Três exemplos de CIOs abertos à inovação

O que eles e as empresas brasileiras para as quais trabalho têm feito para amplificar suas estratégias inovadoras a partir do relacionamento com o empreendedorismo

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7:43 am - 30 de outubro de 2015

O mundo de negócios exige respostas cada vez mais rápidas das
organizações. Conseguir transformar tecnologias em alavancas de
oportunidades e diferenciais competitivos se tornou um desafio para
todas as empresas, independentemente do setor econômico onde se situam.
Cada vez mais, as companhias abrem seus braços para capturar novidades
que surgem em um efervescente ecossistema de startups e desenvolvedores
independentes.

De eventuais ameaças a modelos estabelecidos de negócios em mercados
sólidos, essas empresas nascentes e profissionais criativos com
propostas disruptivas passam a entrar nas estratégias corporativas de
inovação de grandes bancos, montadoras, gigantes de telecom, provedores
de serviços de saúde e até governos. A ideia é que essa abordagem ajude a
acelerar esforços e arejar ideias.

Não se pode negar que uma grande empresa enfrenta bastante
dificuldade para inovar. À medida que cresce, seus processos ficam mais
rígidos e as coisas assumem certo padrão – até para acomodar a
complexidade de seu tamanho. “Quando uma companhia cresce, fica mais
lenta em seus processos de inovação”, reconhece Italo Flammia, CIO da
Porto Seguro.

Soma-se a isso o fato de que a competição se acirrou nos últimos
anos. “As expectativas vão mudando. Hoje em dia, tudo é rápido e o
ambiente fica estressado por conta da necessidade de respostas velozes”,
observa o executivo da seguradora, que sempre correu alinhada com o que
havia de mais recente no mercado.

A companhia de Flammia mantinha um bom relacionamento com o ambiente
de startups. Essa postura, porém, não era algo sistematizado. Foi então
que o executivo resolveu propor uma discussão interna para potencializar
seus esforços. Ele chegou a um fórum de lideranças com duas notícias,
uma boa e outra má. A má notícia é que atender às demandas por inovação
havia se tornado uma tarefa quase impossível na velocidade exigida pelo
mercado. A boa é que era possível preencher lacunas junto a empresas
nascentes.

Aceleradora
“Há muita ideia boa que dá para
aproveitar para os nossos negócios”, comenta o CIO, dizendo que a
postura vem para amplificar a velocidade de adoção de tecnologias e para
fazer evoluções disruptivas nos produtos. Esse movimento pode ser feito
de diversas formas, como a criação de espaços de coworking, a
realização de concursos e hackathons, a participação em eventos, o
estabelecimento de uma rotina de visitas de startups para apresentação
de projetos e até a montagem de uma estrutura para apoiar empreendedores
de uma maneira mais umbilical.

Assim nasceu a Oxigênio. A aceleradora veio para ajudar a Porto
Seguro a inovar e abrir oportunidades que não estavam no radar da
seguradora de maneira estruturada e mais intensa. A expectativa é trazer
soluções sinérgicas e se aproximar de talentos do mercado. Além disso,
possibilitar à companhia desafiar a cultura interna de empreendedorismo.
“Acreditamos que a solução boa vem do conflito das ideias de dentro e
de fora. A riqueza é juntar as duas coisas e fazer algo rápido e
aplicável”, comenta o executivo.

A ideia é fazer isso investindo US$ 50 mil diretamente em cada uma
das selecionadas e outros US$ 100 mil em investimentos indiretos, em
forma de benefícios e recursos para os empreendedores. Os ciclos
consideram aceleração de cinco startups por rodada, por um período de
seis meses. O projeto tem apoio da Liga Ventures, empresa composta por
um grupo de executivos especializados em conectar startups e grandes
empresas através de programas de aceleração. Uma semana depois do
lançamento da iniciativa, em setembro, 500 empresas já tinham se
candidatado.

Hub de empreendedorismo
Talvez um dos setores
mais visados por empresas nascentes seja o de finanças. As fintechs
(como são chamadas as startups que tentam propor disrupção nessa
indústria) vêm atraindo muita atenção de investidores. Em contrapartida,
os players tradicionais trabalham para se apropriar de muitas inovações
que surgem.

Parte do time de tecnologia do Itaú Unibanco tem, dentre suas
responsabilidades, a missão de se aproximar desse ecossistema,
encontrando negócios com empresas de fora. São diversas ideias para se
relacionar com esse ambiente. A iniciativa Cubo, por exemplo, é uma
convergência de todas elas e nasceu de uma necessidade de entender o que
está acontecendo e de como se aproximar desse ecossistema. “Criamos uma
plataforma aberta a infinitas oportunidades”, comenta Erica Janini,
superintendente de gestão de tecnologia da instituição.

O espaço para abrigar projetos inovadores em diferentes áreas em São
Paulo se alinha com a visão do banco em relação ao surgimento de novas
indústrias. “A agilidade que as startups têm, as empresas grandes ainda
estão aprendendo. Se não estivermos juntos nisso, não vamos entender e
ter a velocidade que queremos. Estando perto desse público, desde cedo, é
possível perceber as novidades”, observa.

