O plano do Google para eliminar cookies

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10:18 am - 24 de setembro de 2013

O Google está estabelecendo um plano para deixar de rastrear usuários da Internet por cookies, que são pedaços de código armazenados nos navegadores que permitem que propagandas externas e empresas de marketing rastreiem os hábitos de navegação dos consumidores.

Em vez disso, o Google propõe um novo sistema que usaria identificadores anônimos para propaganda – ou AdID – para coletar informações de usuários, de acordo com o USA Today. Anunciantes e redes de propaganda que concordarem em obedecer ao código de conduta do Google – que ainda precisa ser detalhado – teriam acesso ao AdID. Teoricamente, o código de conduta preservaria algumas proteções de privacidade básicas para os usuários, incluindo a habilidade de optar por não receber ou definir diferentes políticas de AdID para diferentes sites, mas todos esses detalhes ainda precisam ser revelados.

Quando pedimos que comentassem sobre o assunto, uma porta-voz do Google enviou, por e-mail, a seguinte declaração: “Acreditamos que aprimoramentos tecnológicos possam melhorar a segurança dos usuários enquanto a web se mantém economicamente viável. Nós e outros temos alguns conceitos nesta área, mas ainda estamos em estágios iniciais”.

O Google reportou planos de se encontrar com grupos de consumidores, agências governamentais, grupos industriais e qualquer outra entidade com investimentos na indústria de propagandas online, que o Google domina. Além disso, de acordo com o Net Market Share, o Chrome, navegador do Google, também desfruta de uma fatia de 16% do mercado de navegadores. Embora menos do que o IE (58%) e Firefox (19%), ainda dá ao Google alguma vantagem.

Anunciantes, no entanto, responderam de forma indiferente à sugestão do Google, porque consolidaria demais o poder de propaganda nas mãos do Google e Apple, que no ano passado apresentou o Apple Advertising Identifier para todos os dispositivos iOS, junto com proibições para desenvolvedores ou anunciantes que usassem UDID para rastrear usuários diretamente. “Pode haver preocupações na indústria sobre um sistema que transfere mais benefícios e controles para operadores como Google e Apple”, disse Clark Fredricksen, da eMarketer, que rastreia a indústria de anúncios digitais, ao USA Today.

Talvez não surpreenda – dado a quantidade de renda do Google que deriva de anúncios online – que o Chrome nunca tenha bloqueado cookies por padrão. Ao contrário, o Safari, da Apple, lançado em 2003, sempre bloqueou cookies de terceiros por padrão. O Mozilla, por sua vez, planeja fazer o mesmo com o navegador Firefox este ano, apesar dos intensos protestos da Interactive Advertising Bureau (IAB). O Internet Explorer 10 também foi lançado com a configuração padrão Do Not Track (DNT), indicando que os usuários não querem ser rastreados. Redes de anúncios, no entanto, não têm de cumprir essa solicitação.

A ação do Google beneficiará consumidores? Por enquanto, a empresa divulgou apenas alguns poucos detalhes, tornando as análises meramente especulativas, disse o professor da Universidade de Stanford, Jonathan Mayer, que estuda privacidade e anúncios online, e que, recentemente, trabalhou no padrão DNT da W3C. Mas, uma pergunta que certamente o Google irá enfrentar é: “Pela perspectiva da privacidade do usuário, como o AdID é um aprimoramento?”, disse Meyer por e-mail. “Usuários podem – e cada vez mais irão – ver como os padrões do Safari e Firefox bloqueiam completamente cookies de terceiros”.

Consequentemente, será que a abordagem AdID, do Google, fará com que consumidores preocupados com privacidade adotem outros navegadores?

Além disso, como exatamente o AdID se diferencia do DNT, que anunciantes – incluindo grupos comerciais a que o Google pertence – têm resistido ativamente? “O Google ainda não tem suporte para o Do Not Track, apesar de ter participado de uma declaração da indústria há um ano e meio”, disse Mayer.

“Em vez de começar do zero, por que o Google não suporta a tecnologia de controle de consumidor que já é padrão em todos os grandes navegadores web? Twitter e Pinterest já o fazem, também”.

Esperamos, também, que as alegações de anonimato do Google para os consumidores via AdID passem por um exame detalhado, especialmente devido à vasta quantidade de dados que a empresa já pode e, de fato, coleta das buscas realizas pelos usuários e hábitos de visualização no YouTube, assim como por meio da propaganda móvel Admob e divisões de propaganda online, DoubleClick.

“O Google precisa demonstrar que isso não é simplesmente uma ação de RP pensada para passar alguma segurança aos usuários cada vez mais preocupados com questões de privacidade”, disse Jeffrey Chester, diretor executivo do Centro de Democracia Digital (CDD), por e-mail. “A realidade é que o Google é viciado em coletar nossos dados – é sua fonte de renda. O AdID provavelmente irá apenas ajudar a expandir a vigilância sobre usuários online, especialmente naqueles focados em monetizar com nossos telefones celulares e atividades locais”.

Espere, também, que qualquer proposta AdID formal do Google tenha de passar por inspeção da Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês). Isso graças ao acordo de privacidade de 2011 do Google com a agência, derivado das violações de privacidade associadas ao lançamento da – hoje falecida – rede social Buzz, que levou o gigante das buscas a concordar em se submeter a revisões frequentes de suas politicas de privacidade. “O FTC deverá revisar o AdID para determinar se ele viola o compromisso de cessação de 20 anos do Google”, disse Chester.

Curiosamente, o Google já violou esse acordo uma vez, o que gerou uma multa recorde no valor de US$ 22.5 milhões, depois que Mayer, de Stanford, descobriu que a empresa estava contornando as configurações de privacidade do Safari e colocando cookies de rastreio diretamente no computador dos usuários do navegador da Apple.

 

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