WebOS: Palm e seus (findos) dias de glória

Apesar de a HP, após adquirir a empresa em 2010, ter abandonado o nome Palm de seus atuais dispositivos, ele continua associado com a plataforma webOS e, por muitos anos, “Palm” foi sinônimo de PDA, ou Personal Digital Assistant. No começo dos anos 2000, não importava a marca de dispositivos, muitas pessoas diziam: “ah, você tem um Palm Pilot”. Era como chamar a “haste flexível” de “cotonete”.
A empresa não foi a primeira a lançar o PDA, mas foi a primeira a acertar. O Palm Pilot 1000 foi lançado em março de 1996 e vinha com um processador de 16MHz e 128KB de RAM. Apresentou uma nova maneira de entrada de dados por meio de seu método Graffit e finalmente permitiu às pessoas que levassem consigo informações, contatos e agenda com eles o tempo todo. Naquela época, era preciso ser muito importante na empresa para conseguir um laptop, e mesmo que tivesse um, ele era lento e grande. O aparelho cabia no bolso e era rápido no fornecimento de informações.
Dispositivos sem fio, como o Palm III, V e o VII, foram lançados nos anos subsequentes, cada um deles trazendo uma nova onda de funcionários instalando uma cópia do Palm Desktop em seus PCs para poderem sincronizar seus dados com o novo PDA.
Outras empresas como a Sony, TRG e mesmo a companhia chamada HandSpring, que tinha alguns fundadores da Palm, criaram produtos licenciados para o PalmOS. A companhia comprou a HandSpring por sua linha Treo, de telefones, mas os produtos das outras empresas ficaram de lado. Após uma decisão desastrosa de vender sua divisão de sistema operacional em 2003, readquiriu os direitos do PalmOS em 2005 e decidiu focar novamente seus esforços na empresa.
A plataforma estava velha e precisava de uma substituta. A empresa fez uma tentativa com o PalmOS – codinome Cobalt – mas não foi escolhido por nenhum fabricante de hardware, nem mesmo nos da companhia. Na verdade, ela licenciou o Windows Mobile 5 e 6 da Microsoft para ser executado em seus telefones Treo. Depois, em 2009, lançou o webOS, um sistema operacional completamente novo que iria competir com o iPhone.
As vendas foram modestas e, em 2010, a empresa ficou à venda. A HP apareceu e nos levou às consequências de hoje.
A HP alega que irá analisar oportunidades de licenciamento ou outros métodos para manter o webOS vivo, mas a realidade é que ele está acabado. Não há dispositivos planejados para o sistema operacional e quais empresas iniciariam a fabricação de telefones ou tablets quando o dinheiro e outros recursos da HP poderiam abocanhar uma parcela do mercado móvel?
Esse fato deixa apenas quatro competidores no mercado: iOS, Android, BlackBerry e Windows Phone 7. Neste ano testemunhamos a saída de dois: primeiro o Symbian e, agora, o webOS.
(Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini)
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