Real Digital: privacidade e programabilidade protagonizam discussão da moeda

No Febraban Tech, especialistas revelam consenso de que é preciso equilíbrio entre privacidade e uso do Real Digital

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5:31 pm - 28 de junho de 2023

O Brasil está avançando de forma acelerada nas discussões do Real Digital, moeda virtual nacional, e com pilotos sendo executados em ambientes controlados, a ideia agora é se certificar de duas questões importantes: privacidade e programabilidade.

Em painel no Febraban Tech, evento que discute tecnologias para o setor financeiro, Fabio Araujo, economista do Banco Central do Brasil, apontou que o Central Bank Digital Currency (CBDC) é uma forma de dinheiro digital que governos de todo o mundo – mais de 95% do PIB mundial – estão experimentando e estudando e que chega para solucionar desafios de ativos digitais.

“Identificamos nove projetos e ficamos satisfeitos com o que conseguimos avançar com o mercado. Um ponto que ainda não ficou totalmente esclarecido foi a privacidade. Resolvemos que seria importante fazer uma fase de testes específico para isso e abrimos o piloto do Real Digital e selecionamos os 16 participantes desse projeto. Começamos a integrar esses grupos a partir da próxima semana para discutir os passos seguintes, especialmente a privacidade. Temos de encontrar equilíbrio entre privacidade e uso e criar bons produtos para fazer bom uso dos ativos digitais”, esclareceu Araujo.

Thamilla Talarico, sócia-líder de Blockchain e Crypto da EY Brasil, apontou que no Brasil observa-se o fomento de modelos de negócios com base em ativos digitais. Sobre o Real Digital, a aposta da especialista é de que ele permitirá gerar liquidação de forma regulada e será uma foram mais segura de acessar novos produtos. “Com o avanço do piloto do Real Digital, plataforma de liquidação nativa digital com apoio do Banco Central, junto com a Lei das Criptomoedas, que entrou em vigor no dia 20/6, nos tornamos uma jurisdição de nível mundial”, observou.

Para ela, agora com o piloto do Plano Real, a diretriz é testar privacidade e programabilidade. “Existe preocupação de como conseguimos manter o respeito à legislação pré-existente. Temos a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que limita o que pode ser guardado, tem o sigilo bancário, e ainda como usar a plataforma blockchain, no caso do Real Digital, fechada, mas compatível com o Ethereum, daí vem a discussão da programabilidade”, explicou ela.

Real Digital na prática

Larissa Moreira, coordenadora para CBDC e Crypto do Itaú Unibanco, apontou que o Itaú foi um dos bancos selecionados para participar do piloto do Real Digital. Nessa arena, a entidade se propõe a executar cenários com os principais componentes que precisam ser testados nesse momento.

“Um ponto-chave nesse piloto é testar toda a cadeia, não só liquidação bancária, mas entre clientes. Se sou cliente do Itaú e vendo meu título público nessa transação, vamos testar execução da transferência, como também a transferência do real digital do Itaú para outro banco”, exemplificou ela.

Nesse contexto, será possível enxergar revisão de papeis e responsabilidade, ganho de eficiência e entender novos modelos de negócios, que é um dos pontos nevrálgicos que o Banco Central quer estimular. “Estamos em momento como o início da internet. Tem coisa que não temos ideia de como vai acontecer”, disse, reforçando que o Itaú está animado para participar desse momento histórico.

De fato, pontuou Jayme Chataque, head sênior de ativos digitais de Blockchain do Santander Brasil, a grande expectativa hoje em torno do Real Digital é sujar a mão de graxa: sair da teoria e ir para a prática. “No Santander, temos o privilégio de alavancar iniciativas de ativos digitais, coordenadas por uma célula em Madri, que trabalha em parceria com o centro de excelência de blockchain e estamos ansiosos para trazer o conhecimento para o mercado brasileiro. Está na hora de testar em ambiente real no Brasil.”

Para Leandro Vilain, partner da prática de Finance Service da Oliver Wyman Brasil, consultoria de estratégia, a tecnologia do Real Digital já se mostrou viável e o Brasil se apresenta agora novamente na vanguarda de tecnologias em todo o mundo para o setor financeiro. “Agora, é sentar e avaliar como serão os casos de uso na ponta. Nesse contexto, a tokenização é importante”, reforçou, acrescentando que agora é necessário priorizar e atuar de forma cirúrgica, consolidar o que funcionar e passar para as fases seguintes.

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