Como e porque mudou o Windows Explorer 8

A reação à mudança
Portanto, o WE mudou. E, como era de esperar sempre que surge uma mudança radical, as reações foram das mais estapafúrdias. Por exemplo: James Plakfe publicou no sítio Geekosystem um artigo sobre o assunto cujo título, “Windows 8 Explorer Design is Bizarre” dá uma ideia bastante clara de sua opinião sobre a mudança. Também Adrian Covert publicou na Gizmodo um artigo intitulado “The New Windows 8 Explorer Looks Like a Mess” (O novo Windows 8 Explorer parece uma bagunça”) com conteúdo muito parecido com o de Plafke. Claramente nenhum deles cobre de elogios a nova interface e em ambos ? e muitos outros publicados na mesma época ? se percebe que a reação à mudança foi bastante hostil. O problema é que os artigos foram publicados em agosto de 2011, há mais de um ano, quando não havia cópias beta de Windows 8 disponíveis, e tanto Plafke quanto Covert basearam suas observações exclusivamente em um artigo do blog da Microsoft em que as mudanças foram anunciadas e algumas delas ilustradas com capturas de telas fornecidas pela MS.
Como se trata de uma interface com o usuário, ou seja, algo sobre o que somente se deve divulgar opinião depois de usar, escrever um artigo classificando as mudanças de “bizarras” e “uma bagunça” baseado em figuras e sem sequer experimentar a interface me parece no mínimo temerário. Mesmo eu, que já uso Windows 8 há algum há alguns meses, primeiro com a versão beta RTM e agora já com a versão final e, por via de consequência tenho recorrido bastante a seu WE, não teria a pretensão de me meter a fazer uma análise do novo aplicativo baseada em tão parca experiência. Pois com a mudança o WE ficou mais poderoso em virtude de algumas funcionalidades que lhe foram acrescentadas, teve sua flexibilidade extremamente aumentada devido ao fato de que todas as Faixas de Opções são sensíveis ao contexto (ou seja, oferecem funções diferentes de acordo com o objeto selecionado) e analisar tudo isto exige uma experiência continuada de uso muito mais extensa que a que acumulei até o momento.
Mas, com a ajuda do artigo de Steven Sinofsky “Improvements in Windows Explorer” no blog da MS sobre Windows 8 (o mesmo em que se basearam as críticas antes mencionada), dá para entender a razão pela qual as alterações foram feitas e a linha de ideias adotada pela MS para implementá-las. E é este entendimento que pretendo compartilhar com vocês nesta coluna.
Mas, antes disto, vamos ver em linhas gerais em que consistiram as mudanças e expor as razões alegadas pela MS para implementá-las.
A alteração mais evidente ? e justamente aquela que mais gerou protestos ? foi a mudança da velha interface baseada em menus para a nova baseada na Faixa de Opções. O problema é que quanto a ela, não cabe muita discussão. As razões que levaram a MS a introduzi-la no Windows Explorer foram as mesmas que a levaram a inclui-la primeiro nos aplicativos do pacote Office, depois no Paint, Write e programas do MS Live Essentials e, a partir de agora, nos aplicativos Metro. A adoção das Faixas de Opções foi baseada em testes de usabilidade, elas foram testadas exaustivamente em anos de uso no Office e implementá-las é uma decisão estratégica da empresa. Continuar discutindo isto é uma perda de tempo. Mas quem estiver interessado em conhecer as razões que levaram a MS a usar este tipo de interface pode consultar uma coluna velha de seis anos sobre usabilidade, ainda do tempo em que a versão beta do Office 2007 foi distribuída e que pode ser encontrada aqui. Portanto, vamos pular esta parte. Vale apenas mencionar que, dado o clamor dos descontentes, a MS fez com que o Windows Explorer não mostre por padrão a Faixa de Opções. Mas ela lá está, distante apenas um clique.
Então vamos às mudanças. Segundo o artigo de Sinofsky todas as alterações introduzidas no WE foram feitas ou para atender pedidos dos usuários ou baseadas nas análise dos dados colhidos no CEIP (Customer Experience Improvement Program, ou programa de melhorias da experiência do usuário). Este programa, opcional, se baseia na observação telemétrica anônima da forma pela qual os usuários nele inscritos utilizam o aplicativo. Para reformular o WE foram analisadas centenas de milhões de sessões de uso por parte dos mais diversos tipos de usuários. Estas observações estão resumidas no gráfico da Figura 2, obtida no artigo de Sinofsky.

A simples observação desta figura leva imediatamente a duas conclusões. A primeira é que, embora o WE ofereça mais de duzentos comandos, os dez mais usados representam 81,8% do uso normal do aplicativo. A segunda é que o WE tem sido usado fundamentalmente para as tarefas relativas a gerenciamento de arquivos: 72,2% da utilização do programa é feita com este objetivo.
Outra observação interessante diz respeito à forma pela qual os usuários invocam estes comandos.
Sim, pois cada comando do WE pode ser acionado de uma dentre quatro diferentes formas: ou através de uma das entradas da Barra de Comandos no topo da janela (que, por ser o mais visível elemento de acionamento de comandos, era de esperar que fosse o de uso mais frequente), acionando um atalho de teclado, usando o menu de contexto de um dos itens (aquele que aparece ao se clicar com o botão direito sobre o ícone) ou, finalmente, teclando “Alt” para forçar o aparecimento da barra de Menus acima da Barra de Comandos, clicando sobre um dos menus e daí navegando até o comando desejado. Pois bem: a análise dos dados do CEIP (exibida na Figura 3) mostrou que, de longe, a forma mais usada foi o acionamento do menu de contexto (mais da metade das vezes), seguida pelos atalhos de teclado (cerca de um terço das vezes). A Barra de Comandos ficou em um longínquo terceiro lugar, com pouco mais de um décimo das vezes e aos menus, cuja perda de evidência é a razão do enorme clamor que se alevantou contra a mudança, já que todas as demais continuam lá, quase ninguém recorre.

E por que a Barra de Comandos, supostamente o meio mais óbvio de introduzi-los, tem sido tão pouco usada pelos usuários? Bem, segundo Sinofsky porque apenas dois dos comandos mais usados podem ser acessados diretamente desta barra (a Barra propriamente dita e o comando de renovar o conteúdo da janela, “Refresh“).

Pois bem: como eu disse, as Faixas de Opção do WE são sensíveis ao contexto e mudam conforme o objeto selecionado para oferecer os comandos mais adequados a ele (o que, por si só, já é altamente positivo). Portanto a Figura 4 mostra apenas um dos aspectos da Faixa de Opções “Início”, aquele mostrado quando o painel direito exibe pastas e arquivos e o objeto selecionado é um arquivo. Logo, os comandos que nela aparecem são principalmente os aplicáveis a arquivos.
Nela eu inclui, em números negros no interior de retângulos vermelhos, a porcentagem de uso de alguns de seus comandos, representados por seus ícones. Estas porcentagens correspondem aos dez comandos mais frequentemente usados. Reparem: agora, com o uso das Faixas de Opções, todos eles se encontram a um único clique de distância.
Uma das razões que me levam a estranhar o volume de reclamações é que todos os meios usuais e tradicionais de invocar os comandos, assim como todos os comandos antigos, continuam disponíveis na nova interface. Os atalhos de teclado não apenas foram mantidos como foram sensivelmente ampliados e agora TODOS os comandos dispõem de um atalho de teclado. Os menus de contexto continuam funcionais. A única coisa que desapareceu foram os menus de cortina, que como demonstram os dados do CEIP, quase ninguém mais usava. Sinceramente, não percebo a razão de tanto alarido…
