TI deve ajudar a redefinir modelo educacional

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9:00 am - 28 de fevereiro de 2013

Responda rápido: você acredita que os métodos de ensino dos dias de hoje estão em conformidade com as novas gerações de estudantes? Twitter, Facebook, Wikipedia, Google+, YouTube, tablets, smartphones. Quantos itens podem ser inseridos no dia a dia para ampliar a capacidade de aprendizado dos alunos, entregando aulas mais interativas e condizentes com a realidade que o mundo vive com a evolução dos métodos de relacionamento e socialização? Certamente, muitos.

Escolas e universidades se encontram num novo momento de negócio. O objetivo fim é a educação, mas os meios para alcançar a meta evoluíram. E, além de toda a atenção que as novas tecnologias demandam, trata-se de um setor em plena consolidação, o que traz um desafio ainda maior. Gestores de TI precisam estudar tendências, atender aos pedidos de alunos e docentes e, ainda, trabalhar na integração de instituições que, geralmente, têm culturas diferenciadas.

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De acordo com Anderson Figueiredo, líder da área de serviços da IDC Brasil, os departamentos de TI das instituições de ensino mais tradicionais e que têm alunos de maior poder aquisitivo estão bem estruturados e, em geral, têm preferência por adquirir produtos e soluções diretamente dos provedores. Mas é sabido que, no geral, esse é um setor que ainda tem muito a evoluir.

Pensando em serviços, por exemplo, já se observa uma evolução. Dados da IDC mostram que, desde 2010, o investimento do segmento educacional em serviços de TI vem crescendo e até superou a média geral, saindo de um avanço de 8,28%, em 2010, para 12,31%, em 2011, quando o índice geral do mercado foi de 12,19%.

Dentro deste cenário, Figueiredo destaca alguns pontos como:

– Cada vez mais os professores utilizam recursos de TI (equipamentos, software, aplicações) para o desenvolvimento de seu planejamento pedagógico/didático (elaboração de aulas, conteúdos, provas, etc);

– Wireless é uma realidade em grande número dessas instituições;

– Enquanto lousas digitais se espalharam, são poucas as escolas com bibliotecas virtuais;

– Consumerização (professores e/ou alunos trazendo seus próprios dispositivos para o ambiente escolar) avança rapidamente;

Entraves na visão do CIO

Dentro deste cenário, Willians A. Coan, CIO da Associação Santa Marcelina, avalia que a tecnologia educacional tem hoje o claro objetivo de unificar o conhecimento pedagógico do professor às novas formas de consumo e criação de conteúdo promovido pela popularização das atividades online, principalmente, entre as novas gerações. ?A tecnologia é condutora da informação, um mecanismo para que o aluno absorva melhor a didática. Seja uma lousa digital com recursos diversos, envio das informações das aulas diárias para os e-mails dos estudantes, gestão dos dispositivos móveis para fornecer internet e acesso a sites externos que ampliem o sentido da aula, entre outros.?

Na mesma linha de raciocínio segue o CIO do Colégio Dante Alighieri, Eduardo Lucas Pinto. Para ele, não adianta querer utilizar metodologias antigas com uma nova geração, que nasce conectada com tablets e smartphones nas mãos. Além disso, a forma de relacionamento dos estudantes não está apenas condicionada ao mundo físico. Na verdade, como afirma o CIO, as relações estão alicerçadas no contato digital, e, tendo isso em mente, é necessário que as instituições de ensino criem braços capazes de alcançar essa realidade.

Mobilidade e conectividade são peças fundamentais dentro do novo momento do segmento educacional. O produto da soma dessas duas realidades raramente fica fora das margens das mídias sociais. ?A sociedade está sofrendo uma revolução tão grande quanto a da energia elétrica. O casamento entre as comunicações e a tecnologia gerou uma nova sociedade. E é esse o contexto da educação hoje?, observa Davi Nelson Betts, CIO da Metodista, que também acredita que o contexto social proposto pelos relacionamentos online deve ser absorvido para construir o ambiente educacional.

Para Betts, hoje existe a clara diferenciação entre informação e conhecimento, sendo o primeiro obtido em sites como a Wikipedia, e o segundo embasado nas instituições de ensino. ?Muita gente pensa que informação é conhecimento, mas isso não é verdade. Se assim fosse, as empresas não abririam suas universidades corporativas, pois todos saberiam como executar o que veem e leem na internet. A tecnologia está encarregada de conectar esses pontos, numa lacuna aberta de forma drástica nas escolas e universidades, que reflete no mercado de trabalho?, avalia o CIO.

Porém, se as novas gerações demandam ações rápidas e diferenciadas, nota-se, aí, um grande problema numa peça chave dentro da sala de aula: o professor. Se o sistema de ensino não evoluiu tanto quanto a tecnologia, temos no educador um grande trabalho a ser feito, visto que muitos ainda não estão preparados para receber essa carga de atualizações na mesma velocidade que os alunos, avalia Coan, do Santa Marcelina. ?Percebo que os cursos de pedagogia não estão aptos a passar esse tipo de cultura para o professor. Isso é muito mais latente para os profissionais da educação para o ensino fundamental e médio?, ressalta, avaliando que os professores universitários estão mais bem preparados para lidar com tecnologia dentro da sala de aula.

Mas se é verdade que os docentes precisam de atualização, o CIO do Colégio Dante Alighieri acredita que o processo de renovação da forma de ensino não deve ser apenas concentrado no professor, mas em todo o sistema educacional. ?O professor é reflexo do direcionamento da instituição?, lembra.

Além dessa dificuldade, que passa por investimento em treinamentos e um forte trabalho de mudança cultural, todos os CIOs pontuaram que os fornecedores de tecnologia também representam uma barreira para a adoção de plataformas e soluções que tragam às instituições de ensino o requinte de tecnologia necessário para atender às necessidades dos estudantes.

?Assim como todo mercado, em educação há particularidades, mas que são amplificadas. No ensino fundamental e médio, por exemplo, estamos lidando com adolescentes que não querem seguir regras. Transformar a TI em algo transparente para eles é essencial. Nenhum aluno pode se sentir travado. Os fornecedores devem entender algumas necessidades das instituições de ensino para que os sistemas fluam de forma controlada e natural, assim como o aprendizado?, pondera o CIO do Dante.

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