Plataforma Appies promete ajudar desenvolvedor a ?pensar o negócio?

Com o desenvolvimento do mercado móvel cresceram também as opções de ganhar dinheiro com a produção e venda de aplicativos. Pegando carona nessa iniciativa, acaba de ser criada a Appies – uma powerhouse que tem como objetivo ensinar traquejos de negócios a programadores, que se valem de lojas oficiais para comercializar seus aplicativos ? com foco na chamada Geek Economy.
A ideia é que a plataforma, que estará disponível a partir de 2 de fevereiro de 2012, seja um espaço no qual desenvolvedores, sem qualquer conhecimento de negócios, possam tirar dúvidas, aprimorar estratégia de lançamentos, publicar seus aplicativos em outras línguas e, ainda, divulgar seu produto em mídias mobile. Em um primeiro momento, a companhia conta com parceiros de grande porte: Lomadee, Samsung, com as SmarTVs, Vivo e Telefônica
A Appies organizará quatro hackthons por ano, e sua plataforma estará plenamente completa no final de 2012. A companhia também prevê ter mais de dez mil desenvolvedores em 2014, com uma estimativa de mais de dois mil APPs e APIs funcionando a partir dela. No terceiro ano, ela espera faturar R$ 6 milhões. Na primeira fase do projeto, foram investidos R$ 500 mil.
Em entrevista ao IT Web, Bob Wollheim, CEO da companhia, explicou que toda a proposta está baseada no conceito de Geek Economy. ?É um conceito simples, do mundo de aplicativos, onde de um lado você tem desenvolvedores e, do outro, a plataforma utilizada no processo, que pode ser, por exemplo, o Android Market, no caso do sistema operacional do Google?, introduziu. Conforme o executivo, a marca concede ao programador uma série de serviços, tais como marketing e intermediação financeira. ?Percebemos que nestes ambientes também existem outras lojas de aplicativos não tão famosas, como de operadoras, de produtos do tipo TV inteligente, entre outros?, disse.
Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, o empreendedor é sócio da Sixpix ? conteúdo focado em Generation Y ? que publica as plataformas youPIX, ResultsON, ExpoY e SMW/Brasil. Bob é autor do livro Empreender não é Brincadeira (Ed Campus/Elsevier), Venture Corp da Endeavor.
De acordo com Wollheim, existe uma carência muito grande por parte do desenvolvedor no que diz respeito a vários aspetos de negócios. ?Hoje é muito barato desenvolver, mas faltam conexões de negócios, ideias e estruturas para que ele entenda como ganhar dinheiro?. A Appies terá um espaço de trabalho colaborativo em São Paulo, onde desenvolvedores poderão realizar encontros, trabalhar e utilizar para reuniões quando precisarem.
Acompanhe a entrevista feita com o executivo.
IT Web – Qual é a diferença entra o que vocês propõem e os serviços oferecidos atualmente pelas lojas de aplicativos?
Bob Wollheim – A conexão direta entre loja e desenvolvedor já existe. Queremos somar aspectos de negócios que algumas plataformas não fazem. Temos, por exemplo uma negociação de mídia mobile, que funcionará da seguinte forma: a pessoa que lançar um aplicativo terá um painel de controle e poderá escolher publicidade, por meio de banners mobile, para divulgar seu produto. Outro aspecto é o de business intelligence (BI), com uma planilha de controle de fluxo de caixa de gastos e outros aspectos de negócio. Vamos ter informações para indicar se a estratégia do desenvolvedor com o aplicativo é uma boa ideia ou não, não só do ponto de vista de conteúdo de seu produto, mas de mercado. Teremos, ainda, outros ativos mais concretos, como tradução de aplicativos para o espanhol, para ficar à disposição em toda a nossa rede na América Latina.
IT Web – Vocês já possuem parceiros?
Wollheim – A empresa foi criada nesta semana. Vamos lançar a plataforma no dia 2 de fevereiro de 2012. estamos trabalhando em busca de desenvolvedores, já possuímos uma rede informal. Daqui até fevereiro, atuaremos de uma forma mais tranqüila na seleção destes parceiros.
IT Web ? Como funcionará essa parceria?
Wollheim – Trabalharemos em duas categorias: uma delas mais próxima, à qual prestaremos uma consultoria mais personalizada, e outra com acompanhamento, porém não presencial. No primeiro caso, vamos ajudar com a parte de negócios aqueles desenvolvedores que considerarmos serem muito bons em termos de plataforma e tecnologia. A avaliação ocorrerá por originalidade de ideia e por potencial de negócio. Estimamos ter 650 parceiros do tipo ao longo do ano que vem. O outro grupo, menor, terá uma seleção online para participarem da plataforma. Eles terão acesso aos nossos padrões e dicas, mas não terão reuniões do tipo ?um a um?. Esperamos ter dez vezes mais desse tipo de parceiro com que no primeiro caso.
IT Web ? Qual será a cobrança?
Wollheim – Faremos uma apuração trimestral das produções e venda de aplicativos. Imaginamos algo em torno de 15% do que sobra hoje para o desenvolvedor. A App Store, da Apple, por exemplo, cobra 30% de comissão. Então, pela nossa forma, cobraríamos 15% do que restaria desse dinheiro para o desenvolvedor.
IT Web ? Vocês terão alguma plataforma de preferência?
Wollheim – Queremos ser multiplataforma. Estamos focando em Lomadee, Samsung, com as SmarTVs, Vivo e Telefônica, que neste primeiro minuto são nossos parceiros. Claro que focamos também programadores de Apple e Android, mas não ficaremos presos a eles.
IT Web ? Como funcionará essa rede internacional?
Wollheim – O desenvolvimento de aplicativos é em inglês. Até fevereiro, teremos parcerias nos Estados Unidos parecidas com as que formatados para o Brasil. E os desenvolvedores estarão online e poderão participar em qualquer parte do mundo.
IT Web ? Quais serão os meios de captação de parceiros?
Wollheim – Teremos uma série de eventos de faremos uma competição de desenvolvimento, que será feita em nossa sede na Avenida Faria Lima [capital de São Paulo]: começaremos em uma sexta-feira e acabaremos em um domingo. Ainda estamos definindo o prêmio. Além disso participaremos de uma série de eventos voltados ao público e também de nossos parceiros.
IT Web ? De onde surgiu a ideia para o projeto?
Wollheim – Estávamos olhando esse mundo das aceleradoras, incubadoras para startups e empresas e notamos a Geek Economy. Percebemos que, em vez de atuar com empresas, poderíamos ir direto para o universo do desenvolvedor, que é extremamente desafiador. Não cobramos nada na frente do participante, atuamos com o risco. Queremos sair do discurso e ir para a prática, para que o desenvolvedor possa, então, crescer pelo mundo.
