Protocolo de Iniciação de Sessão e IPv6 podem coexistir?

Author Photo
10:50 am - 15 de agosto de 2012

O SIP (sigla em inglês para Protocolo de Iniciação de Sessão é um protocolo de aplicação, que utiliza o modelo “requisição/ resposta”, similar ao HTTP; N. da T.) e o IPv6 coexistirão, mas a transição a partir do iPv4 será um desafio, conforme a execução de ambiente dual-stack (ou pilha dupla, com os dois protocolos sendo executados no mesmo ambiente; N. da T.) não funcionar em dispositivos com memória limitada e sistemas operacionais que dão suporte a apenas uma versão de IP.

Esse foi o consenso geral na recente  SIP Network Operators Conference, segundo Dan York, estrategista sênior de  conteúdo na Internet Society. O SIP funciona bem em ambientes somente com o IPv4 ou IPv6, mas os problemas surgem em ambientes misturados. A maioria das empresas está lidando com o período de transição usando dual-stacks em clientes, mas alguns dispositivos podem não conseguir lidar com os dois protocolos de endereço.

“O maior desafio que teremos é  que há muitos telefones IP que têm memória limitada e sistemas operacionais incorporados e podem não ter capacidade de pilha dupla”.

Ele afirmou que o carrier-grad NAT (forma de tradução de endereços IPv4 de rede local para IPv4 de rede pública) continuará a ter um papel importante, conforme o IPv4 e o IPv6 coexistirem. Com relação ao SIP, ou qualquer outra comunicação em tempo real, a adição desses sistemas de tradução causam latência. “Alguns SIP não lidam bem com NAT, mesmo hoje, com ambientes apenas em IPv4. Adicionar duas camadas de NAT para IPv4 não ajudará o desempenho do SIP”.

O NAT prolongou por muitos anos a vida do IPv4 ao agir como o tradutor entre os espaços de endereço privado em um rede local e espaços de endereçoem uma rede pública, mas  é um solução de curto prazo para a transição ao IPv6.

O desafio com o SIP no geral é manter a comunicação em tempo real, afirmou Michael Brandenburg, analista da Frost & Sullivan. “Há preocupações constantes com mensagens com SIP. Se muitos pacotes são depositados em uma sessão, as chamadas ficarão inconstantes”.

São as provedoras de serviço que precisam começar com a transição para o IPv6. Há muito tempo para as empresas realizarem o processo. “O problema real será quando as empresas começaram a usar o IPv6 internamente”, afirmou Brandenburg, observando que os sistemas IP PBX tendem a ter vida longa e podem não serem passíveis de atualização ou terem capacidade dual-stack. Neste casso, os controladores de borda de sessão (SBCs – dispositivos de rede que protegem, seguram, simplificam e padronizam comunicações multimídia com base no SIP; N. da T.) podem lidar com a tradução no futuro próximo.

Jeff Doyle, presidente do Jeff Doyle and Associates, afirmou que há um número crescente de produtos VoIP que dão suporte IPv6, incluindo SIP sobre IPv6, mas os sistemas VoIP e sinalização SIP relacionada continuarão a ser endereçados com espaço IPv4 privado dentro da empresa, enquanto os SBCs podem interagir com o mundo exterior.

“Com exceção de algumas empresas grandes ou daqueles que estão em áreas onde somente o IPv6 está disponível, a falta de endereços IPv4 não é um propulsor de uso de IPv6 para empresas. A maioria já está muito bem projetada para funcionar bem por trás de NATs”.

Interoperabilidade difícil

Jonathan Zarkower, diretor de marketing de produto da Acme Packet, afirmou que quando se lida com comunicação de IP em tempo real, como o VoIP, videoconferência e comunicações unificadas, a interoperabilidade entre terminais IPv6 e IPv4 se torna mais difícil. Isso porque os terminais como telefones IP não usam somente endereços IP, mas também outras camadas de protocolo, como o SIP e o RTP. Os controladores de borda de sessão são melhores ajustados para lidar com essa tradução do que o tradicional método de conversão de endereços, como o NAT ou tunelamento de pacotes IPv6 como IPv4.

Zarkower visualiza que o IPv4 e o IPv6 coexistirão pela próxima década conforme os provedores de serviço gradualmente atualizem sua infraestrutura; as empresas têm muito tempo para trabalhar com seus fornecedores e migrar terminais por trás do firewall.

Dez anos

Dany Jenneve, vice-presidente de terminais e clientes móveis da Alcatel-Lucent Enterprise, disse esperar que as empresas continuem a ter endereços IPv4 ainda por dez anos. No momento, “capacidade IPv6” significa que os dispositivos são dual-stack e estão no mercado há vários anos, então ele estima que 50% das empresas já possuem telefones com o recurso. Aqueles que não podem ser atualizados são os de memória limitada e provavelmente implantados há dez anos. Jenneve prevê que quase todos os dispositivos terão pilha dupla dentro de dois anos e controladores de borda de sessão continuarão a gerencial conversão de endereços na margem da rede. “A transição na rede pública é crucial, mas nas empresas será feita de forma lenta. Não há sentido em ter urgência”.

Jenneve disse que empresas devem trabalhar juntamente com seus fornecedores para determinarem quais equipamentos devem ser atualizados e quais devem ser substituídos.

York afirma que é importante entender todas as opções e o que pode ser executado em dual-stack durante o período de transição.

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini

Saiba mais:

IPv6 será 40% de todo hardware mundial em 2016

IPv6 facilitará chegada do movimento internet das coisas

Brasil testa IPv6 nesta semana; entenda como ele afeta a web

Especial IPv6: se mundo migrar de uma vez, gastos serão de bilhões

Especial IPv6: Gartner indica prazos de adoção da tecnologia

 

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.