Ubuntu para telefones: lindo, elegante e condenado

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8:56 am - 08 de janeiro de 2013

A Canonical (fabricantes do Ubuntu Linux) mostrou na semana passada um vídeo promocional… não, não é apenas outra versão do Ubuntu, mas sim um telefone com base no sistema operacional open source.

Pausa para o silêncio.

Assisti ao vídeo (veja abaixo) e tentei, em vão, entender qual a estratégia por trás disso, além de o projeto de software de estimação entrar em como outra forma de interação que ganhará pouca ou nenhuma popularidade com ninguém além de profissionais de TI.

Não que não seja atraente. A metáfora do UbuntuPhone é bonita,  gostei da combinação da tela de entrada com a de bloqueio e a exibição de usage-sorted (forma de descobrir quanto espaço de disco há em cada pasta e em cada diretório; característica de distribuição  Linux; N. da T.). Mas nada disso é tecnologia exclusiva – nada diz que as inovações na interface de usuário do UbuntuPhone não podem ser aplicadas em qualquer outro lugar (o sistema de tile do Windows Phone é parecido e talvez até mais preciso).

 

O problema, em minha opinião, é simples: O Ubuntu chegou demasiadamente tarde para uma festa que já terminou.

Exceto por uma descoberta radical de um nicho de uso não visualizado anteriormente, o mercado de smartphones já está lotado. Há as pessoas do iOS que querem os aparelhos e podem pagar por eles; há a galera do Android, que quer ter mais escolhas de dispositivos (e não quer gastar tanto); há a RIM e o BlackBerry, apesar de ninguém poder adivinhar até quando; e há o Windows Phone, que… bem, veremos que tipo de mercado a Microsoft consegue assustar com isso. A Canonical não traz nenhuma novidade para essa corrida além de aparência.

A ironia é que enquanto eu escrevo essas palavras, já posso visualizar um plano de ataque que talvez funcione. Usar o UbuntuPhone (ou seja lá qual nome ele for ter) para tirar a RIM do cenário e possivelmente também o Microsoft Exchange. O oferecimento do U-Phone para empresas tanto como um conjunto de dispositivos client quanto uma aplicação de mensagens de servidor que pode executar em um hardware único ou em máquina virtual (ou ainda melhor, oferecer instâncias de hospedagem em nuvem do servidor). A Canonical tem muita experiência na criação de interação de servidor de seu sistema operacional; por que não usar isso para tirar um competidor moribundo da jogada, em vez de tentar entrar no mercado que já está delimitado?

Resposta: Porque isso consistiria em admitir que não podem concorrer com os grandes competidores, aí está o motivo.

É o sonho de qualquer vendedor de Linux em algum momento de seu ciclo de vida, seguir nessa linha. A Red Hat deu alguns passos nessa direção, mas depois sabiamente decidiu se concentrar no lado do servidor e o resultado é um pequeno negócio sólido para a empresa. Vários terceiros tentaram colocar as distribuições Linux em pacotes de varejo e oferecê-lo como competidor do Windows. Todos falharam. A Canonical foi a que chegou mais perto de pegar uma parcela, mas somente porque trabalharam mais na aparência do pacote e não por criarem uma plataforma que tem sua própria proposta de valor, da forma que o Android faz.

O Android é o máximo de versão Linux para consumidor que chegaremos. Lidem com isso. O Google suou muito para transformar o Linux em um produto de consumo, não apenas por deixá-lo relativamente fácil de usar (digo “relativamente” somente porque as primeiras versões do Android eram horríveis), mas também por criar uma plataforma de aplicativos.

Não que não haja cultura de utilização do software Linux, apenas que a cultura de aplicações Linux tem bem nos a oferecer ao usuário de telefone do que a Google Play (loja de aplicativos do Android). Em grande parte por causa do grande número de aplicativos, e também por que a plataforma oi construída desde o princípio tendo em mente o ambiente móvel.

Não fiquei completamente louco pelo Android quando ele surtiu. Mas nos últimos dois anos, mais ou menos, os aparelhos da plataforma se tornaram uma força a ser reconhecida. Sua execução e aparências são ótimas, há inúmeros aplicativos (com sua maioria sendo gratuita, em vez de ser igual os do iOS, que tem vários pagos) e a fragmentação e inconsistência entre os dispositivos está se tornando um problema menor nos últimos anos.

Se a Canonical quer chegar em algum lugar com esse projeto – e eles alegam que terão telefones sendo lançados em 2014 – precisam ser realistas sobre a maturidade do mercado e até onde podem chegar. Não se pode apenas jogar telefones ao público.

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini

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