Polícia de Londres testa kit de análise de dados de smartphones

Policiais britânicos estão testando uma nova ferramenta de investigação: dispositivos de extração de dados de celulares. Ao todo, 300 membros do Serviço de Polícia Metropolitano Britânico, responsável pela patrulha da grande-Londres, estão treinando para usar a nova ferramenta, que está em fase de teste em 16 das 32 delegacias de Londres. O objetivo do projeto ? por enquanto, focado apenas em crimes de rua e assaltos ? é criar uma equipe especialista que vai oferecer aos investigadores a habilidade de acessar rapidamente e a qualquer momento, salvar e estudar dados armazenados no telefone celular dos suspeitos.
Por que a necessidade de analisar smartphone nas delegacias? ?Telefones celulares e outros dispositivos são, cada vez mais, usados em todo tipo de atividade criminosa?, disse Stephen Kavanagh, subdelegado assistente do Serviço de Polícia Metropolitano, em uma declaração.
Embora a polícia britânica tenha prendido uma boa parcela de membros locais do Anonymous, LulzSec e outros suspeitos relacionados a hacktivismo, a iniciativa para ter o acesso facilitado a capacidades forenses refletem o fato de que hoje, quase qualquer crime tem um possível componente virtual. De fato, devido à preponderância de telefones celulares, em especial, os suspeitos podem estar carregando importantes evidências digitais com eles quando são presos. Mas a polícia, ao menos nos EUA, está tendo dificuldade em lidar com a crescente demanda por análise de dados de dispositivos durante investigações.
A polícia britânica, tradicionalmente, tem de submeter o dispositivo móvel a um laboratório forense digital para análise, o que custa dinheiro e tempo durante a investigação. ?Portanto, uma solução dentro da delegacia, que permita que oficiais treinados examinem os dispositivos e dê acesso imediato aos dados daquele aparelho é muito bem vinda?, disse Kavanagh.
Os dispositivos de captura de dados utilizados pela polícia de Londres são feitos pela empresa britânica Radio Tactics, que desenvolve ferramentas forenses para extração de dados de telefones celulares, cartões SIM, dispositivos GPS e cartões de mídia. O serviço de polícia vai testar uma versão quiosque do produto, que roda em Windows 7 e tem funções de interface de tela sensível ao toque. De acordo com a empresa, o tempo médio do download de todos dados de um telefone ? incluindo histórico de chamadas, imagens, vídeos, e-mails e posts em redes sociais ? é de apenas 20 minutos.
Mas ?testar? é a palavra de ordem para o projeto de um ano, que a polícia está pagando cerca de $ 80.000, incluindo treinamento. A polícia ainda tem de comprovar que a extração de dados nas delegacias economiza tempo e dinheiro e que esses dados terão valor judicial.
Mais do que tecnologia, os procedimentos adequados de análise de evidências ? incluindo como os telefones são estudados e armazenados ? são essenciais nos esforços. ?Evidências digitais são muito incriminadoras?, um oficial forense da empresa de treinamento disse ao The Register. ?Então, os advogados de defesa vão atrás do procedimento?.
Mas o programa pode enfrentar outros obstáculos. Em especial, o grupo de direitos civis britânico Privacy International sugeriu que a polícia pode estar abusando de sua autoridade com o programa de dados. ?Estamos buscando uma possível brecha na lei de direitos humanos?, disse a porta-voz Emma Draper, à BBC. ?É ilegal manter indefinidamente perfis de DNA de indivíduos após serem absolvidos ou liberados sem acusação, e as informações de comunicação, fotos ou dados de localização no telefone da maioria das pessoas pode ser tão valiosas quanto DNA?.
Ela disse, também, que enquanto os 16 quiosques a serem implantados sejam mantidos seguros nas delegacias, qualquer tentativa de oferecer essa capacidade aos policias enquanto eles estiverem nas ruas pode violar leis de privacidade.
?Examinar o telefone celular de um suspeito depois que ele foi preso é uma coisa, mas se essa tecnologia for levada para as ruas e usada em blitz e buscas, seria uma expansão significativa e perturbadora do poder policial?, disse ela.
