Mesmo com Siri brasileira, software não substitui aplicação oficial

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4:37 pm - 03 de janeiro de 2012

A tecnologia desenvolvida por um brasileiro de 15 anos que faz a Siri, software de Inteligência Artificial do iPhone 4S, aprender português não substitui uma eventual aplicação oficial. A opinião é de Braulio Medina, responsável pelo desenvolvimento de negócios e inovações da uberVU na América Latina e Advisor na Lifeboat Foundation, que citou como motivo as diferenças que cada cultura tem no contexto da websemântica.

?É uma solução engenhosa e é muito louvável que um adolescente de 15 anos consiga utilizar de conhecimentos tão específicos. Isso não tira os méritos, ele é um excelente desenvolvedor?, afirmou Medina.

O responsável pela façanha foi o adolescente Pedro Franceschi. De acordo com um post no blog do garoto ,que explica o caminho que trilhado até chegar à Siri brasileira, ele utilizou SiriProxy em Ruby para redireciona todo o tráfego dos servidores para seu computador.

Com amigos ajudando, Franceschi compilou a API do Dragon Dictation, que é um aplicativo que faz reconhecimento de voz em português, em Java para entender o protocolo e a combinou com a API de Text->Speech do Mac OS X.

?Basicamente, o algoritmo pega o sinal de áudio, aplica a Transformada de Fourier, faz uma ordenação progressiva das séries harmônicas e compara dois sinais utilizando o método da similaridade do cosseno em dimensão-N?, explicou em seu blog.

?Funciona assim: a tecnologia, primeiro, passa a voz para texto, depois faz o texto em português e o passa para o inglês, e depois faz o texto em inglês virar áudio usando o sistema operacional do dispositivo mesmo. Depois o Siri recebe um input em áudio. Aí ele vai buscar as respostas e retorna em inglês?, detalhou Medina.

Segundo o especialista, a Siri se tornou, além de um assistente pessoal, um serviço de buscas semânticas. Se, por acaso, o usuário questionar ao software ?quem foi Maria Bonita?, fazendo uma alusão à esposa de Lampião, surge a dúvida sobre a efetividade do retorno do software, ao menos nesses moldes de tradução criado pelo jovem brasileiro. A Siri receberia o questionamento, neste caso: “who was beautiful Mary?”, termo que seria “empobrecido” no que diz respeito ao arcabouço cultural em língua inglesa.

Desta forma, resta uma barreira na contextualização do conhecimento, que muito mais do que da língua portuguesa, é da cultura brasileira por trás dela. ?Uma Inteligência Artificial única não vale perfeitamente para todas as línguas, porque a própria noção de língua é diferente?, concluiu.

Mesmo com a tecnologia desenvolvida pelo garoto, Medina ainda é cético sobre a chegada da Siri em português em um prazo inferior a cinco anos.  ?A pior barreira é a semântica. O Wolfran Alfa [um mecanismo de conhecimento computacional], que esta por trás da Siri, é uma máquina supersofisticada baseada em matemática e que consegue fazer interconexões entre diversas informações.  Nunca ouvi dizer que esse processamento de inteligência artificial semântica  responde em português?, pontuou.

De acordo com o garoto, ?o hack, no momento, não tem como ser disponibilizado para o público por questões técnicas. Existem umas 10 integrações com diferentes APIs e modelos matemáticos para obter esse resultado, e é muito difícil encontrar uma forma de disponibilizar isso no momento?. O IT Web tenta contato com Pedro Franceschi, mas ainda não obteve resposta.

 

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