Indústria e executivos de tecnologia precisam ter paciência

?Conquistas não chegam em um ano?, diz o sócio-fundador da Genexus, Breogán Gonda. O executivo deixou o dia a dia da Artech, desenvolvedora da plataforma de programação, há cerca de um ano ? passando o bastão para Nicolás Jodal para direcionar sua atenção a atividades de pesquisa, desenvolvimento e educação. Engenheiro de formação com especialização nas áreas de base de dados, inteligência artificial e métodos de desenvolvimento automático, ele considera que o que mais falta na indústria e nos profissionais em torno da TI é paciência.
?Creio que uma decisão muito importante foi a de dizer não vou a tomar capital de risco. A indústria se financia com isso, mas também exigem uma ideia razoável de quando irão recuperar o investimento. Só que por mais que o nível de ganância seja monstruoso, podem passar anos sem saber quando a indústria verá uma mudança de paradigma?, explica Gonda. Ele diz que começou a apostar na ideia de uma plataforma que facilita o desenvolvimento de apps há 29 anos e, desde então, as mudanças tecnológicas ocorreram lentamente.
Ele considera que estamos vivendo na TI uma mudança de paradigma, um momento de tensão que em breve terá seu estopim de uma quebra de padrões. ?Existe um enorme conservadorismo sempre. Uma rejeição, um medo à mudança. O que podemos fazer? Nada. Não podemos apressar o assunto. O que podemos fazer, e é o que estamos fazendo, é nos preparar para estar quando isso correr?, expõe. Esse preparo para ele é o uso de tecnologias de padrões abertos (open source) e universos multiplataformas. E a mudança estaria ocorrendo no caminho de novos horizontes para a programação de aplicações, porque ?programar manualmente é inviável com tantos sistemas operacionais, fornecedores e diferentes modelos da indústria?.
Ele espera que alguma grande indústria comece a se voltar a essa direção, tornando-se um concorrente para a Genexus. Nomes como Microsoft, Oracle, ou provavelmente a IBM, com destaque para a Amazon. ?Eles fazem o que sabem fazer muito bem, e também estão sempre propondo coisas novas.?
?A Apple não, porque a ela não interessa. Ela pensa em consumidores, não nas necessidades do mercado corporativo?, aposta. Segundo Gonda, a quebra de paradigma será motivada pelo mercado corporativo. ?Ninguém faz brinquedos aqui.?
* Entrevista concedida durante o 23º Encontro Genexus, realizado em Montevidéu, no Uruguai. A jornalista viajou a convite da empresa
