GXS busca força em soluções mercantis e inicia oferta para América Latina

Dividida entre operações financeiras (transferência de valores) e mercantis (transferência de mercadorias em si), a integradora GXS, provedora global de soluções de B2B e-commerce, tem um trabalho e tanto em 2012: fortalecer, no Brasil, suas atividades na segunda área, que no Brasil representa 25% do faturamento. O objetivo, explicou o presidente da companhia, Helcio Beninatto, é atingir 40% do total até 2014. Outro desafio é transformar a unidade brasileira em uma fornecedora de soluções para os demais países da América Latina, processo que foi iniciado já em 2011.
Beninatto foi direto: a ideia não é reduzir a participação da companhia na área financeira, mas crescer em ambas e aumentar a penetração em uma atividade que ainda é pouco explorada no Brasil. ?Traremos em 2012 uma série de soluções voltadas para o e-commerce mercantil?, explicou. A unidade brasileira oscila entre o terceiro e o quarto lugares de maiores representatividades da unidade global. Com 30 mil clientes em carteira, o País recebeu um terço do investimento total da multinacional no mundo.
Enquanto que a matriz, os Estados Unidos, fica com cerca de 40% do faturamento, Reino Unido gera 25%, Japão 14% e Brasil 13%. Não foram dados detalhes sobre o faturamento geral. ?Brigamos cabeça a cabeça pela posição com o Japão?, disse o executivo. A estratégia de crescimento em ofertas de soluções mercantis caminha alinhada a uma posição de destaque no grupo, já que, no mundo, esse tipo de oferta representa 65% da receita total. ?No Brasil é diferente até mesmo por conta das condições do País, que ainda está muito focada na área financeira. A área mercantil ainda é pouco desenvolvida?, adicionou.
Serão quatro ou cinco novas ofertas na área mercantil o Brasil neste ano, entre elas uma voltada para Nota Fiscal Eletrônica, que deve chegar no segundo trimestre deste ano. No caso da unidade financeira, serão cerca de três, já que no ano passado houve um grande foco em produtos do tipo. Um deles, inclusive, foi desenvolvido em solo tupiniquim: voltado para conciliação de pagamentos de cartão de crédito, o software nasceu de uma necessidade local. Com o fim da exclusividade de adquirentes no Brasil, em 2010, houve uma confusão muito grande na conciliação de pagamentos. Se antes, por exemplo: pagamentos com Visa só poderiam ser feitos em máquinas da Cielo, agora podem ser registrados em aparelhos da Redecard. ?Na hora de fazer o fechamento do mês, lojistas ficavam à mercê das informações sobre quanto receber de cada bandeira do banco?, justificou. No fim do ano passado já haviam sido fechados 12 contratos.
Todas as soluções da companhia são vendidas no modelo de cloud computing. O executivo deixou claro que, apesar de alguns softwares serem criados aqui no Brasil, o objetivo é vender oferta de serviço, em contratos que variam de dois a quatro anos. Apesar de não ser o foco, em algumas investidas o resultado é positivo: um produto produzido aqui no Brasil, que avalia o Risco Sacado em operação de antecipação de recebíveis, será exportado para os Estados Unidos.
Internacionalização
No que diz respeito à internacionalização, o primeiro contato ocorreu com a empresa chilena de logística CSVA, com a oferta de solução mercantil. Uma empresa brasileira que tem operações na América Latina deve levar outra solução da empresa para Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México, onde possui operações. ?Já treinamos nosso call center para fazer atendimento em espanhol, mas não pretendemos ter operações em outros países da AL?, explicou o executivo.
Apesar da confiança para 2012, Beninatto relembra que o primeiro semestre de 2011 foi complicado para a companhia. ?Não consigo especificar o que aconteceu, mas a nossa capacidade de geração de negócios apresentou baixos resultados. Vimos um desempenho melhor no segundo semestre. Em 2012 as coisas parecem ter melhorado?, finalizou.