Diferentemente da Porto Seguro, o Itaú reforça a ideia de que o
ambiente não se configura uma incubadora/aceleradora, mas “um hub de
empreendedorismo” que une diversos agentes (como a Redpoint eventures) e
não aporta recursos

financeiros diretos nas companhias que abriga. “Trata-se de um
ambiente de teste de diferentes formatos”, define a executiva. Erica
salienta que o modelo permite testar diversos formatos e identificar os
mais adequados, trazendo uma cultura que fortaleça a inovação no banco.

Maratona de inovação
Outro modelo que emergiu de
forma significativa no País nos últimos tempos foi o dos hackathons,
termo designado para maratonas de programação que podem durar horas,
dias, semanas ou até meses. Esses eventos ganham espaço no Brasil e têm
finalidades distintas, desde criar e testar produtos/conceitos até
recrutar talentos e posicionar uma marca junto a um público específico.

Empresas como Rede Globo, Mercado Livre, Mastercard e Visa vêm
realizando esse tipo de iniciativa, também bastante comum em órgãos
governamentais e entidades como a Secretaria de Transporte de São Paulo
(SPTrans), a ONG Transparência Brasil, a Câmara dos Deputados, a
Prefeitura de Belo Horizonte e a Fiesp.

Para atingir seus objetivos, um hackathon precisa ser bem planejado. A
atratividade e a divulgação são partes fundamentais. Alguns elementos
que contribuem para a atratividade são seu propósito, as premiações, as
possibilidades de ganhos em relacionamento e o desafio.

A Ford, por exemplo, reuniu desenvolvedores (em grupos de até três
participantes) para uma maratona realizada durante a Campus Party SP
2015 com a finalidade de criar aplicativos para o Sync AppLink, sistema
que permite acesso aos apps dos smartphones via comandos de voz, sem que
o motorista precise retirar as mãos do volante e os olhos da pista.

A montadora lançou um desafio alinhado com o problema que queria
resolver, criou toda a infraestrutura, deslocou engenheiros até o local
do evento e ofereceu um carro zero-quilômetro como prêmio para o melhor
projeto. “Todas as 50 vagas foram preenchidas”, celebra David Borges,
responsável pela área de Soluções de Conectividade da companhia para a
América do Sul.

O esforço da Ford de abrir-se à inovação não para por aí.
Recentemente, a empresa lançou o Desafio São Paulo de Mobilidade. Na
visão do executivo, esse tipo de esforço ajuda a montadora a capturar
inovações que vêm de fora. “Aprendemos com cada solução apresentada
nessas maratonas e desafios. A mobilidade em São Paulo pode ter uma
solução que não seja adequada para Londres, mas sirva para Mumbai, por
exemplo. Cada experimento ensina uma solução”, ilustra.

O Banco do Brasil também trabalha de forma a alavancar a participação
das pessoas na busca por possibilidades geradas pela TI. No caso da
instituição, há um esforço especial para estimular ideias dentro de seu
ecossistema de colaboradores, clientes e fornecedores.

Em agosto, o banco promoveu uma jornada de tecnologia para tratar da
transformação de negócios que recebeu três mil pessoas. Uma das
atividades consistiu em uma maratona de 24 horas para desenvolvimento de
soluções de software e/ou hardware sob o tema “Experiência Digital”. Em
apenas um dia, a competição recebeu 1.281 inscrições de funcionários.
No dia do evento, 50 finalistas foram divididos em equipes de quatro a
seis componentes para disputar um prêmio.

“Nesses projetos, temos focado principalmente na experiência do
usuário. Esse é o desafio de transformação que precisamos enfrentar”,
comenta Paulo Roberto Penteado Bissacot, gerente executivo da diretoria
de tecnologia do BB.

O cenário revela que o nome do jogo da inovação é, mais do que nunca,
“colaboração”. O mundo fechado e restrito das organizações não
acompanha mais a velocidade das transformações. As empresas passam a ser
interconectadas para que possam se abrir a ideias que as ajudem a se
manterem fortes nessas novas dinâmicas de mercado. E você, o que tem
feito nesse sentido?

O que buscar

1) Reconheça os desafios e demandas existentes. A partir disso,
indague se a aproximação com startups pode (ou não) resolver seu
problema.

2) Se o relacionamento com startups se mostra uma alternativa viável,
identifique e avalie a intensidade com que isso deve ser feito.
Hackathon? Desafio? Criação de uma aceleradora? Outro?

3) Procure muitas referências dentro do modelo escolhido. Lembre-se: diversas empresas já trilharam esse caminho.

4) Construa uma rede de mentores e parceiros muito qualificada. No
fim das contas, esse ponto fará a diferença para a startup. A relação
precisa ser de ganhos mútuos.

5) Tenha certeza de que esse é um remédio certo, não faça por modismo.

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