IBM quer levar serviços de TI para um próximo nível

A batalha na arena de serviços de tecnologia deve se acirrar. Um componente novo vem à tona quando a HP revela estratégia de focar em ?áreas mais rentáveis? de negócio. O movimento reverbera no mercado como um todo. A IBM, que registrou receitas de 38 bilhões de dólares de suas receitas em 2010 nessa atividade, enxerga-se em posição de vantagem para uma eventual disputa graças a combinação de conhecimentos em hardware, software, pessoas e P&D.
?Não sei para onde a HP vai, mas sei para onde vamos. Depois de padronizar processos e tecnologias, vamos criar padrões para o modelo de entrega?, comenta Erich Clementi, vice-presidente global de serviços da IBM, vislumbra o futuro da oferta de serviços de tecnologia, dizendo que a área de software de sua companhia é dez vezes maior que a da concorrente e a Big Blue tem ?uma mão forte para levar serviços de TI para um próximo nível?.
O executivo acredita nos diferenciais de sua oferta. ?Será necessário conhecimento em software, ser global, entregar em todos os países?, lista, para acrescentar o ponto que considera mais importante: ?e precisa ter experiências em indústrias?. Para ele, quem quer prover uma solução de qualidade para um grande varejista, precisa compreender a indústria. ?E isso é o que temos construído ao longo dos últimos anos?, estabelece.
Benchmark
O movimento de desmembrar uma divisão de grande visibilidade ? como é o caso do grupo de computadores ? proposto agora pela HP, de certa maneira, traz uma certa semelhança ao que vivenciou-se na IBM no início da década.
?Voltando a 2002, na época do estouro da bolha pontocom, vimos que havia três coisas mudando rapidamente?, recorda Clementi, para pontuar: o centro da computação estava migrando para além do PC; o desenvolvimento econômico seria puxado pelos mercados emergentes e as empresas querem aproveitar recursos de TI alinhadas aos seus negócios.
A constatação gerou três compreensões importantes para o rearranjo do negócio da IBM e desencadeou uma série de ações, entre elas, a venda da divisão de computadores para a chinesa Lenovo. ?Foi uma decisão difícil, pois nos desfizemos de uma coisa que tornava nossa marca tangível?, recorda.
Outra transformação destinou-se a alocação de recursos, que passaram a ser canalizados com ênfase aos mercados emergentes, que representavam um potencial de crescimento entre 8% e 10% superiores as taxas verificadas em economias mais estabelecidas. Isso, por sua vez, acarretou em semear centros de pesquisa e desenvolvimento em países com Brasil, China e Índia, por exemplo.
Numa comparação entre a trajetória da HP e IBM, numa análise ainda bastante prematura, mostra bastante semelhanças ? pelo menos no que toca o item ?focar em serviços? e ?ver o que faremos com as máquinas?. Resta saber como Léo Apotheker vai desenrolar os fios do restante da história.
