Windows 8: não vamos preparar seu funeral

A Microsoft negou efetivamente a morte prematura de seu Windows 8. Tami Reller, executiva do sistema operacional, disse à audiência na Credit Suisse 2012 Annual Technology Conference que a fabricante já havia vendido 40 milhões de licenças Windows 8 no primeiro mês de disponibilidade geral. Além disso, as atualizações estão mais rápidas que as atualizações para o Windows 7 – o sistema operacional mais popular até o momento – em seu primeiro mês no mercado.
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Achei essa notícia animadora. Quando mencionei para minha esposa os inúmeros rumores e relatórios de que o Windows 8 estava à beira da morte, ela respondeu: “Sério? Mas ele não acabou de ser lançado?”
Sim, acabou. Mas há uma mentalidade meio hollywoodiana em relação a grandes lançamentos tecnológicos: se as pessoas não formam fila para comprar, é um fracasso. Acho essa mentalidade errônea. Os clientes do Windows – eu, inclusive – não estão pagando o valor de uma entrada de cinema para duas horas de entretenimento. Estão comprando um software e em muitos casos, um hardware, também, que fará parte da vida dele por pelo menos dois anos (ou se você ainda usa o XP, muitos anos). Então, por que a pressa?
Especialmente para pequenas empresas, não faz muito sentido pagar por uma taxa de adoção inicial. Quando recentemente ditei minhas razões para evitar o Windows 8 no lançamento, observei que se fizesse a atualização em algum ponto, a decisão seria motivada pela compra de hardware. Muitas das novidades de hardware ainda não surgiram e o que está disponível, é relativamente caro. Isso apenas afirma a razão de que o hardware – isso para não mencionar os aplicativos e o próprio SO – ainda melhorará com o tempo.
Essa é a minha opinião como usuário comum, mas empresas que migrarem para o Windows 8 também devem considerar uma atualização e hardware – PCs de toque e tablets, principalmente – para uma implantação otimizada. E além do hardware, há o fato básico de que a interface de usuário com pensamento móvel do Windows 8 exige que a maioria das pessoas deixe de lado seus hábitos tradicionais com PCs.
Em outras palavras, ainda levará um tempo para saber se o Windows 8 irá ter sucesso com empresas, consumidores ou com os dois. O problema não é necessariamente com o sistema operacional e as mudanças que ele traz. O problema é que “ainda levará um tempo” não é um ditado popular no negócio tecnológico ou em qualquer outro negócio nos dias de hoje.
Talvez seja ingenuidade se irritar com a impaciência “seja grande, ou vá para casa” que é tão penetrante na indústria. Os empresários não são filantropos (até mesmo Bill Gates tem a fama, talvez apenas lendária, de uma vez ter se dirigido a um executivo em uma reunião e dito: “por que você não desiste de todas as suas opções e se junta ao Corpo da Paz?”). Mas acredito que seria irreal esperar que o Windows 8 seria um sucesso do dia para a noite.
De certa forma, 40 milhões é um número baixo nos termos da Microsoft: a empresa vendeu 630 milhões de licenças do Windows 7 mundialmente. Alguns dos relatório lançados devem, sem dúvida, ter gerado reuniões tensas nas salas de Redmond sobre consumidores e frentes de negócios. A empresa ainda tem muito a recuperar na área de dispositivos móveis; a Apple e o Google já estão bem à frente. Apesar de a Microsoft ter se gabado de que a Windows Store abriu com mais aplicativos do que qualquer outra loja no lançamento – e, subsequentemente, dobrou o repertório – ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar as ofertas dos dispositivos iOS ou Android. Esse é um grande obstáculo com consumidores a curto prazo. Na verdade, Walt Mossberga, um reverenciado analista tecnológico, listou a falta de aplicativo como um dos dois pontos contra o Lumia 920, da Nokia, que executa o Windows Phone 8.
O Windows 8 enfrenta desafios também no mundo corporativo – um mundo onde o Windows ganhou muito durante os anos e continua a dominar a parcela de mercado de PCs. É plausível que a Microsoft terá que lançar uma versão “Windows Classic” ou Windows 8.5 para adiantar a adoção de empresas, muitas das quais ainda estão implementando o Windows 7.
Mas os 40 milhões sinalizam que é cedo começar a cavar uma cova para o Windows 8 ao lado da sepultura do Vista, no cemitério tecnológico. Então o Windows 8 não é um sucesso instantâneo. E daí? Pode ser uma história de sucesso. Talvez só preciso de tempo.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
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