Se tem uma coisa que a Stelo já traz no seu DNA é a mentalidade do setor bancário brasileiro ao se proteger da concorrência que vem de fora. Não é novidade alguma como os bancos nacionais se prepararam e tornaram difícil a vida de bancos estrangeiros no País. No caso da Stelo, empresa de pagamento eletrônico criada por Bradesco e Banco do Brasil, além de se posicionar como opção de compra online mais segura num primeiro momento, o presidente da companhia, Ronaldo Varela, entende que lançar um produto que pode evoluir para uma carteira móvel no futuro é marcar terreno para quando players internacionais aportarem com força por aqui.
E não pense que ao falar da concorrência ele olha apenas casos como PayPal ou Mercado Pago, na visão do executivo, que já trabalhou em consultorias como a Booz Allen no passado, os concorrentes de peso serão
Google e Apple. O gigante das buscas é até mais fácil de visualizar pelo investimento na
Google Wallet, no caso da Apple, ele explicou que o produto já existe por meio do iTunes, assim, se a fabricante resolver abrir o sistema de compra e pagamento para lojas online ou costurar parceria com outras indústrias, como já existe de certa forma com o mundo editorial, a criadora do iTunes terá praticamente um sistema de pagamento eletrônico e carteira digital em operação por meio de sua plataforma e de seus dispositivos.
Mas o cérebro de consultor e toda a experiência executiva não o deixa correr com as coisas. Analisando o mercado local, ele vê grande potencial para uma carteira móvel no Brasil, mas não agora. “Mesmo no resto mundo isso ainda está em piloto, sem grande escala comercial”, garante, lembrando que ao pensar em pagamento móvel exclui o modelo de alguns países africanos que o fazem via SMS. “O pagamento móvel hoje tenta substituir o cartão no ponto físico e esse é o pecado porque o cartão é um meio efetivo. No Brasil, com o chip, ele é simples e seguro. Trocar esse cartão por um celular ainda não é simples, amigável e nem mais seguro”, avalia.
Além disso, esbarraria em questões culturais e até na sustentabilidade do negócio. Mesmo com argumento de que seria alternativa à população não bancarizada, um modelo exclusivo para esse público talvez não se pagasse agora. Assim, para garantir escala, é preciso aguardar que a tecnologia evolua para algo mais simples e prático. Enquanto esse momento não chega, a estratégia da Stelo está em criar um modelo de pagamento eletrônico que torne mais segura e simples a compra online via browser e aplicativos móveis.
Sem fraudes
“Hoje, queremos combater o problema no e-commerce e via um aplicativo que substitui a transação de um cartão não presente”, explica. “Focamos internet em desktop, celular e tablet, mas lembrando que se aplica a situações de cartão não presente. O aplicativo já nasce com NFC e possibilidade de gerar ou ler QR code para pagar e, lá na frente, entraremos com tecnologia de autenticação já pensando em substituir o cartão na loja física, mas não é o foco principal hoje.”
Então, como funciona e para o que serve? O cliente entra no site, preenche um cadastro com informações como CPF, RG, endereços de entrega e cobrança – no caso de entrega pode ter mais de um – e cadastra o cartão, que também pode ser mais de um deixando um deles como preferido. Após isso, quando for comprar em sites que aderiram ao serviço da Stelo, o usuário não precisará entrar com login e senha específico de cada e-commerce, mais que isso, como explica o executivo, ele não precisará, na melhor das hipóteses, preencher cadastros variados. Outra facilidade será a compra dentro do próprio aplicativo da Stelo. E você deve estar se perguntando, o que muda para o comprador? Facilidade e segurança. E o que muda para o e-commerce? Segurança, risco zero de fraude e, consequentemente, garantia de recebimento.
“Eu cubro o risco de fraude e na análise de dados observaremos até o fluxo de navegação o que pode aumentar a taxa de conversão de vendas”, explica. “O banco quer aumento de e-commerce e compras por dispositivos móveis, mas com o menor risco possível. Estamos levando um serviço ao lojista com taxa de conversão maior e com zero risco de fraude.” Todo o processo de confirmação da informação é de responsabilidade da Stelo e no caso de clientes Bradesco e Banco do Brasil a companhia se valerá de uma integração mais fácil.
Hoje, essa prevenção à fraude fica muito nas mãos dos lojistas e, de acordo com Varela, esse custo chega a 3% do valor da mercadoria. “Nosso sistema de monitoramento de fraude é dos mais completos do mundo. Usamos as mesmas ferramentas de Amazon, Facebook, Google e integrado ao sistema de risco do Banco do Brasil, do Bradesco e da Cielo.”
A Stelo iniciará sua operação comercial em outubro depois de um projeto iniciado em julho do ano passado. Hoje a companhia conta com 45 profissionais e uma estrutura de tecnologia que segue os rígidos padrões bancários, seguindo, assim, o DNA de seus investidores e se preparando para o futuro da carteira digital. Embora clientes BB e Bradesco tenham facilidade de integração e poderão aderir à plataforma Stelo por meio do internet banking, clientes de outras instituições poderão usar o serviço. O sonho maior, segundo Varela, é que outros bancos abracem a tecnologia Stelo, e eles estão abertos a promover integração igual à existente com seus investidores.