar valor para os clientes. A agilidade empresarial depende de estruturas de governança operacional, que possibilitam a busca constante por novas oportunidades.

Percorrer todo esse caminho, envolvendo e dando atenção a cada uma das dimensões, é o que torna uma empresa realmente ágil. O modelo proporciona uma matriz de maturidade que ajuda a medir a evolução da organização, mensurando quanto a companhia já conseguiu avançar na jornada. O objetivo é chegar ao patamar das Organizações Exponenciais (ExOs), assim chamadas por serem dez vezes melhores e mais rápidas do que outras. São empresas, como Google, Airbnb, Uber e Spotify, que se diferenciam por fazer referência ao conceito de significado para “Enorme Propósito Transformador” (MTP, na sigla em inglês). Alcançar esse nível de desenvolvimento, no entanto, precisa estar acompanhado de uma mudança fundamental de mindset.

Para estabelecer um mindset ágil é necessário ser e agir de maneira ágil, algo que exige disciplina, dedicação e compromisso. Na prática, ser ágil está muito mais ligado com a cultura da organização do que ao que está sendo, de fato, executado pelos times. Por isso, a importância de expandir a cultura que está por trás das práticas organizacionais, fomentando sua compreensão e disseminação em todos os níveis da empresa.

As transformações geralmente falham quando as companhias focam apenas em seus investimentos em processos de transformação (agilidade de processo) ou estrutura organizacional (agilidade estrutural), pois assim acabam negligenciando o restante do negócio, que eventualmente permanece em desequilíbrio. Por isso, para uma transição ao modelo ágil bem-sucedida é necessário entender e enxergar as empresas como um todo, como organismos vivos que interagem uns com os outros.

 

* João José Silva é Territory Service Manager na Red Hat

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