Os desafios do CIO 3.0

Você já parou para pensar como está ficando cada dia mais difícil a vida de quem não entende de tecnologia? Do frentista ao garçom, do motorista de táxi ao caminhoneiro – todos precisam interagir com gadgets e inserir dados em programas gerenciais, entre outras atividades.
Na vida pessoal é a mesma coisa: assistir filmes na televisão, falar com amigos e traçar a melhor rota para chegar de carro a qualquer lugar. São atividades corriqueiras, mas que exigem o mínimo de intimidade com tecnologias como internet, painel touch, aplicativos, digitação e afins.
Há pouco tempo, os profissionais das empresas de TI eram os únicos que entendiam sobre tecnologia. Qualquer explicação dada por eles era incontestável por pura falta de informação dos demais “seres humanos comuns”.
Essa realidade, contudo, vem mudando rapidamente. Crianças com cada vez menos idade são capazes de escolher, comprar e baixar aplicativos que facilitam seu dia a dia ou que proporcionam momentos de lazer.
Nas empresas, essa realidade não é muito diferente. Todo gestor que precisa entregar resultados busca novas tecnologias capazes de aumentar a eficiência da equipe e agregar valor à sua atividade fim. Hoje, para ele, a orientação do profissional de TI não representa mais a verdade absoluta e alguns estão questionando esse setor ou muitas vezes burlando algumas regras. Com pouco esforço é possível se abastecer de informação e percepções de usuários, amigos, grupos e comunidades – corporativos ou não – sobre determinadas tecnologias, modismos e ou novidades.
Com o avanço rápido dos smartphones e dos aplicativos nas nuvens “as a service”, “baixar” aplicativos tornou-se uma atividade corriqueira, sem mistérios para qualquer um.
Se antes a área de TI era a única expert e tinha o poder de decidir pela utilização dessa ou daquela tecnologia, hoje a dinâmica é bem diferente. Gestores e responsáveis pelas áreas de negócio estão buscando mais espaço na hora de decidir qual é a melhor aplicação tecnológica para o seu business.
As empresas de tecnologia também vêm buscando afinar o discurso com as áreas de negócios para alavancar ainda mais oportunidades. Se por um lado essa “abertura” pode ser muito boa e impulsionar a demanda por outro pode ser perigosa para o controle e alinhamento das estratégias das empresas.
Nesse contexto, o papel do CIO nas corporações vem mudando completamente. Agora, ele não pode ser apenas o grande conhecedor e especialista em TI, característica principal da versão 1.0 desse executivo – e nem apenas observar a tecnologia entrar no cotidiano dos outros C’s, fenômeno vivido pelo CIO 2.0. Ele precisa ser 3.0, conhecendo bem o negócio da empresa e muito de cada uma das áreas operacionais e as tecnologias disponíveis para cada uma delas.
O CIO passa ser um miniespecialista em Marketing, Finanças, RH e Produção, entre outras. Não no sentido de conhecer a fundo cada área, mas sim ao ponto de ter subsídios para discutir os impactos desta ou daquela onda ou modismo que possam surgir e as inter-relações com os demais sistemas e áreas da empresa.
Sim, esse executivo terá de ser cada vez mais um consultor de integração do negócio, liderando não apenas a infraestrutura e sistemas principais, mas também a integração de diversas tecnologias e aplicações interdependentes. Ele será um diagnosticador, transformando os pedidos abstratos de seus colegas em soluções úteis, trabalhando em colaboração para ajudá-los a determinar o que realmente esperam alcançar.
E é preciso saber escolher cada batalha, principalmente aquelas que serão lutadas contra quem tem orçamentos muito maiores, como a área de Marketing. Isso é destrutivo e contraproducente. O CIO que mais rápido correr nessa direção e passar a ver em seus pares de outras áreas aliados para a evolução de sua carreira será aquele que mais se beneficiará desse novo momento – e mais trará benefícios para sua empresa.
Não há tempo a perder. Nessa hora entram em cena fornecedores que são capazes de oferecer soluções completas, as “one stop shop”, empresas capazes de desenhar o projeto levando em consideração o que há de melhor em cada um dos diversos fabricantes de acordo com as necessidades individuais de cada cliente. Ao avaliar a atuação e a cultura da empresa, além do perfil dos profissionais, é possível trilhar o melhor caminho para auxiliar o CIO e seu time a serem mais eficientes e produtivos.
O desafio para este novo CIO 3.0 é enorme. Bem-vindo ao time dos que gostam de vencer!
*Roger Melo é diretor da Softline
