Reconhecimento facial pode ser usado para falsificar identidades

Após retorno da febre do FaceApp, analista-sênior de segurança comenta sobre riscos do compartilhamento de imagens para uso de reconhecimento facial

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1:00 pm - 16 de junho de 2020
faceapp

No último final de semana, o aplicativo FaceApp voltou a bombar nas redes sociais após a liberação gratuita do filtro “mudança de gênero”. A novidade gerou até a hashtag “faceappchallenge” e recebeu centenas de milhares de compartilhamentos no Facebook e no Instagram. Com isso, também retornaram os questionamentos sobre a segurança do app de reconhecimento facial e os riscos do compartilhamento dessas informações para a privacidade.

O app não possui nenhum item malicioso. No entanto, pelo fato de o reconhecimento facial ser uma tecnologia usada principalmente para a autenticação de senhas, o usuário deve ter bastante cuidado ao compartilhar sua imagem com terceiros. Temos que entender essas novas maneiras de autenticação como senhas, já que qualquer sistema de reconhecimento facial disponível a todos pode acabar sendo usado tanto para o bem quanto para o mal.

Por utilizar Inteligência Artificial para fazer as modificações a partir do reconhecimento facial, a empresa dona do app pode vender essas fotos para empresas desse tipo. Além disso, é preciso ter consciência que esses dados estão armazenados em servidores de terceiros, e que também podem ser roubados por cibercriminosos e utilizados para a falsificação de identidades.

Por isso, recomendo que, caso queiram entrar na brincadeira, os usuários fiquem atentos sobre a segurança do app e baixá-lo apenas de lojas oficiais. É importante a leitura dos termos de privacidade de todos os apps para entender quais informações são solicitadas. Mais de 60% dos brasileiros não leem esses termos e esquecem de pensar sobre como seus dados podem ser utilizados.

Ao baixar apps, recomenda-se que os usuários:

• Tenham certeza de que o aplicativo é de confiança e está nas lojas oficiais;
• Leiam os termos de privacidade para entender que informações são solicitadas;
• Entendam o reconhecimento facial como uma senha – não saia utilizando em todos os lugares,
• Sempre verifiquem quais permissões são solicitadas, como login associado à uma conta existente em determinada rede social.

*Fabio Assolini é analista sênior de segurança da Kaspersky

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