Twitter anuncia mudanças nas regras para desenvolvedores

Alterações na próxima API (Interfaces de Programação de Aplicativos, em tradução livre) do Twitter deverão restringir aplicações focadas no consumidor e favorecer aquelas voltadas para empresas, de acordo com informações do blog da companhia, liberadas nesta quinta-feira (16/8).
A versão 1.1 da API do Twitter está prevista para as “próximas semanas”, escreveu Michael Sippey, gerente de produtos da rede social. Desenvolvedores terão seis meses para migrar suas aplicações para a nova API, completou.
As alterações técnicas serão feitas com a intenção de aumentar o número de aplicações centradas na gestão da relação com o cliente, na integração de mídia, na análise social e no ranking de influência social.
“Cerca de dezoito meses atrás demos orientações aos desenvolvedores para que eles não criassem aplicativos para clientes que imitassem ou reproduzissem a principal experiência dos consumidores com o próprio Twitter”, escreveu Sippey, citando aplicativos como Tweetbot, Echofon, Storify e Favstar.fm.
Entre as modificações significativas estão limites sobre quantos tokens o Twitter garantirá às aplicações, para que as apps extraiam dados de usuários. A rede social permitirá que aplicativos dobrem sua contagem de tokens. Depois disso, desenvolvedores não serão mais capazes de adicionar usuários sem a permissão do Twitter.
Desenvolvedores que criam aplicativos, que pedem acesso a informações como timelines e configurações de conta, e esperam precisar mais de 100 mil tokens terão de pedir aprovação para o Twitter também. Mesmo para grandes bases de usuários, como as com mais de um milhão de tokens, “vamos exigir que você trabalhe diretamente conosco”, escreveu Sippey.
“Uma das principais coisas que aprendemos ao longo dos últimos anos é que quando os desenvolvedores começam a exigir um volume crescente de pedidos de API, podemos orientá-los em direção a áreas que tenham valor para os usuários e para os negócios”, escreveu Sippey.
Interessada em criar uma experiência de usuário mais consistente, a rede social também vai impor novos “requisitos de exibição”. Esses requisitos incluirão tweets adequadamente baseados no dispositivo em que o aplicativo é usado, apresentando ações como ‘responder’, ‘retuitar’ e ‘favorito’ e ligando o @usernames ao perfil adequado.
O anúncio já causou certa ansiedade naqueles que têm o Twitter integrado com aplicativos.
“O Twitter deixou um monte de regras vagas”, escreveu Marco Arment, do Instapaper – um aplicativo que salva páginas da web para serem lidas em outro momento -, em seu blog. “Efetivamente, o Twitter pode decidir se o seu aplicativo está quebrando uma regra (potencialmente vaga) a qualquer momento, ou eles podem adicionar uma nova regra a qualquer momento, sob a qual seu app, inadvertidamente, quebre e revogar seu acesso à API.”
“Claro, eles sempre tiveram esse poder”, escreveu Arment. “Mas agora sabemos que eles vão usá-lo de maneiras que nós realmente não concordamos.”
Sippey escreveu que a rede social quer incentivar aplicativos para negócios, citando como exemplo o Crimson Hexagon, o qual cria relatórios do Twitter para fins mercadológicos; Topsy, uma plataforma para a análise de notícias; e DataMinr, que oferece análises do Twitter para o setor financeiro.
“Vimos uma tremenda inovação em aplicativos e serviços que atendem ao mercado de negócios com produtos de análise com base no conteúdo do Twitter”, escreveu Sippey.
