Tecnoset assume um discurso pós-outsourcing

Author Photo
9:00 am - 18 de março de 2014

Quando um negócio dá certo e expande, criar uma identidade se torna primordial para que haja continuidade da proposta de valor da companhia. Porém, conforme a percepção de valor sobre a tecnologia evolui, aquele antigo estigma sobre uma marca se torna, efetivamente, um ?empecilho?. É neste cenário que a Tecnoset se encontra hoje.

Conhecida pela área de outsourcing de impressão, unidade que representa quase 80% dos negócios da companhia, a empresa está em processo de mudança em sua proposta de mercado. Não que o negócio de terceirização de impressão não tenha dado certo. Pelo contrário. Mas num mundo conectado, interativo e com colaboração e redes sociais crescendo e expandindo território, a percepção de valor sobre a impressão deixa a desejar.

Campeões do Canal 2013: escolha seu fornecedor favorito
Assine a newsletter da CRN Brasil
Siga a CRN Brasil no Twitter
Curta a Fan Page da CRN Brasil
Faça parte da comunidade CRN Brasil no LinkedIn

A primeira mudança adotada pela companhia é o lema que Paulo Fodor, diretor comercial de governo e marketing da Tecnoset, sempre repete por entre seus clientes, que remete ao custo por impressão: a página mais barata é a que não precisa imprimir.

A brincadeira remete ao fato de que, hoje, com impulsos de corte de custos e diminuição do número de papeis impresso, o cliente, talvez, entenda que fazer a gestão dos arquivos e documentos que são impressos se torne a melhor forma de economizar e ganhar flexibilidade com os negócios.

O custo por página só cai. Hoje gira em torno dos 0,03 centavos. Mas em grandes volumes, e sem propósito para impressão, o que parece irrisório pode representar um problema, pois envolve tantos outros fatores, como cartuchos, manutenção etc. Como diz o diretor, obviamente a impressão não vai acabar, e a tendência é que o mercado só cresça, segundo ele. ?Mas já que é para pensar em solução e negócios, por que não investir em ferramentas para armazenamento compartilhado, nuvem e outras tantas saídas além das letras no papel??, questiona.

Dessa forma, a empresa busca ser vista como uma provedora de serviços gerenciados. Para isso, a Tecnoset tem alavancado outras áreas de sua operação, como networking e segurança, que representa o maior crescimento da companhia no primeiro semestre. Além disso há equipamentos para storage. Ao chegar num atual cliente, a empresa tenta se aproximar de outras necessidades daquela empresa. Assim, consegue emplacar novos negócios. O trabalho, claro, não é fácil, como pontua Fodor.

2013

De forma ainda incipiente, a companhia espera que nos próximos três anos a proposta de serviços gerenciados represente 20% do faturamento da companhia. Novamente, isso não significa o encolhimento dos negócios noutras áreas, principalmente impressão. Enquanto move umas caixas e emplaca mais negócios de outsourcing para lá, vende serviços para cá. ?Vamos colocar todo nosso portfólio para trabalhar de forma conjunta, até que a empresa seja percebida de forma diferente, com serviços para vender que agregam, inclusive, impressão?, avalia. ?Não vamos deixar o outsourcing. Vamos apenas agregar mais a essa proposta.?

E, de fato, a empresa já está fazendo isso. Com um time de desenvolvedores dentro de casa, a companhia tem vendido impressão com inteligência embarcada. Em algumas universidades, a Tecnoset tem colocado impressoras para trabalhar como terminal de atendimento ao aluno. O estudante coloca os documentos sob o escâner, é feita a digitalização, indexação dos arquivos ao perfil do aluno, e, caso esteja faltando algo, a máquina já reporta à instituição e ao estudante o que deve ser trazido noutro momento.

Na outra ponta, junto aos professores, é possível corrigir automaticamente provas de múltiplas escolhas. A multifuncional identifica as respostas e faz a correção. ?É um processo que economiza muito tempo do profissional?, comenta Fodor. ?É simples, mas representa muita economia de tempo para a instituição.?

Assim como há um trabalho forte na base instalada para mudar a percepção da marca Tecnoset, existe o viés de expansão de negócios para outras regiões. Dessa forma, entende Fodor, a empresa cresce e se posiciona dentro deste novo momento de mercado.

Segundo ele, é possível ver essa questão da expansão por meio dos números da empresa. Em 2012, a companhia faturou 120 milhões de reais. Deste montante, 18% vem da região Nordeste, operação que começou há quatro anos. ?Entender que o Brasil tem proporções continentais e, por isso, cada região tem sua própria cultura, não pode apenas ser um discurso. É um mantra?, diz o diretor. Este ano, segundo ele, a Tecnoset deve fechar faturando 145 milhões de reais. Tudo parece caminhar neste sentido, uma vez que o primeiro semestre de 2013 cresceu acima dos 20% em relação ao mesmo período de 2012.

Além do crescimento orgânico, a estratégia para ganhar novos clientes também tange as aquisições de outras empresas. Há três meses, a Tecnoset comprou uma fábrica para suprimentos de impressão térmica. A primeira estratégia é ir para a impressão térmica, com toda a tecnologia que envolve este tipo de negócio. Para frigoríficos é feito de uma forma e para a área de saúde é de outra. Assim, explica Fodor, a companhia ganha novo terreno e, uma vez dentro duma nova companhia, consegue rodar a proposta de serviços gerenciados.

?Estamos trabalhando para focar no negócio do cliente e ser o principal fornecedor de soluções de TI para ele?, sintetiza o diretor. Tendo colocado todas as cartas na mesa, a empresa espera dar passos cada vez mais firmes dentro desse novo conjunto de ofertas. ?Mas nada de Pink e Cerebro. Não queremos dominar o mundo. Vamos trabalhar fortes para levar ao mercado que toda essa nossa percepção é absolutamente tangível?, finaliza.

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.