Projetos baseados em mapas ajudam governos em diversas frentes

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10:01 am - 09 de novembro de 2011

Quando se fala em soluções de mapas ou modelagem 3D é comum pensar em projetos de infraestrutura, mas iniciativas governamentais ao redor do mundo revelam que, com criatividade, elas podem trazer benefícios em frentes até então não imaginadas. Um dos exemplos que chama a atenção vem da cidade de Metepec, no México. Com uma aplicação baseada em PowerMap, a prefeitura local garantiu 100% de censo populacional e com registros de localização mais precisos e detalhados.

Como frisou Marco Antonio Vásquez Nava, do tesouro municipal, o governo garantiu aumento da receita e, além de possuir informações com maior riqueza de detalhes, disponibiliza esses dados para toda a população via internet. Se você quer saber quantas escolas existem em determinada área da cidade, é possível. Se quiser contabilizar o total de árvores plantadas em um bairro, também. Isso porque, além da geolocalização, foram feitas imagens fotométricas a partir de um helicóptero, sem contar as fotos coletadas em solo, provendo uma riqueza de detalhes imensa. Ao todo, são cobertos 70 quilômetros quadrados, provendo mais de 52 níveis de informação.

?Tivemos uma mudança em 83% no estado real de propriedade. Com o novo cadastro e o sistema de mapas, identificamos propriedades baldias com construções, omissas, com diferenças das declarações que tínhamos e com problemas de construção?, revela. Entre os benefícios do projeto está uma plataforma digital que se atualiza de forma automática, aumento de receita compartilhada e melhor qualidade das informações. ?Apenas 10% da população nos retornou com feedback negativo?, pontua, deixando claro que o projeto de US$ 1,25 milhão de investimento teve sucesso. E olha que esse índice pode ser considerado alto se levar em consideração que a prefeitura tem destinado boa parte do aumento de arrecadação a projetos sociais.

Porto controlado

Assim como o mexicano Nava, Esa Salonen, gerente de TI do Porto de Helsinki, na Finlândia, comemora os resultados que obteve com uma solução baseada em mapas. Ambos falaram para jornalistas, analistas e outros interessados em Amsterdã, durante o Be Inspired, evento anual realizado pela Bentley Systems para clientes e parceiros.

No caso finlandês, o objetivo foi centralizar todas as informações das diferentes atividades do porto, como área de negócios, infraestrutura de tráfego, zona logística e área de portões em um sistema de manutenção baseado em mapas. Com isso, o acesso aos dados se tornou mais fácil. O repositório central permite visualização de documentos, programas de manutenção, histórico de manutenção de 80 estruturas e construções, entre outros. Toda a gestão do conteúdo é feita com o ProjectWise Integration Server.

?Existe uma gama de informação muito grande gerada por esses sistemas e a manutenção é terceirizada para diversos fornecedores, assim, o porto precisava de um sistema de manutenção?, relembra Salonen, dizendo que o terminal tem mais de 140 partidas semanais e é, também, o maior terminal de passageiros daquele país.

Quando se pensou o sistema, sabia-se da necessidade de um repositório central para os mais diversos documentos, atualização constante, fácil acesso ao histórico de manutenção e aos provedores de serviço e a interface de usuário baseada em mapa poderia tornar o processo ainda mais simples.

Todo o projeto levou um ano e meio para ser concluído (está em uso desde 2008) e consumiu investimento de US$ 700 mil, já que envolveu, além do sistema de gestão de conteúdo, todo o planejamento, compra de servidores, implantação de estruturas de arquivos e de sistema de codificação para manutenção. Atualmente, 70 usuários têm à disposição 11,5 mil documentos bem gerenciados.

Terceira dimensão

O último e não menos criativo projeto vem da cidade de Newcastle, na Austrália. Situada a 160 quilômetros de Sidney, a cidade possui um porto cujo desenvolvimento é fortemente afetado por operações de minas. Para atender à demanda de crescimento, com projetos mais inteligentes e bem formatados, a administração local optou por aderir à tecnologia de modelagem 3D, de forma a visualizar de maneira mais lúdica os impactos de qualquer alteração.

A partir do uso das soluções MicroStation e Geopack foi possível construir um modelo 3D interativo para navegar e analisar toda a zona cívica da cidade. Essa modelagem contribuiu para políticas de planejamento, identificação de restrições físicas, cenário de desenvolvimento de testes, entre outros. No total, foram US$ 70 mil investidos.

?Quando a integração de dados estiver maior, isso servirá para controle de vegetação, por exemplo, com informações como quantidade de árvores, tamanho e tipo de vegetação?, informa Dennis Davidson, líder do time de GIS da administração local. No caso de instalações esportivas, também citadas pelo executivo, o sistema é usado para testar melhor design e aparelhos que serão disponibilizados. ?Um dos pontos chave do projeto é a possibilidade de colaboração interna e externa entre especialistas. Ao concluir a modelagem 3D, será possível adotar padrões de planejamentos que antes não existiam na cidade.?

*O jornalista viajou à Amsterdã a convite da Bentley Systems

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