Operadoras devem investir em aplicativos para ganhar mercado

Viabilizar o desenvolvimento de aplicativos próprios, iniciar um processo de trabalho de criação junto aos desenvolvedores e ampliar a estrutura de banda 3G estão entre os desafios para o mercado de telecomunicações nos próximos anos. O ponto de vista foi exposto durante a Futurecom 2011, no painel ?O mundo das aplicações móveis permeando toda a sociedade e potencializando o crescimento dos negócios?, que teve como mediadora a jornalista Renata Fan.
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Para a discussão, estavam no palco representantes de operadoras, governo e fabricantes, que levantaram questionamentos importantes quanto o futuro da utilização de banda no Brasil. ?Hoje, a utilização de aplicativos consome muito a banda das operadoras e, se a companhia cortar o uso, haverá retaliações. Sendo assim, as operadoras investem em maior banda, em renovar as infraestruturas, mas os aplicativos continuam a utilizar a rede?, explicou Rafael Steinhausser, presidente de operações da Acision América Latina.
Para Steinhausser, o ideal é que as empresas de telecomunicações iniciem um processo de desenvolvimento de aplicativos próprios, que conheçam a fundo o usuário e sejam capazes de dar as mesmas funções que ele já tinha, de forma escalável. ?Hoje, a operadora não ganha nada com os aplicativos, pois 70% vai para o desenvolvedor e os outro 30% para a plataforma (iOS, Android etc)?, complementou.
Dentro desta mesma linha de raciocínio, Tarcisio Ribeiro, VP e gerente geral para a Europa, Oriente Médio e África da Tellabs, disse que as operadoras que atuam no mercado europeu já notaram essas ?falhas? e estão trabalhando para conciliar o consumo de banda e utilização de aplicações. ?Apps geram consumo de banda muito grande, isso é um fato, e as operadoras não participam da divisão dos lucros. Na Europa há um movimento para a criação de algo que gerencie e gere controle dessa forma de consumo?, lembrou.
Demanda por acesso
Segundo Lourenço Pinto Coelho, a busca por acesso à internet sempre existiu ? seja através de dispositivos móveis ou convencionais -, e a crescente demanda por conexão é um desafio recorrente. ?As aplicações que existem hoje são formas de sanar problemas notados antes. E hoje, já temos que pensar em como resolver a demanda que vai surgir?, afirmou.
Segundo Lourenço, em 2020 serão cerca de 50 bilhões de equipamentos conectados à rede ?e isso trará uma enormidade de oportunidades para quem já conseguir antecipar os possíveis problemas que vão surgir em torno do consumo?.
Voz como serviço
Pode parecer engraçado pensar, mas o serviço de voz voltou a ser uma prioridade para as operadoras de Telecom. ?Hoje você tem aplicativos que lê a as suas SMSs, para que você não perca tempo com isso. Há até aplicativos que transformam a voz em texto. Investir em serviços como extensão da oferta principal é essencial para o futuro das telecomunicações?, afirmou Carlos Brito, VP para o Caribe e America Latina da Genband.
Copa de 2014
Jair Santiago, diretor de produtos e serviços da Vivo, disse que enxerga duas grande oportunidades para o mercado de telecomunicações na Copa do Mundo de 2014. ?Podemos atrair novos usuários para conexão, trazer novas contas. Tratar a acessibilidade de forma mais forte, investir em infraestrutura e oferecer serviços conectados, que envolvam a utilização em torno da experiência de uso em território nacional?, disse.
A segunda oportunidade, volta a ser uma tecla já citada anteriormente: gerar aplicativos próprios. ?Prover conexões e conteúdo. Agregar apps que tragam proximidade com a operadora e sejam úteis para o reconhecimento do território, informações em tempo real dos jogos, entre outros?, explicou.
Cenário
Segundo Rafael Steinhausser, o Brasil tem muito a investir no mercado de banda larga móvel, pois, hoje, ?a cada três aparelhos celulares vendidos, apenas um é 3G?. ?Os usuários não entendem a necessidade de ter um aparelho de terceira geração, pois já esperam que o acesso de erro, seja lento. Há uma lacuna de infraestrutura e compreensão muito grande no mercado, e isso deve ser sanado com ações conjuntas entre operadoras, fabricantes e governo?. Segundo o executivo da Acision, apenas 10% dos terminais no Brasil são 3G.
