Com Loja Perfeita, TI da Mondelez mostra foco no cliente

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9:07 am - 28 de maio de 2015

O mundo dos sonhos para um CIO é ter sua área reconhecida como componente estratégico na corporação, poder discutir com corpo diretivo e líderes das áreas de negócio projetos e a melhor abordagem para algumas iniciativas. O que muitos sonham, no entanto, é realidade para Carlos Buss, CIO da Mondelez Brasil. Há oito anos na companhia, o executivo desenvolveu, ao assumir a posição de líder de TI, uma postura aberta, treinou seu time para pensar o negócio fim e consegui uma integração bastante forte com os líderes da corporação, tendo um trabalho totalmente alinhado com o planejamento estratégico da fabricante de produtos alimentícios.

No fundo, Buss criou praticamente uma sintonia perfeita entre TI e negócio. O executivo explica, por exemplo, que diversos projetos corporativos são liderados pela área de tecnologia a partir de definição junto ao comitê diretivo. Eles estudam os impactos e definem quem serão os habilitadores. Existe um projeto em andamento que é de planejamento com liderança total da TI e outro de margens em supply chain onde a TI suporta a atividade. Já na iniciativa Loja Perfeita, com a qual o executivo sagrou-se vencedor da categoria Indústria de alimentos, bebidas e fumo do prêmio Executivo de TI do Ano, a liderança foi dos profissionais de tecnologia, embora o impacto seja totalmente comercial e de grande importância para o marketing.

A iniciativa mapeou itens como melhor disposição dos produtos por categoria – e a Mondelez tem várias como chocolates, biscoitos, balas, gomas de mascar – em cada um dos diferentes pontos de vendas. Ou seja, qual produto deveria ficar em evidência numa banca de jornal, como uma bomboniere pode faturar mais a partir de determinada organização dos produtos na prateleira e o que fazer em um grande supermercado. O que parece um trabalho simples e básico, no entanto, não é adotado por muito concorrentes.

“Para cada tipo de loja temos um portfólio adequado e entendemos qual a visão do consumidor em cada ambiente. A maioria dos concorrentes tem a mesma estratégia para todos os pontos. Tivemos o cuidado de pensar uma oferta diferente para cada tipo de loja”, relembra o CIO. Depois de todo esse estudo, foram definidos KPIs, processos, sistemas, capacitação do promotor e um trabalho realizado também com os varejistas e distribuidores que atuam com exclusividade para entender o novo momento.

Promotores de vendas e distribuidores são peças essenciais no projeto, uma vez que, a partir do trabalho de coleta de dados realizados por eles, o projeto ganha ainda mais corpo. Essas pessoas capturam preços, posicionamento de mercadoria da Mondelez e da concorrência e tudo é utilizado de maneira estratégica por meio do sistema de inteligência de dados, resultando em melhorias na distribuição de produtos e até na estratégia de oferta. Um trabalho essencial, mas carregado de desafios, sobretudo em relação aos varejistas, que respondem por 50% do faturamento da empresa.

Bons resultados

“Nossa força de vendas usa nosso software, os varejistas usam o deles e fizemos uma integração de dados. E aí tem desafio grande. Às vezes captura um item que está no sistema dele e não está no meu. Mas, hoje, temos 90% de visibilidade do sellout”, comenta, para completar: “Primeiro fizemos uma integração de dados muito forte e fomos evoluindo, queríamos distribuir o sistema para eles usarem no começo do projeto, mas chegamos a um modelo de integração de dados no qual o ERP deles está integrado ao nosso master data”.

O projeto como um todo produziu resultados que saltaram aos olhos da empresa, referendando todo o discurso de uma TI mais próxima do negócio e que entende o que acontece na ponta. A companhia apurou crescimento forte nas vendas dos produtos expostos nas chamadas hot zone, como prateleiras próximas ao caixa do supermercado, e no caso dos produtos que ficam no fundo da loja, a melhora foi um aumento significativo de eficiência, diminuindo a ruptura pela visibilidade. “Antes tínhamos problema de não reposição de gôndola e queda nas vendas. Essa execução melhorou bastante. Crescemos dois dígitos ano passado no Brasil e muito disso pela implantação da Loja Perfeita que ainda não está em todos os canais de distribuição.”

Os bons resultados do Loja Perfeita, aliados à estratégia de TI desenhada e implantada nos últimos cinco anos no Brasil, que mudou a cara do departamento e o deixou mais próximo do negócio, garantiram a Buss uma projeção internacional na corporação, resultando em um convite para assumir uma posição no escritório global de CIO, baseado em Chicago. O objetivo é que ele leve a experiência brasileira para ser replicada globalmente, de forma a atender objetivos corporativos como engajamento do consumidor do futuro via mobilidade, eficiência no backoffice e redução de custo.

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