Segurança não é luxo para poucos

Seja pelo fato de não possuírmos terroristas, furacões ou terremotos, a maioria das empresas que se preocupa com a continuidade de negócios, no Brasil, é composta de companhias que possuem relacionamento com empresas estrangeiras que já possuem a visão de continuidade como segurança, em sua cultura interna.
Independente disso, me espanta assistir no mesmo noticiário da manhã, a queda de um enorme balão em uma concessionária de veículos paulista, seguida da explosão dos fogos que carregava. Me espanta a ameaça de “explodir a ponte” gravada numa conversa entre marginais do Rio de Janeiro. Me assusta a ameaça de falta d’água, causada pela longa estiagem que o país vem sofrendo.
E me deixa perplexo a tranquilidade das empresas face estes eventos. Semana passada fiz uma apresentação em uma empresa paranaense, onde ouvi que além de não possuírem nenhuma alternativa de redundância para seus componentes de negócio (servidor, rede, instalação elétrica ou telefônica), eles tinham plena consciência de que um evento qualquer que afetasse algum deste componentes paralisaria as atividades da empresa.
Quando questionei o motivo desta atitude de espera, fui informado que o dono da empresa não tinha convicção da necessidades desta prevenção, face a ausência de ocorrências que justificassem o investimento. Este raciocínio é um sofisma no qual os empresários costumam se defender da falta de prioridade na questão de segurança e continuidade de negócios. É a mesma coisa que dizer não ser preciso nos preocuparmos com um ataque cardíaco, se nunca o tivemos…
Talvez pela enorme variedade de conceitos desenvolvidos “sob medida” para produtos diversos, que na falta de argumentação melhor, são apresentador ao mercado como soluções de continuidade e contingência, quando não passam de hardware e software. Não querendo polemizar, estas soluções podem até mesmo serem consideradas como ferramentas. Mas nunca poderão garantir a segurança e continuidade dos negócios, por si mesmas.
Outra questão geralmente defendida por pessoas que consideram a proteção de seus negócios “importante, mas não prioritária”, é o custo. Isso, porque a maioria das empresas que oferecem serviços de segurança e continuidade, se acham no direito de cobrarem de clientes de diferentes portes o mesmo custo de desenvolvimento e implementação. Deixam de lado a absurda redução do escopo de projeto, para defenderem o alto custo de seus produtos pelo “expertise” e metodologia.
Bem, este discurso não convence quem realmente precisa. É impossível equiparar um projeto de PCN (Plano de Continuidade de Negócios) desenvolvido para uma empresa de telefonia celular e outro para uma rede de supermercados com 15 lojas. A complexidade do negócios e a variedade de recursos envolvidos criam o diferencial de esforço e tempo necessários para proteger todas as principais atividades da empresa.
As próprias soluções variam de milhares de reais a algumas centenas. Tudo vai depender das vulnerabilidades encontradas durante o pré-projeto e análise de infra-estrutura. Por exemplo: podemos encontrar um alto grau de exposição a impactos de veículos em uma instalação elétrica de uma pequena empresa.
Neste caso, a simples construção de uma barreira de concreto reduz bastante o risco de impactos e prováveis interrupções de energia. Por outro lado, podemos encontrar uma determinada instalação elétrica mal dimensionada para o uso que será dado, criando tendências a falhas de energia e curtos, que eventualmente poderão causar incêndios.
Aqui, a recomendação de um novo projeto de circuitos elétricos e sistemas de redundância e proteção são críticos para garantir a continuidade dos negócios da empresa. Resumindo: o custo de proteção que a empresa necessita vai depender do grau de sofisticação e aprofundamento na segurança desejada.
Não adianta partir da presunção de que “segurança é cara”, porque a empresa “X” ou “Y” utiliza um discursos para elites. Os consultores verdadeiramente imbuídos de capacitação para analisar o seu negócio e de antever suas necessidades é que realmente poderão mostrar o custo envolvido numa situação de parada da empresa e a real necessidade de investimentos.
Seja em consultoria ou em componentes de negócios. Lembre-se: o custo de restauração ou reposição de um processo de negócio, geralmente, é de 100% do custo de prevenção a eventos. É como dizia meu pai: cautela e sopa de galinha, nunca fizeram mal a ninguém!
