Intel monta dois laboratórios de desenvolvimento para Android no Brasil

Muita gente no mercado critica a Intel quanto a lentidão em rodar uma estratégia direcionada ao mundo móvel. A fabricante, aos poucos, lança uma série de esforços para virar esse jogo. Uma dessas iniciativas toca sua área de software. E, no que toca o Brasil, há novidades nessa frente. Isso porque a companhia montou dois laboratórios para desenvolvimento de aplicativos direcionados à plataforma Android.
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A estratégia está ligada a universidades e faz parte de um plano de incentivo à inovação anunciado no início de 2013, em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que prevê investimento de R$ 300 milhões ao longo dos próximos cinco anos. O Centro Universitário Senac, em São Paulo, e o Senai-BA são as primeiras instituições a receberem a estrutura equipada com ferramentas para criação e teste de aplicativos móveis.
Há planos de ampliar o número de escolas parceiras na iniciativa no futuro breve. Mas Nuno Simões, diretor do grupo de software e serviços da Intel para a América Latina, tem ressalvas: ?Talvez agora o momento seja de diminuir o ritmo de abertura de portas e focar na execução?. Contudo, ele salienta que, apesar disso, ainda há espaço para acordos similares com outras universidades. O executivo considera, também, uma revisão do modelo adotado até então para, a partir do ano que vem, criar uma abordagem que garanta ao projeto ganhos de escala.
?Gostaríamos de tirar o máximo proveito da inovação que as universidades trazem através desses laboratórios?, comenta o diretor. ?Aplicativos móveis normalmente tem vida curta, portanto, o processo de inovação é importante?, adiciona, salientando que a parceria tende a trazer ganhos à companhia.
Morris Benton, gerente geral dos programas para desenvolvedores e alianças estratégicas da Intel, reforça que iniciativas desse tipo são consideradas críticas para a visão que empresa possui quanto a seu futuro. ?A mensagem é simples: queremos prover oportunidades para que desenvolvedores criem coisas novas?, pontua, dizendo que investimentos como os feitos no laboratório são uma forma de gerar esses negócios.
Não há, na sua opinião, uma certeza de que tipo de aplicações nascerão a partir dessa aplicação, nem quando a estratégia começará a dar retorno. ?Felizmente não somos um banco, sabemos que haverá retorno, alguns no curto outros no longo prazo. Independente de quando isso acontecer, para nos está adequado?, diz, esperando colher fruto da criatividade dos desenvolvedores.
O movimento de desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis é facilmente associada ao um mundo de empresas nascentes. Benton rechaça essa visão. Para ele, trata-se de algo que permeia desde startups até companhias que atendem grandes corporações. A essas empresas mais estabelecidas no mercado, ele deixa o recado para que aprendam sempre algo novo, o tempo todo.
A Intel foi uma das organizações que sempre sustentou uma parceria próxima com a Microsoft. Questionado sobre esse novo momento, o executivo analisa: ?O mundo está indo em direções diferentes. Novos dispositivos, como tablets, abrem horizontes e trazem vida nova ao PC?. Ele reforça que isso não significa fim da aliança com a fabricante do Windows, mas reconhece um investimento pesado em Android, em termos de mobilidade. O executivo reforça que haverá suporte nos dois SOs. ?É a direção para qual vamos e estamos focado no futuro. Não se trata de um programa temporário?, acrescenta.
No início do ano, a Intel lançou estratégia semelhante. Na ocasião, o foco das alianças anunciadas direcionava-se a HPC (sigla, em inglês, para computação de alto desempenho). ?A comunidade de desenvolvedores do Brasil é uma das seis maiores do mundo e deve subir para a quinta posição em breve?, avalia o executivo.
HTML5
A fabricante também apresenta uma nova ferramenta para desenvolvimento de aplicativo multiplataforma utilizando a linguagem HTML5. De acordo com a companhia o XDK NEW, nome do produto, facilida a criação de aplicações híbridas para plataformas móveis como smartphones e tablets.
A tecnologia traz suporte a três sistemas operacionais: Windows, Linux e MacOS. A ferramenta permite desenvolver, testar, depurar, emular e compilar na nuvem apps para diversos devices, bem como para aplicativos web (WebApp, Chrome e Facebook). A ferramenta vem com interface simplificada, diz a fabricante, suporte de API expandido e está disponível de forma gratuita.
