Como fica o cenário das operadoras depois do anúncio da Telecom Italia

A discussão sobre a formação acionária da Brasil Telecom é antiga – e teve mais um capítulo na terça-feira (25/08), por ocasião do anúncio da contratação do JP Morgan pela Telecom Italia para analisar a possível venda de sua participação na BrT. Na opinião do diretor-geral do Yankee Group para a América latina, Luis Minoru Shibata, a Telecom Italia estaria fazendo uma análise para saber quanto valem suas ações. “Isto não quer dizer que ela já optou pela venda; está tentando entender o que isto vale”, enfatiza. Mas a estratégia da Telecom Italia poderia forçar um acordo entre os atuais acionistas da BrT: Timepart Participações S.A., com 20,9% do capital total da Solpart, formada por fundos de investimentos; Telecom Italia International N.V., com 31,6%; Techold Participações S.A., com 47,5%, formada por fundos de pensão brasileiros (Sistel, Telos, Funcef, Petros e Previ) e Opportunity Zain.A movimentação da telco italiana tem a ver com o prazo estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para decidir, até outubro, como fica a formação da BrT, uma vez que a Telecom Italia tem mais de 20% das ações e também é o grupo controlador da Tim. Em meio a estas discussões e ao anúncio da Vivo em começar a operar GSM, surgem no mercado especulações sobre como fica o cenário das operadoras de telecomunicações no País. “Há uma sinalização de que o mercado ainda vai sofrer um processo de consolidação”, acredita Minoru. “A Telemig Celular e a Amazônia Celular tem acionistas iguais, mas operam em regiões separadas. Elas poderiam, por exemplo, se juntar à operação da BrT GSM, se os acionistas com Telecom Italia saírem”, especula o consultor.Por outro lado, explica Minoru, há o interesse da Vivo na cobertura em Minas Gerais e na faixa de freqüência 850 GHz, o que poderia levar a uma aquisição da Telemig. A região também está no foco da Claro, que, se compra as operações da Telemig e Amazônia Celular, tem a oportunidade de completar seu serviço e ultrapassar a Tim. “A grande mensagem é que o cenário ainda vai mudar. A consolidação vai fazer diminuir número de operadoras, causando impacto nos fornecedores”, resume o especialista.
