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Fundação Dom Cabral aponta tendências para o futuro no mercado sênior

Público acima de 50 anos está no centro de diversos desdobramentos importantes do mundo da tecnologia

Por  Raphael Andrade

08:00 - 17 de novembro de 2020
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Você sabia que as famílias norte-americanas acumularam cerca de US$ 112 trilhões de dólares em riqueza em 2019? E que destes, US$ 34 trilhões estavam nas mãos da Geração X e dos Millennials; enquanto os demais 70%, ou US$ 78 trilhões, estavam sob o comando dos nascidos até 1964? Estes dados vem do Federal Reserve e comprovam que a Economia Prateada, conjunto de produtos e serviços que atende aos indivíduos com mais de sessenta anos, representa o futuro da economia mundial.

O tema é explorado pelo projeto FDC Longevidade, estudo da Fundação Dom Cabral que traz análises aprofundadas das seguintes áreas:

  • Dinheiro Prateado: consumidores maduros, mergulho no bolso dos 60+, luxo prateado e dicas práticas de comunicação para encantar os consumidores.
  • Um Mercado em Ascensão: marcas que surpreendem os maduros, a pluralidade do mercado de longevidade e a busca por unicórnios prateados).
  • Inovação: cenário brasileiro, oito soluções inovadoras para os desafios do envelhecimento,  a corrida pela extensão da vida; o desafio da parceria ideal entre tecnologia, saúde e envelhecimento, entusiasmo, investimento e confiança.
  • Os Tubarões do Oceano Prateado: em busca do empreendedor prateado, os fundadores das maiores empresas de tecnologia investem na longevidade, depois do Silício, a prata – o surgimento dos Vales Prateados.
  • Empreendedores: silver makers, influenciadores digitais 50+ invadiram as redes sociais.

De acordo com Michelle Queiroz, professora-associada da FDC e coordenadora do FDC Longevidade, o estudo apresenta conclusões propositivas em três grandes linhas-mestras: analisa o mercado da longevidade e o consumo dos maduros; revela a ascensão deste oceano prateado, destacando oportunidades e inovações; traz cases de investidores e empreendedores. “O resultado comprova o potencial consistente do mercado dos maduros, mostrando uma gama enorme de possibilidades, que ainda podem ser exploradas e que muitos desconhecem”, afirma a coordenadora.

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Veja abaixo alguns insights do estudo:

Dinheiro Prateado

  • O grupo de cidadãos com mais de 50 anos é o que mais cresce no Brasil e nos países desenvolvidos; os maduros têm vidas mais longas, mais saudáveis e mais produtivas. O consumo deles vai muito além de gastos com a saúde; cada vez mais, eles viajam, investem, namoram, empreendem e voltam às salas de aula. O consumo se dá, também, pela internet. Os maduros fazem 15 transações por ano; as demais gerações, 19 e 16, respectivamente; o gasto médio deles, por compra, é o maior entre as gerações: 203 dólares, seguido por 190 e 173.
  • A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do segundo trimestre de 2020, aponta que os brasileiros com mais de 60 anos representavam 8,6% da população ocupada (pessoas trabalhando) na semana de referência do estudo. A participação dos maduros aumentou quase 40% desde 2012, quando era de 6,2% – um aumento relevante mesmo de 2019 para 2020, apesar da pandemia.
  • De acordo com estudo da pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em outubro deste ano, mais de 600 mil trabalhadores com 60 anos foram para a inatividade entre o fim de 2019 e o segundo trimestre de 2020. Outros 605 mil foram demitidos. Os números revelam que, se antes da pandemia a geração de vagas já era menor para maiores de sessenta anos, a situação se agravou, com mais demissões do que contratações nesta faixa etária. Em agosto, foram geradas 263,7 mil vagas com carteira para quem tem abaixo de 60 anos e eliminadas 14,3 mil entre os mais velhos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia. De acordo com o levantamento, 71% dos idosos estão no setor de serviços – o mais afetado pelo distanciamento social –, contra 55% entre os mais jovens.
  • Um outro dado importante: os 60+ que permanecem trabalhando têm, consistentemente, os níveis mais altos de rendimentos médios reais quando comparados com qualquer outro grupo de idade. Na mesma PNAD do quarto trimestre do 2019, os 60+ tinham rendimentos médios de 2.977 reais, quase 200 reais acima do segundo lugar, os brasileiros de 40 a 59 anos.
  • O luxo é prateado. Em entrevista exclusiva, Carlos Ferreirinha, o maior especialista em mercado de luxo do Brasil, afirmou que o mercado de luxo tem esse público muito claro. “As principais marcas globais, principalmente do mercado europeu, têm no público 50+ o seu consumidor mais expressivo. E, por motivos óbvios: se considerarmos o conceito de geração de riqueza tradicional, o maior patrimônio está nas mãos da geração com mais de 50 anos. Esse fenômeno que nós vemos hoje, de jovens empresários que geram grandes fortunas com pouca idade, é um movimento recente, acelerado, principalmente, pelo surgimento de empresas de tecnologia nas mais diversas áreas. Portanto, para as marcas de luxo tradicionais, que já estão há décadas no mercado, lidar com o cliente 50+ sempre foi a realidade. Porém, acredito que o grande desafio para essas marcas é entender quem é o novo consumidor sênior. Eles usam street wear, gostam de grafite, querem usar tênis e roupas com mais cor”, afirma.

