O acesso à rodovia é por terra

Esta transição de serviços é tão clara que todas as empresas de telecomunicações já se posicionaram frente a esse novo mercado. Como o meio que transporta dados também permite o tráfego de voz, esses dois conteúdos são tratados de forma comum, sendo literalmente empacotados (através de padrões de conexão próprios) e transmitidos a altíssimas velocidades por toda a rede.
Mas o desafio de tornar a rede de acesso (a chamada última milha) compatível com a nova realidade do mercado é muito grande. O volume de fios de cobre que atende a malha final das redes de grandes centros urbanos daria algumas voltas no Globo Terrestre. Infelizmente, o tradicional par trançado de cobre, implementado para suportar a velha economia (apenas voz), apresenta restrição de velocidade, o que compromete o adequado tráfego de dados.
Como saída, temos as atuais conexões de TV a cabo ou a utilização de padrões digitais assíncronos (oferecidos pelas grandes empresas de telecomunicações), que atuam como se estivéssemos ?envenenando? a conexão de cobre, dando a esta uma desempenho razoável, pelo menos por mais alguns anos (até que se possibilite uma ampla substituição dos fios por links de fibra ótica, estes sim definitivos).
Assim, quase que por ironia, o maior desafio das telecomunicações não é tecnológico, mas sim logístico. Enquanto nós adquirimos ?supercomputadores domésticos? e as empresas de telefonia implementam backbones internos de Megabits por segundo, ficamos todos engarrafados no trânsito da última milha. A Information Highway mencionada por Bill Gates já está aí. Mas o acesso é por estrada de terra…
