Sberbank oferece IA soberana a países do Sul Global

Banco russo vê demanda por modelos de IAl treinados com conteúdo local em países que buscam reduzir dependência tecnológica

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6:03 pm - 03 de junho de 2026
Imagem: Shutterstock

O Sberbank, maior banco da Rússia, está oferecendo modelos de inteligência artificial (IA) a países do Sul Global interessados em desenvolver sistemas próprios e reduzir a distância em relação às grandes potências tecnológicas, segundo reportagem da Reuters publicada nesta quarta-feira, 3 de junho. A proposta mira governos da América Latina, África, Ásia e Oceania que buscam alternativas de IA soberana, com treinamento baseado em conteúdo local e maior alinhamento a seus contextos culturais, regulatórios e estratégicos.

De acordo com a Reuters, Alexander Vedyakhin, primeiro vice-CEO do Sberbank, afirmou que há demanda relevante por esse tipo de tecnologia entre países que desejam construir IA própria, mas não têm recursos suficientes para desenvolver modelos de grande escala. O executivo disse à agência que, na fase inicial, esses sistemas podem ser mais lentos e menos avançados do que modelos como os da Anthropic, Grok ou DeepSeek, mas teriam como diferencial a adequação aos valores e necessidades locais.

A estratégia ocorre em um mercado global de IA concentrado nos Estados Unidos e na China. A Reuters informa que a Rússia está atrás dessas duas potências na corrida por inteligência artificial, enquanto o Sberbank e a empresa russa Yandex trabalham para acelerar o desenvolvimento de seus modelos GigaChat e YandexGPT. Para o banco russo, a demanda por modelos treinados com dados e conteúdos locais tende a crescer em países que discutem privacidade, soberania digital e dependência de tecnologias estrangeiras.

A oferta também reflete uma disputa em torno da chamada IA soberana, conceito que ganhou espaço entre governos preocupados com o uso de dados sensíveis, influência cultural embutida em modelos estrangeiros e controle de infraestruturas críticas. Segundo a Reuters, a Rússia tenta posicionar sua tecnologia como opção para países emergentes que querem se beneficiar da IA e superar limitações de infraestrutura digital.

Custos de IA em modelos menores e especializados

Vedyakhin afirmou à Reuters que a evolução da inteligência artificial deve caminhar para modelos mais compactos e especializados, capazes de resolver problemas específicos sem consumir recursos desnecessários. Na avaliação do executivo, nem todo sistema precisa operar com bilhões de parâmetros ou dominar funções distantes de seu objetivo central. Ele citou como exemplo um modelo usado para análise de crédito, que não precisaria ter capacidades amplas, como compreender dialetos raros ou produzir referências literárias.

Segundo o executivo, o setor chegou a um ponto de saturação em relação ao tamanho dos modelos. Para ele, usuários e empresas tendem a buscar soluções com custo mais razoável e aplicação direta a problemas concretos, o que torna a compressão de modelos uma etapa importante da próxima fase da IA. A Reuters informa que essa visão está ligada à tentativa de reduzir consumo computacional e tornar a inteligência artificial mais acessível a economias com infraestrutura limitada.

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A reportagem também aborda os limites tecnológicos enfrentados pela Rússia. Durante visita de Vladimir Putin à China, em maio, o CEO do Sberbank, German Gref, discutiu a compra de chips chineses para apoiar o GigaChat, em meio às sanções ocidentais que restringem o acesso russo a hardware avançado.

Vedyakhin disse à Reuters que uma das razões da força da Nvidia no setor está no CUDA, software de programação de chips que se tornou padrão para grandes modelos de linguagem. Ainda segundo a Reuters, Vedyakhin estimou que a inteligência artificial pode elevar a produtividade entre 11% e 22% em alguns setores da economia russa e redistribuir mão de obra para áreas como construção.

O executivo relatou que pediu a sua equipe o desenvolvimento de um robô de assentamento de azulejos com IA, atualmente em testes, mas observou que a tecnologia ainda depende de superfícies preparadas por humanos para operar de forma eficiente.

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Redação

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