Procuram-se especialistas em Internet das Coisas
Ao mesmo tempo que se multiplicam os projetos IoT, aumenta a procura por profissionais com as qualificações específicas. Saiba quais são as competências mais procuradas

A Internet das Coisas (IoT) está em fase de crescimento acentuado, à
medida que surgem cada vez mais dispositivos conectados. Mas há um
problema: não existem pessoas suficientes com as competências adequadas
para gerir e executar projetos de IoT. Sendo assim, ao mesmo tempo que
a IoT é vista como uma grande oportunidade de emprego na área de TIC, a
insuficiência de pessoas e a ausência de competências estão entre as
principais barreiras identificadas pelas organizações que pretendem
implementar e se beneficiar da tecnologia, assinala pesquisa da Gartner.
E quais são as
aptidões específicas que faltam nas organizações? Aquelas referentes a Segurança de Dados, Ciência dos Dados e suporte técnico.
Sem estas capacidades, 30% das organizações dizem que irão procurar
fornecedores externos para fazer algum desenvolvimento de IoT, enquanto
46% dizem que irão recorrer a fornecedores externos “tanto quanto
possível”.
“As empresas estão definitivamente consolidando suas estratégias de IoT, mas o que estamos constatando é que não têm
processos e pessoas em casa para que seja possível fazer acontecer. De
fato, o Gartner diz que três quartos dos projetos de IoT vão
prolongar-se o dobro do que deviam, devido à insuficiência de
recursos humanos em áreas-chave”, rdiz Rich Pearson, diretor da Upwork.
Ao rastrear a base de dados da Upwork, Pearson e a sua equipa identificaram 10
principais competências que as empresas necessitam para levar adiante uma estratégia de IoT.
Os dados obtidos baseiam-se no
crescimento anual de propostas de trabalho e de demanda por competências,
medidas pelo número de postos de trabalho que mencionam essas
competências publicados no Upwork entre 1 de Janeiro e 31 de Março de
2017 e seu incremente em relação ao primeiro trimestre de 2016.
1 – Machine Learning: mais 220%
Os algoritmos de Machine Learning ajudam a
criar dispositivos, aplicações e outros produtos mais inteligentes,
através da utilização de sensores de dados e outros dispositivos
conectados. Podem ser utilizados para fazer previsões
com base na identificação de padrões de dados a partir desses
dispositivos, mas são necessários especialistas em gestão de Big Data e
aprendizagem automática, diz Pearson.
“A procura da competência em Machine Learning, sem surpresas, aumentou mais de 200% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Todas as empresas estão a tentar coletar mais dados a partir de dispositivos conectados e precisam de
especialistas não só para extrair os dados, mas também para desenvolver
algoritmos para ajudar separar o trigo do joio e retirar conclusões dos
dados coletados”, sublinha Pearson.
2 – AutoCad: mais 108%
O AutoCad é o principal software de design para aplicações de
engenharia e a procura de profissionais que o dominem tem registado um forte
crescimento a par do incremento do número e complexidade dos
dispositivos IoT. Produtos inteligentes e conectados necessitam muitas
vezes de um novo conjunto de princípios de desenho que permita a
normalização do hardware e a personalização.
E o AutoCad permite, por exemplo, que os processos de desenvolvimento
de produto sofram alterações de design numa fase mais avançada do
projeto, de uma forma rápida e eficiente.
3 -Node.js: mais 99%
O Node.js é um ambiente de código aberto para o desenvolvimento web, utilizado no servidor para gerir dispositivos conectados baseados no Arduino e no Raspberry Pi, entre outros. Com a disponibilização de placas como a
Raspberry Pi, o Node.js está tornando-se a plataforma preferida dos
programadores que querem incrementar as competências existentes na
construção de aplicações para IoT, assinala Pearson, e, ao longo dos
últimos 12 meses, o ambiente amadureceu ainda mais. “A maioria das
empresas está utilizando esta solução como base para as iniciativas de
IoT, porque requer poucos recursos e está se tornando incrivelmente
estável e acessível. Isto é particularmente importante em dispositivos
de pequena dimensão como os “wearables”, mas estamos observando o
incremento da utilização também em grandes empresas como a Netflix, a Paypal
ou a Uber”, explica Pearson.