Mercado em Ascensão

  • Com expectativa de vida cada vez maior, a população 60+ está cada dia mais ampla e experimenta fases de vida muito distintas, abrindo um leque de diferentes perfis, estilos de vida, idade, gênero e desejos. Dos maduros que participam de maratonas, os que estão abrindo um novo negócio, os que fazem bordados para os netos, aos que são dependentes de familiares ou estão acamados.
  • Algumas marcas ao redor do mundo já começam a enxergar a força da Economia Prateada. Até mesmo quem não tinha se preparado inicialmente para atendê-los – por acreditarem que o próprio serviço teria mais respaldo entre os jovens – se surpreendeu. Esse é o caso do Airbnb, que comprovou o grande potencial de super hosts maduros na plataforma. São eles, ainda, que recebem as melhores avaliações da plataforma.
  • Unicórnios prateados. Pode parecer um paradoxo, mas algumas das principais soluções para os problemas enfrentados pelos 60+ estão vindo de empresas jovens, com o foco em tecnologia de ponta e design. Essas startups direcionam seus esforços para solucionar desafios que vão desde reduzir a solidão à criação de gadgets que facilitam as tarefas do dia a dia e, algumas delas, têm acertado em cheio, chegando a altíssimos valuations e mostrando que estamos cada vez mais próximos do surgimento do primeiro unicórnio prateado.

Inovação

  • Do total de iniciativas levantadas na pesquisa da Pipe.Social, 40% delas destinam-se a soluções para o Cuidado e 25% na Gestão do Cuidado. Engajamento e Propósito somaram 22%; Estilo de Vida e Mobilidade e Movimento ficaram com 17% e 9%, respectivamente. Neste cenário desafiador encontram-se ainda tecnologias para dar suporte aos desafios em Saúde Mental (8%), Saúde Financeira (5%) e Fim da Vida (1%).
  • São negócios jovens, 44% deles têm apenas dois anos de criação e equipes enxutas de até 4 membros (47%) e de 5 a 19 colaboradores (46%), incluindo freelancers. Sobre o perfil da liderança, o levantamento trouxe equipes mistas em sua maioria (45%) e um equilíbrio entre homens e mulheres na liderança do negócio com 23% e 21%, respectivamente. A análise da evolução e faturamento destas startups, apontou uma queda no número de negócios sem faturamento: em 2017 eram 63%; em 2018, esse número caiu para 54% e, no ano passado, foram 44% das soluções. Esse é um dos principais indicadores que determina a maturidade e evolução dos negócios no setor. Dos 343 negócios analisados, 27% estão faturando até 100 mil reais, mas há aqueles que chegam a faturar mais de 2 milhões de reais.
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