Mobilidade e redes sociais são os atuais foco dos cibercriminosos

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4:09 pm - 04 de outubro de 2012

A Norton, divisão de tecnologia voltada para consumo final da Symantec, divulgou o Norton Cybercrime Report 2012, relatório global da fabricante, que mostrou que o cibercrime causou prejuízos na ordem de US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões) no Brasil nos últimos 12 meses, e de US$ 110 bi em todo o mundo.

O estudo, que revela o comportamento e problemas de cibercriminosos, e aponta as necessidades e vulnerabilidades dos usuários, chegou aos valores após coletar informações de relatos pessoais de mais de 13 mil adultos de 24 países, entre 16 e 30 de julho de 2012, com o auxílio da StrategyOne. No Brasil, é estimado que mais de mais de 28 milhões de pessoas foram vítimas deste tipo de crime nos últimos 12 meses, sendo que os prejuízos por vítima são de R$ 562.

Adam Palmer, chefe da área de cibersegurança da Norton, explica que, devido a explosão do mundo multiplataforma, principalmente do avanço da utilização da internet por meio de smartphones e tablets, os cibercriminosos evoluíram a forma de atacar o usuário, criando ameaças específicas para cercar os usuários além dos PCs e notebooks. ?Essa ameaça é potencializada através das redes sociais, por meio de jogadas como ?adicione o botão de dislike (não curtir) no Facebook?, entre tantas outras formas de persuadir as pessoas?, conta.

Obviamente, como nota Fabiano Tricarico, diretor de vendas da área de consumo da Symantec América Latina, esse comportamento mutante das formas de ameaça também mostra a fraqueza por parte dos usuários em conhecimentos, até mesmo superficiais, de proteção de dados e informações em diferentes plataformas. Palmer complementa essa visão: ?As pessoas se esquecem da segurança nos smartphones e nos tablets. Os consumidores sabem dos problemas, mas não sabem o quanto o cibercrime evolui diariamente.?

O grande problema da segurança da informação no Brasil é a falta de educação digital. Como sabemos, nos últimos anos foi realizado um grande esforço do Governo para inserir a população na World Wide Web, desde a diminuição dos preços de máquinas, através de subsídios para fabricantes, até ao Plano Nacional da Banda Larga (PNBL), que visa a entregar internet a preços mais baratos. Faltou, no meio do caminho, um esforço similar para inserir nos usuários a educação digital, através de campanhas para a segurança em ambientes virtuais.

?Para a maior parte da população, phising, hacker e spam são apenas palavras diferentes para falar de vírus?, afirma Tricarico. ?O crescimento do consumo apenas torna nosso mercado ainda mais interessante para os cibercriminosos, pois as pessoas querem fazer as coisas pela internet.?

Voltando ao estudo, a Norton afirma que até ameaças mais simples e óbvias são bons negócios para os cibercriminosos. De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros já receberam mensagens de texto no celular pedindo para clicar num link ou solicitando discar um número. ?As vulnerabilidades móveis dobraram de 2010 para 2011, e a gama de ameaças partem do mais simples ao mais complexo sistema?, ressalta Palmer. ?Os usuários estão dispostos a se infectarem, seja no exemplo do Facebook (citado acima) ou acreditando que vão ganhar algo.?

Como notado, as vulnerabilidades móveis são amplificadas pelas redes sociais. Um em cada cinco adultos com vida online (21%) foi vítima de fraudes no ambiente social ou móvel, e 39% que possuem redes sociais foram vítimas de malwares sociais, afirma a Norton. O estudo informa, também, que, embora 75% dos entrevistados acreditem que os cibercriminosos estejam mirando as redes sociais, menos da metade (44%) utiliza uma solução de segurança que os proteja contra ameaças nestes ambientes. Além disso, apenas 49% usam as configurações de privacidade para controlar as informações que compartilham.

?O comportamento de risco é a principal falha do usuário. Por exemplo, 1/3 deles não desconecta a conta depois de cada sessão; 1/5 não verifica os links antes de compartilhar; e 1/6 não tem ideia se as suas configurações são públicas ou privadas?, observa Palmer. Novamente, mas sem ser repetitivo, falamos da falta de conhecimento sobre as capacidades da segurança da informação e as formas que ela se mostra. ?As pessoas devem entender que os computadores não cometem crimes, mas as pessoas sim.?

Mais dados relevantes:

89% das pessoas apagam emails suspeitos de pessoas que não conhecem;
21% não tomam medidas para proteger suas informações pessoas enquanto estão acessando a internet;
42% não sabem como um malware ou vírus funciona;
55% não sabem se seus computadores estão limpos de vírus;
48% estão usando apenas a proteção antivírus básica;
28,3 milhões de brasileiros são vítimas por ano de cibercrimes ? 3 vezes a população de São Paulo;
Globalmente, existe cerca de um milhão e meio de vítimas todos os dias;

Na ordem, os países que mais originam ataques no mundo são Estados Unidos, China, India, Brasil e Alemanha. Palmer explica que nos EUA já existe um trabalho forte junto à polícia para prender e identificar os cibercriminosos, e que no País esse processo está caminhando, mas ainda é bastante incipiente. ?Estamos treinando os policiais para derrotar esses criminosos com a aplicação da lei?, conta o executivo.

Este é um grande problema para nós, onde a legislação brasileira está bastante atrasada quanto aos ambientes digitais. Parafraseando Palmer, os cibercriminosos correm na velocidade da luz, e o governo na velocidade da lei, e essa realidade pode causar problemas para o nosso futuro digital, se não houver um trabalho mais forte das instituições governamentais para assegurar a navegabilidade e acesso seguro às redes, além das soluções de fabricantes como a própria Norton.

Beto Santos, country manager da Norton Brasil, conta que, para tentar incutir a ideia de segurança nos usuários, a companhia faz algumas palestras em universidades, mas, como complementa Tricarico ?é um trabalho de formiguinha?. ?Fazemos nossa parte, mas não há nada estruturado com o governo, por exemplo?, finaliza Santos.

O usuário final também é corporativo…

Todos esses números refletem, principalmente, o consumo final, e podem ser usados para alertar as empresas, pois o usuário final também é corporativo, e a falta de consciência para o acesso às redes sociais, sites ou qualquer ambiente digital, pode significar um grande risco para as empresas.

Assim como tateio a necessidade de investimentos públicos na conscientização dos usuários, as empresas devem fazer o mesmo com seus empregados, pois, de fato, é um “trabalho de formiguinha”, como dito anteriormente, e que deve ser feito por todos que entendem o risco que se tornou os ambientes multiplataformas.

Sabe aquela história de que a mudança cultural é um processo lento, que começa sempre pelo indivíduo e se espalha nas comunidades? Ao invés de repreender seus colaboradores, busca incentivar a educação digital, para que a empresa não entre nas estatísticas dos custos gerados por ações de cibercriminosos. É um trabalho que precisa ser feito.

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