Internet 2 avança no Brasil

| Redes de pesquisa que já assinaram MoU |
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“Estamos implantando desde maio deste ano um nova rede de backbone com tecnologia ATM para as regiões de maior tráfego e de Frame Relay para as áreas com menor intensidade, que deve chegar a capacidade de 155 Mbits por segundo”, conta José Luiz Ribeiro Filho, coordenador-geral do RNP (Rede Nacional de Pesquisa – programa do Ministério Brasileiro de Ciência e Tecnologia). A expectativa é de que esteja pronta e conectada à Internet norte-americana até o final do ano.
Uma das mais importantes aplicações do projeto é o intercâmbio entre áreas de intensa pesquisa, como a medicina. Em São Paulo, por exemplo, a RNP já fechou parceria com a Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor) e a Escola Paulista de Medicina, além da Telefônica e Net para o fornecimento de infra-estrutura.
“A rede que estamos construindo vai permitir sincronismo do pacote de voz e dados e aplicações específicas principalmente para vídeo-conferências”, explica Eduardo Bonilha, coordenador adjunto do centro de computação eletrônica da USP.
No Rio de Janeiro, o projeto vai utilizar rede da Telemar para interligar a Universidade Federal, a Fundação Osvaldo Cruz, a PUC e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Já em Santa Catarina, independente do projeto federal de Internet 2, o governo estadual, universidades e centros de pesquisa estão criando uma rede paralela para ligar todos os institutos do estado, principalmente do interior.
“Vamos implantar a rede gradativamente em doze municípios interligando todos os centros de pesquisa”, detalha Edison Melo, um dos coordenadores do projeto de Santa Catarina. A Internet 2 do estado conta com o apoio da Telesc, que está instalando a rede de fibra óptica, e investimentos em torno de US$ 5 milhões da Fundação Catarinense de Ciência e Tecnologia (Funcitec) em parceria com a Telesc Brasil Telecom, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e a Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe).
Intercâmbio global
O projeto surgiu em 1996, com 34 universidades americanas que se associaram e formaram o Cômite Geral de Trabalho da Internet2, com o objetivo de desenvolver bibliotecas virtuais, ambientes colaborativos em laboratórios com instrumentação remota, promover debates virtuais, trabalhos em grupo, telemedicina, projeção de telas em três dimensões, controle remoto e pesquisas médicas. A partir de 1997, com o apoio do governo federal norte-americano, o projeto tornou-se global e extensivo a qualquer universidade ou centro de pesquisa.
Para fixar metas comuns foi criado o Memorandum of Understanding (MoU – memorandos de entendimento) que cria acordos de trabalho entre centros acadêmicos de diversos países. O Brasil estabaleceu um acordo MoU com o projeto de Internet2, através da RNP, em outubro de 1997.
Desde então, o RNP e o CNPq (Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) já fechou parcerias com diversos centros de pesquisa e instituições de ensino nos principais estados brasileiros para construção de uma nova rede de backbone, capacitar recursos humanos e desenvolver aplicações sofisticadas com recursos interativos e de multimídia.