4 – Segurança de infraestrutura: mais 83%
A segurança da informação e os receios face ao aumento da exposição
dos dados – sem mencionar a segurança física e dos dispositivos – são alguns dos principais impeditivos para o desenvolvimento da IoT,
segundo uma pesquisa da TEKsystems. Devido ao incremento da escala e da
complexidade da conectividade, das comunicações e dos próprios sensores de
IoT, “a segurança tornou-se primordial. Tudo o que está ligado à
Internet cria risco, por isso qualquer competência em torno da
segurança, em particular software e segurança nos sensores é crítica no
domínio do IoT”, afirma Pearson.
5 – Engenharia de segurança: mais 83%
Para além da
segurança da infraestrutura, as recentes violações de dados que se tornaram manchete de jornal aumentaram a consciência dos consumidores em relação a
questões de privacidade e segurança que podem ocorrer se um
dispositivo conectado tiver falhas ou for pirateado, expondo os dados,
assinala Pearson. Para ajudar a mitigar os riscos potenciais, as
empresas estão investindo na engenharia de segurança e procurando
pessoas qualificadas para identificar ameaças físicas e lógicas, acrescenta Pearson.
“Com essa maior procura por qualificações em segurança, estamos assistindo a uma grande demanda por profissionais capazes de fazer avaliações de
vulnerabilidades e segurança dos dispositivos terminais. Assiste-se
também ao renascimento da necessidade de segurança de hardware”,
sublinha Pearson. Em apenas 60 dias, registou-se um aumento substancial
da procura de pessoas com qualificações em soluções específicas de
segurança de IoT, com domínio de CloudFlare ou Orbit.
6 – Big Data: mais 71%
A Internet das Coisas aumentou substancialmente a quantidade de dados disponível e
gerou enormes volumes de dados para as organizações analisarem. As
empresas precisam recolher os dados que são relevantes para os seus
negócios, ao mesmo tempo que retiram os dados redundantes e protegem
esses dados.
Isto requer mecanismos altamente eficientes, incluindo Inteligência Artificial, software e protocolos, diz Pearson. “Estamos vendo uma forte procura por Cientistas de Dados e Engenheiros de
back-end que possam desenvolver algoritmos, recolher, organizar e
analisar todas essas diferentes fontes de dados. Utilizar
a Inteligência Artificial combinada com Big Data pode ajudar as
empresas a fazer tudo isto mais rápido e de forma mais eficiente”, diz ele.

7 – Desenvolvimento GPS: mais 44%
O mercado de GPS está a renascendo graças à IoT, em particular aos
dispositivos “wearables”, aos veículos inteligentes e às empresas
de logísticas. Os analistas da ABI prevêem que o mercado de GPS atinja 3,5 mil milhões de dólares em 2019, à medida que as empresas e os
consumidores comecem a aderir aos dispositivos com localização GPS. Também existe
ainda uma procura grande de profissionais que possam ajudar a desenvolver
a tecnologia GPS para wearables, veículos inteligentes e outras
aplicações IoT, acrescenta Pearson.
8 – Engenharia eletrotécnica: mais 41%
A criação da próxima geração de dispositivos conectados requer
conhecimentos de software e engenharia eletrotécnica, um dos ramos da engenharia elétrica. É por isso que se
regista uma procura cada vez maior de engenheiros eletrotécnicos, contratados para ajudar no desenvolvimento de
dispositivos integrados para aplicações móveis e na engenharia de
conexões de radiofrequência e de microondas para comunicações entre
dispositivos, refere Pearson.
9 – Design de circuitos: mais 18%
Os dispositivos conectados exigem que as empresas ajustem a adoptem o
design e desenvolvimento de microprocessadores para fazer face aos
novos requisitos de sistema. Por exemplo, as aplicações que dependem de
baterias de longa duração poderão precisar ter placas de circuitos
especialmente desenhadas para optimizar o consumo de energia, ou ter
vários microprocessadores e sensores em uma única placa de circuitos.
Isto significa uma maior procura na área de design para PCB e design 3D, sublinha Pearson.
10 – Programação de microcontroladores: mais 12%
A IoT é composta por bilhões de pequenos dispositivos
interconectados, muitos dos quais necessitam de pelo menos um
microcontrolador para adicionar inteligência ao sistema e ajudar
nas tarefas de processamento. Os microcontroladores são processadores embarcados, baratos e com baixo consumo de energia que têm programação e
memória integrada no sistema. Requerem linguagens específicas, assinala
Pearson.
