Parceria entre indústria e universidade pode render bons projetos

Não é de hoje que se fala do problema de mão de obra qualificada em tecnologia da informação. No caso da indústria, além da carência de engenheiros e programadores, faltam consultores para implantação de projetos e isso leva tempo. Uma das saídas é fechar convênios com universidades, algo que a maioria das companhias de TI faz e rende resultados bastante positivos. Mas, ainda assim, há uma barreira que é a de convencer a universidade a treinar o aluno em determinada ferramenta. A solução, talvez, esteja em focar esse intercâmbio mais em conceitos que no software em si.
Esse é o caminho seguido pelo programa de parcerias com universidades da Software AG que, no Brasil, já conta com sete universidades, entre elas a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e nove projetos em andamento, como detalha Jürgen Powik, diretor de relações com universidades da fabricante. ?Não é só a tecnologia em si, é questão de ensinar metodologia de projetos e esses conceitos não precisam ser aplicados apenas aos produtos da Software AG. O aluno pode replicar a metodologia em outras plataformas, inclusive de software livre?, pontua.
O executivo, que há quatro anos está à frente do projeto, afirma que não existem orçamentos regionais para esse trabalho, ele atua como liderança global e conta com interlocutores locais para facilitar a entrada nas academias. Ele sabe que o caminho não é tão simples, por isso a presença de representantes nos países de maior interesse, e exemplifica dizendo que, na Alemanha, por ser seu país e já conhecer todos os protocolos, consegue o contato de forma mais fácil e ágil. ?Colocamos situações de mercado para que os estudantes usem com o pacote que oferecemos. A única diferença entre nosso programa e de outras é que é totalmente gratuito e não tem a necessidade de usar um centro de excelência para rodar nosso software.?
Além do aluno, existe também uma preocupação com os professores e o programa prevê ações com o corpo docente das universidades parceiras, assim, esses profissionais poderão desenvolver um trabalho mais rico com os estudantes.
Outro ponto positivo do programa da Software AG é a busca e financiamento de boas ideias. É comum nesse tipo de intercâmbio os alunos encontrarem formas diferentes de encaminhar determinadas funções do software ou mesmo pensar novas funcionalidades para as plataformas. A fabricante aproveita esse tipo de conhecimento para incentivar que o estudante ? quando este apresentar algo realmente inovador ? abra sua própria empresa. ?Se o estudante descobre algo bom e que atende necessidade de mercado, podemos investir via nosso braço de venture capital?, afirma.
Mas, para isso, existe um processo a ser seguido. Primeiro o aluno envia um projeto de cinco a seis páginas falando sobre a ideia para o departamento de relações com universidades. Se aprovado nesta primeira triagem, o estudante recebe uma verba e é convidado a trabalhar no aprimoramento da ideia e a elaborar um plano final, com mais riqueza de detalhes. Esse último relatório será encaminhado à área de investimento que avaliará a possibilidade de alocação de recursos. Até o momento, nenhum projeto do Brasil chegou a essa fase, mas o programa no País ainda é recente.
*O jornalista viajou à Darmstadt (Alemanha) a convite da Software AG
