Estratégia de colaboração: evite a síndrome ?namoro online?

Não posso dizer que tive muito êxito com namoro online. Eu tentei há alguns anos, mas sempre acabei entrando em situações estranhas, com pessoas mais estranhas ainda. O problema com o namoro online é que as pessoas podem se fazer parecer com o que quiserem, online, mas quando você as conhece na vida real, elas são bem diferente. O mesmo problema atinge muitas empresas hoje.
As empresas de hoje estão apaixonadas pelas emergentes soluções de colaboração. Queremos envolver e conectar nossos funcionários uns com os outros e com as informações que eles precisam para trabalhar. Então implementamos uma tecnologia, fazemos alguns treinamentos e, talvez, conseguimos que um executivo fale ou prepare um vídeo explicando porque essa nova direção é tão importante. Isso é o mesmo que dizer as pessoas que você tem 1,85 de altura e pesa 77 kg, tem uma carreira de sucesso como executivo corporativo e dirige um Porsche, quando, na verdade, você tem 1.68 m, pesa 88 kg, está desempregado e dirige um Honda.
O problema com a maioria das empresas é que elas são mal representadas ? elas dizem que querem fazer coisas que suas ações não suportam.
Esse é um cenário muito comum: eu converso com um executivo e sua equipe e eles me dizem que querem se tornar uma organização colaborativa, que é um grande objetivo estratégico e que eles valorizam seus funcionários. Geralmente, essa organização já implementou ou está prestes a implementar alguma iniciativa de colaboração. Parece uma organização atraente, certo? Não exatamente. Na verdade, o que eu acabei de descrever é como o perfil de namoro online de uma empresa: parece ótimo online, mas espere para conhecer pessoalmente!
O que eu geralmente descubro logo depois é que essa organização força seus funcionários a se vestirem formalmente todos os dias, todos trabalham em cubículos fechados, muitos gerentes estão completamente alheios aos esforços de colaboração, funcionários são recompensados e promovidos com base em desempenho individual, a organização é extremamente competitiva internamente, feedback de funcionário não é levado em consideração, poucos ou nenhum programa formal foi desenvolvido para apoiar colaboração, colaboração não é integrada à visão da empresa e os funcionários não confiam uns nos outros ou em seus gerentes.
Em outras palavras, esse será um encontro muito desconfortável.
Números recentes da Gallup sugerem que 72% dos trabalhadores americanos estão desengajados, o que significa que eles são como sonâmbulos trabalhando. Eu odeio ver taxas tão altas de desengajamento dentro das empresas. Acredito que as organizações colaborativas possam melhorar o mundo. Se dermos poder, envolvermos e conectarmos nossos funcionários, isso causará impacto tanto profissional quanto pessoal. Eles terão menos estresse relacionado ao trabalho e menos brigas dentro de casa. Eles poderão trabalhar em ambientes mais flexíveis, e irão se importar mais com o trabalho que realizam e com as pessoas com quem trabalham. Eles terão a chance de aprender e crescer continuamente dentro da empresa.
Criar uma organização colaborativa requer mais do que apenas a tecnologia. Não é apenas questão de implementar uma solução de colaboração dentro da empresa, distribuir um manual de uso e instruir todos a usarem. Colaboração e a cultura da colaboração precisam transcender o ambiente virtual. Se as pessoas não estiverem confortáveis e não se sentirem apoiadas no ambiente real de trabalho, o ambiente virtual não fará muita diferença.
Precisamos começar a pensar sobre colaboração em um contexto mais amplo e nos perguntar: ?Como isso pode impactar a vida de nossos funcionários?? Em vez de apenas ?Como nossa empresa pode ganhar ou economizar mais?? Pode parecer um pouco clichê, mas existe um componente humano real que parecemos estar ignorando.
Transformação de tecnologia e negócio/cultura andam de mãos dadas. Não estou sugerindo que o foco esteja apenas nos negócios e nas pessoas enquanto ignora a tecnologia, e não estou dizendo que a tecnologia seja a solução para todos os problemas corporativos de hoje. A iniciativa de colaboração é questão de transformação do negócio e de tecnologia. Eu aplauso todas as empresas que dão passos rumo à criação de uma organização colaborativa. Mas, esses passos precisam ser mais largos e mais significativos. Em vez de focar simplesmente em implementar a tecnologia, precisamos focar em mudar a forma como trabalhamos e em melhorar a qualidade de vida daqueles que trabalham conosco.
Eu vi alguns exemplos incríveis de empresas que acreditam completamente em fazer isso acontecer, e eles demonstram tanto em palavras quanto em ações.
A TELUS é uma dessas poucas empresas que fez da colaboração um de seus principais pilares de condução do negócio; é um dos princípios que a empresa compartilha, orgulhosamente, com seus funcionários. A TELUS não só implementa a tecnologia dentro da empresa, mas suporta a colaboração por meio de eventos, treinamento de novos funcionários, mentoria, encontros e diversas outras iniciativas, incluindo ambientes de trabalho muito mais flexíveis.
Com mais de 425 mil funcionários, a IBM também oferece muitos programas internos para suportar colaboração, incluindo as famosas sessões JAM, em que os funcionários se reúnem física e virtualmente para compartilhar novas ideias.
A Lowe?s também criou uma tremenda força ao redor da colaboração. O CEO da empresa é um grande proponente desse esforço. Na verdade, ele escreve um dos blogs mais populares dentro da empresa, se envolvendo com mais de 285 mil funcionários diversas vezes por semana.
Veja abaixo alguns outros esforços que vi em empresas que nutrem o ambiente colaborativo:
– Mude a forma como o funcionário é avaliado tornando colaboração parte do salário ou do plano de bônus;
– Mude o foco das recompensas para equipes e não para indivíduos;
– Crie jogos e quebra-cabeças para a equipe solucionar;
– Faça reuniões para compartilhamento de novas ideias;
– Disponibilize suporte de executivos sêniores, não apenas financeiramente, mas com presença física;
– Permita ambientes de trabalho mais flexíveis;
– Remova cubículos e mude normas de vestuário;
– Mude a visão da empresa e divulgue que a colaboração é o futuro do trabalho.
É que claro que nem todos esses esforços são possíveis em todas as empresas, e não existe um modelo pronto que se aplique a todos. O objetivo é simplesmente pensar diferente sobre colaboração. Pense sobre como as iniciativas de colaboração podem ser suportadas. Como a colaboração pode, de fato, ser embutida na empresa como algo mais do que simples ferramenta.
Conforme você cria sua estratégia de colaboração, lembre-se de começar com um perfil que realmente se pareça com você. Afinal, você nunca sabe quando pode conhecer aquele alguém especial.
